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Eficiência

Weel: fintech vista como próxima startup unicórnio brasileira

Com foco no B2B, Weel aposta no financiamento das duas pontas das operações das empresas com serviços de antecipação de recebíveis

POR Raphael Coraccini | 16/03/2020 13h53 Weel: fintech vista como próxima startup unicórnio brasileira Imagem: Shutterstock

As fintechs brasileiras puxam a fila das startups mais promissoras do País. O sistema bancário brasileiro tem um histórico de estabilidade nas últimas décadas e produziu alguns dos bancos mais poderosos do mundo. Esperava-se que novos entrantes não tivessem chance ao disputar mercado. Mas a criatividade dos novos negócios têm aberto espaço entre os gigantes e levado novidades e eficiência aos consumidores e empresas.

A Weel tem aproveitado a brecha no segmento de crédito para antecipação de recebíveis via nota fiscal. A startup se posiciona como fintech de crédito para empresas, tendo como core business antecipação de recebíveis para médias e pequenas empresas. Uma das poucas fintechs B2B, ou seja, que não trabalha diretamente para o consumidor final, a startup está sendo cotada como um dos próximos unicórnios brasileiros.

Criada em 2015 para descomplicar o acesso de pequenas e médias empresas brasileiras ao capital de giro, a Weel faz transações via boleto e depósito em conta. Qualquer empresa que emite nota fiscal com recebível a prazo consegue solicitar o crédito dentro da plataforma da empresa. “No nosso caso, fazemos a utilização do ‘contas a receber’ por meio da antecipação do recebível, o que representa uma diferença em relação ao empréstimo”, explica Nathan Yoles, vice-presidente de Growth da Weel, ao Whow!.

No mês passado, o banco BV, por meio da sua unidade de inovação, o BVx, fez aporte série B de R$ 80 milhões na Weel. Segundo a empresa, o aporte é para aumentar a operação, investir mais em tecnologia e expandir o crédito. Além do investimento direto, o banco ampliará a disponibilidade de funding para a fintech em até R$ 800 milhões para expandir as operações de crédito.

Anteriormente, em 2017 mais especificamente, a Weel recebeu 8,5 milhões de dólares do fundo Monashees. Em 2019, mais 30 milhões de dólares com a Franklin Tempton. A startup não informou a taxa de crescimento anual.

fintech Foto ilustrativa (Shutterstock)

Oportunidade de crescimento da fintech

O Brasil foi a primeira economia mundial em que a totalidade das notas fiscais passou a ser emitida de forma digital e seguindo um único padrão, o que permitiu a Weel trabalhar com crédito de antecipação de recebíveis via nota fiscal de maneira segura, reduzindo riscos para o negócio.

Analisando até 15 mil pontos de informação, a plataforma consegue entender o perfil do cedente (empresa que solicita a antecipação pela Weel) e o do sacado (a parte que efetua o pagamento da nota fiscal). Do cadastro ao depósito na conta do cliente, todo o processo de antecipação leva alguns poucos minutos, garante Yoles. “O custo de transação fica mais barato usando tecnologia, não precisa analisar manualmente, logo, o custo de transação fica mais baixo e as taxas acabam sendo menores na ponta,” segundo Nathan.

Inteligência artificial

A análise de crédito conta com a ajuda da inteligência artificial. Na plataforma da Weel, a IA funciona baseada em dois pontos principais, o primeiro na proporção de análise de crédito mais rápida, eficiente e barata. “Uma empresa vai fazer uma venda… pela nossa plataforma, ela vai conseguir de maneira rápida e segura o dinheiro dessa venda. Ao invés de receber em 90 dias, recebe no mesmo dia”, detalha Nathan, ao Whow!.

Outro ponto é a questão da automatização do processo operacional. “Quando a gente olha para instituições mais tradicionais, elas têm um processo muito custoso e burocrático. A inteligência artificial contribuiu para redução do custo de transação. O resultado é a transação 100% digital”, completa o executivo.

Novidade na Weel

Além do serviço de crédito para antecipação de recebíveis, a Weel está com outro serviço B2B, que é o financiamento da cadeia de fornecedores. Ou seja, além de garantir o recebimento do valor da venda com antecedência para as empresas, a fintech quer adiar o pagamento aos fornecedores. “O desafio de ter um fluxo de caixa otimizado para as empresas está relacionado ao prazo de recebimento, que é alongado, mas também aos prazos de pagamento aos fornecedores, que são muito curtos. Isso faz com que o fluxo de caixa sofra uma pressão. Nosso papel é financiar essas operações e aliviar essa pressão para as empresas”, detalha Nathan Yoles, vice-presidente de Growth da Weel.

fintech Foto Simcha Neumark, CEO e fundador da Weel, (divulgação)

Próximo unicórnio?

Com o novo aporte do Banco Votorantim, a startup está sendo apontada como um dos possíveis futuros unicórnios brasileiros. Para Nathan, a responsabilidade de cumprir a expectativa não é um problema. “Estamos sendo apontados midiaticamente como possível novo unicórnio brasileiro depois de todo processo de estruturação e expansão, que tem como resultado o aumento de valor da Weel. Entendo como uma tradução do aumento da nossa proposta de valor”, afirma o executivo.

Para Simcha Neumark, CEO e fundador da startup, os investimentos são, além de um reconhecimento do mercado a respeito do potencial da Weel, mais um passo importante na democratização do acesso ao crédito para empresários de menor porte. “Essa nova captação acelera nosso crescimento em ritmo ainda mais intenso e nos permite incrementar investimentos em tecnologia, que otimiza a experiência dos nossos clientes”, explica o CEO. “Além disso, o aporte vai nos ajudar com a expansão das nossas operações no Brasil e em novos mercados. Ter a parceria com o banco BV renovada neste momento é importantíssimo para a concretização destes objetivos.”


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