Whow! Festival: inovação para mudar o mundo  - WHOW
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Whow! Festival: inovação para mudar o mundo 

Nos próximos dias, o evento vai abordar como inovar em diferentes tipos de negócios. Mas precisamos discutir o comportamento humano

POR Ivan Ventura | 09/11/2020 22h46

Pensar em inovação é, sobretudo, refletir e propor mudanças sobre os desafios que impedem pessoas, empresas ou instituições de qualquer natureza de seguir adiante com os seus objetivos. Ao longo da nossa jornada, há diversos exemplos de “muros” que se apresentaram no caminho da humanidade, sendo que alguns deles parecem intransponíveis. E o que fazer? Superar cada um deles com generosas doses de criatividade, perseverança e suor. 

Em 2020, o grande desafio que surgiu diante dos olhos da humanidade foi, ironicamente, microscópio. A covid-19, apesar do seu tamanho, causou estragos que dificilmente serão equacionados no próximo ano. Se vivíamos um processo de recuperação da chamada “segunda década perdida” causada pelos recentes mandos e desmandos dos últimos governos, temos mais uma década para a contaOu seja, o jeito é o Brasil usar a criatividade para virar o jogo. 

Na noite de abertura do Whow! Festival de Inovação, Roberto Meir, CEO do Grupo Padrão, Daniel Domeneghetti, CEO da consultoria Dom Strategy Partner, e Iza Dezon, sócia-fundadora da Dezon Consultoria Estratégica, discutiram os desafios relacionados ao mundo pós-pandemia, além de temas que já estavam na pauta da sociedade antes da chegada do vírus: empoderamento feminino, mobilidade, a construção de modelos de consumo mais sustentáveis e outros assuntos que o mundo já debatia antes do novo coronavírus.  

Sistematização da inovação 

Na primeira parte do debate, Iza e os demais painelistas fizeram reflexões sobre o processo de inovação no Brasil – ou a escassez dele. Hoje, somos reconhecidos mundialmente pela imensa capacidade de improvisação no esporte e até em situações do cotidiano (o tal jeitinho), mas raramente somos lembrados pela proposição de algo ou ideia nova 

Um dos motivos, segundo Roberto, é a ausência de uma espécie de sistematização da inovação. Ou seja, inovar demanda método, teste, persistência, entre outros fatores, que realmente conduzem o ser humano para algo novo – algo bem diferente do momento “eureca”.  “Diversos países conseguem fazer a sistematização de uma inovação que se replica ao redor do mundo. A verdade é que não desenvolvemos ideias que ganharam o mundo”, disse o executivo. 

Nesse sentido, Daniel lembrou das startups brasileiras que foram classificadas como “unicórnios” (novas empresas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão) nos últimos anos. “O fato é que temos empresas brasileiras que replicaram modelos desenvolvidos no estrangeiro e que poderiam ser replicados em qualquer país, inclusive o nosso. Não criamos nada”, comentou. 

A multicanalidade omnicanal 

É claro que a inovação não necessariamente está ligada a criação de um novo produto ou serviço. Há muitos cantos da sociedade ou mesmo áreas nas empresas cheias de gargalos à espera de mentes inovadoras. E o relacionamento com o consumidor é uma delas. 

Iza lembrou que empresas e consumidores foram lançados para o mundo digital praticamente do dia para noite a partir da pandemia. Assim, muitas empresas possuem e atendem o canal digital. No entanto, isso não significa que muitas companhias sabem o que estão fazendo. 

Roberto lembra que a Consumidor Moderno foi a primeira publicação a defender a ideia de uma jornada de experiência de cliente em uma época onde companhias relutavam em seguir o Código de Defesa do Consumidor (CDC). “A multicanalidade é algo estabelecido. Agora, ele precisa ter consistência. É o que chamamos de comunicação, vendas e relacionamento”, disse o CEO do Grupo Padrão.

No entanto, de acordo com o CEO da consultoria Dom Strategy Partner, isso não significa que o mundo já se tornou exclusivamente digital. Segundo o especialista, há estudos que mostram que o consumo a partir da reabertura dos negócios foi maior que o período pré-pandemia. Ou seja, pessoas querem retomar a experiência de compra no mundo físico, mas devem incluir hábito digital em algum momento da experiência de compra. Mais do que nunca, a omnicanalidade (ou estar verdadeiramente presente em todos os canais) virou uma tendência de fato. 

Mobilidade 

Outro assunto abordado na abertura do Whow! Festival de Inovação foi a mobilidade em tempos de veículos autômatos (ou seja, robôs que parecem uma Ferrari) e até a diminuição do interesse dos millenials pela compra de carros.  

Durante a sua fala, Daniel provocou: “Estamos caminhando para uma sociedade mais empobrecida em relação a posse de um bem como o carro ou casa e, ao mesmo tempo, temos uma concentração desses bens nas mãos de pouquíssimas pessoas ou empresas Eu tenho uma dúvida sobre o assunto: a quem interessa retirar o ativo físico das mãos das pessoas?

Empoderamento feminino

O empoderamento feminino é outro tema na pauta da sociedade e que foi discutido no encontro.

É sabido que países e instituições iniciaram os primeiros debates sobre o tema ainda no século 19 e, desde então, tímidos avanços no sentido da equidade. Homens ainda ganham salários maiores que as mulheres; eles ocupam a esmagadora maioria dos cargos de CEOs de empresas ao redor do mundo e pior: gente que insiste em afirmar que mulheres e homens possuem cargos e posições na sociedade compatíveis com a sua condição natural. 

Roberto lembrou do protagonismo da revista Consumidor Moderno no debate sobre a necessidade da igualdade de gênero, principalmente no mundo corporativo. Daniel, por sua vez, afirmou que o debate sobre a igualdade de gênero no mundo corporativo deve ter um novo marco imediato: é preciso apagar as injustiças do passado e, assim, recomeçar a participação de homens e mulheres a partir do que realmente importa: meritocracia 

“É preciso criar um conjunto de oportunidades para os dois lados. Há necessidade de uma abordagem a partir da meritocracia”, afirma o CEO da consultoria Dom Strategy Partner. 

Menos consumo de carne: opção ou futuro imutável 

O último tema do encontro foi o consumo de carne no mundo. Ao mesmo tempo que países asiáticos passaram a comer mais proteína animal, há um movimento inverso no Ocidente e que ajudou a popularizar movimentos como o veganismo 

“Há questões que precisam ser debatidas. Precisamos rever os nossos hábitos, que vem causando um grande impacto socioambiental”, explicou Iza. 

Roberto fez uma rápida reflexão sobre o consumo de alimentos nos últimos anos. Ele lembrou que gerações passadas afirmaram que a sociedade atual morreria de fome. Embora a morte por inanição seja uma indesculpável para uma sociedade capaz de produzir comida em laboratório, há um fato irrefutável: há mais gente morrendo por complicações relacionadas a obesidade do que por falta de alimento. 

“A humanidade migrou da era da carne vermelha para a branca. Agora, vemos o veganismo. Eu vejo tudo isso de maneira positiva, uma vez que mostra a capacidade de inovação da indústria de alimentos”, destacou o CEO do Grupo Padrão.  


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