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Web Summit: Diversidade no mercado de venture capital

Fundo de investimento do SoftBank de US$ 100 milhões busca negócios liderados por negros e latinos. Saiba como participar

POR Adriana Fonseca | 03/12/2020 16h15 Imagem Christina Wocintechchat: Unsplash Imagem Christina Wocintechchat: Unsplash

O SoftBank Group Corp lançou, neste ano de 2020, em resposta ao movimento “Black Lives Matter”, um fundo de US$ 100 milhões para investir em empresas lideradas por fundadores e empresários pertencentes a minorias, como negros e latinos. A iniciativa, capitaneada pelo boliviano Marcelo Claure, CEO do SoftBank Group International, quer melhorar a diversidade no mercado de venture capital.

“A maioria dos investimentos é feita em fundadores brancos”, comentou Marcelo em palestra no Web Summit, evento de inovações e negócios que acontece em Portugal. “O foco é encontrar os melhores negócios, mas criamos um fundo garantindo que 100% do dinheiro vá para minorias.”

Paul Judge, empreendedor de tecnologia e investidor que também participou da apresentação e faz parte da equipe do fundo, afirma que as empresas que o fundo procura precisam ter um grande mercado potencial, uma abordagem única, alguma tração de consumidores e habilidade para escalar. “A partir daí fazemos as análises e a diligência devida, falamos com a concorrência e clientes. É uma diligência profunda”, diz. 

Segundo ele, a avaliação não está “baixando a barra”. “São empreendedores que resolvem problemas de saúde, inteligência artificial e segurança.” 

O CEO do SoftBank Group International reforça esse ponto de vista dizendo que o fundo para as minorias não é uma organização de caridade e que exige dos empreendedores negros ou latinos o mesmo padrão que é aplicado a qualquer outro empresário. A diferença é que, agora, há uma grande quantidade de dinheiro dedicada apenas a empresários negros, latinos e nativos americanos.

Fundo de venture capital de US$ 100 milhões para 100 startups

venture capital Para participar deste fundo do SoftBank é precisa ter sedes no EUA e a startup deve ser liderada por um/uma empreendedor/a negro/a, latino/a ou índio/a americano/a (seja o fundador ou o/a CEO). Imagem Chronis Yan: Unsplash

A meta é investir em 100 empresas. Até agora, mais de 700 foram avaliadas e 20 investimentos foram feitos, incluindo healthtechs, empresas de consumo e do setor de games.

A distribuição, por enquanto, é de 25% de latinos homens, 12,5% de empreendedoras negras e 62% de empreendedores negros. “Há grandes empreendedores construindo grandes negócios”, pontua Marcelo, se referindo às empresas de fundadores pertencentes e minorias. “Tem muita gente interessada em levantar capital e a gente mantém as portas abertas”, disse Stacy Brown-Philpot, fundadora do SB Opportunity Fund, que investe em empresários negros, latinos e nativos americanos.

Além do investimento em si, os empreendedores recebem também mentoria de uma experiente comunidade de empreendedores . “Há um time dedicado para dar apoio a esses fundadores, a criar tração, atrair consumidores, há uma rede que os apoia”, diz Paul.

Como participar deste fundo do SoftBank

Para ser elegível a um investimento, as startups precisam seguir alguns critérios:

  • Ter sede nos Estados Unidos
  • Ser liderada por um/uma empreendedor/a negro/a, latino/a ou índio/a americano/a (seja o fundador ou o/a CEO)

Foi o mesmo Marcelo que liderou, dentro do SoftBank, a criação de um fundo para startups latino-americanas de US$ 5 bilhões. Se beneficiaram da iniciativa Rappi, Gympass, Loggi, entre outras.

*A repórter assisti ao evento a convite da MD | Make a Difference.

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