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Você conhece o pensamento elástico?

O físico teórico e escritor Leonardo Mlodinow fala sobre esta teoria e como é necessária na transformação do nosso mindset

POR Adriana Fonseca | 24/11/2020 14h45 Imagem: Unsplash Imagem: Unsplash

Autor de best-sellers mundiais e ex-roteirista de Hollywood, Leonardo Mlodinow é um amante da incerteza e do leque de oportunidades que ela gera. Recentemente ele lançou um livro sobre o tema chamado “Elástico: Como o pensamento flexível pode mudar nossas vidas”.

Em um evento para funcionários da Unilever, ao qual o Whow! teve acesso, o físico teórico falou sobre o tipo de mindset que precisamos ter enquanto o mundo se transforma rapidamente. Confira trechos da apresentação do norte-americano:

Desafios na transformação de mindset

“O mundo está mudando rapidamente, todos percebem isso. Apenas o fato de eu dar essa palestra de meu escritório em minha casa, em invés de estar aí presencialmente, é um exemplo. Mas não é só a pandemia, tem a globalização também e como decidimos nossas férias.

Hoje, as pessoas visitam, em média, 20 sites antes de decidirem as próximas férias. No lugar de visitar agências de viagem, consultam o Airbnb. Muitos jovens não querem aprender a dirigir, porque existe o Uber. E ainda podemos falar da comunicação via Facebook, WhatsApp, SMS. Apenas 12 anos atrás esses aplicativos não existiam.

É nesse ritmo que as coisas vêm mudando. E quando as coisas mudam, precisamos adaptar a nossa forma de pensar. 

É o que se chama pensamento elástico. O nosso modo de pensar como humanos constrói um espectro. Em uma extremidade está o pensamento lógico e analítico. É o pensamento baseado em regras, que é o processamento de informações que computadores tradicionais utilizam, onde há um algoritmo que determina como utilizar certas premissas ou dados para analisá-los e ir de um ponto A para B ou C e, assim, chegar a uma conclusão. Essa é a maneira de pensar que tipicamente sempre foi valorizada nas empresas e na educação.

Isso funciona muito bem quando nos deparamos com situações já vistas anteriormente. Mas e quando essa situação muda ou temos uma situação inédita? Nesse caso, precisamos primeiro criar o paradigma pelo qual iremos analisar essas questões.

Não podemos começar a aplicar um pensamento analítico de imediato. Precisamos primeiro criar ou construir a estrutura na qual iremos fazer a análise. Precisamos definir quais conceitos iremos utilizar, quais as funções da sua forma de pensar, quais devem ser as metas e suposições. Somente após estabelecer essa base é possível aplicar um pensamento lógico e analítico. Precisamos, então, de ambos os pensamentos: o elástico e o analítico. Só que o pensamento elástico não tem recebido a devida importância.  

O pensamento elástico gera inovações e novas ideias, é o pensamento mais criativo e imaginativo. No passado sempre foi valorizado pelos artistas, inovadores ou cientistas, mas hoje precisamos disso nos negócios e até na vida cotidiana, pois sempre nos deparamos com novos desafios nunca antes vistos. 

Ele o tem quatro aspectos: o primeiro deles é a formulação de perguntas, depois a importância do contexto, novas ideias e originalidade e, por fim, o questionamento das suposições.

Como criar o pensamento elástico

pensamento elástico Leonardo Mlodinow descreve que um pilares do pensamento elástico ou imaginativo é permitir a passagem de algumas ideias menos convencionais ou malucas ou realmente brilhantes. Imagem Josh Riemer: Unsplash

O cérebro realiza dois tipos de processamento. O primeiro é o processamento de cima para baixo, importante para o pensamento analítico. Esse é o tipo que vemos em uma empresa em que há um CEO que decide o rumo da empresa, ou talvez seja um conselho ou um executivo sênior.

E depois temos as pessoas abaixo, cujo trabalho é apenas executar. Muitas empresas funcionam assim, como se fossem exércitos. Isso é muito bom em algumas situações, e muito bom se a imaginação, criatividade e inovação não forem necessários.

Mas o cérebro também funciona de uma outra maneira, de baixo para cima. Esse processo é bem diferente e começa nos neurônios individuais. Um único neurônio é algo meio burro, tem apenas um programa que, se essas forem as entradas, essas devem ser as saídas. Apenas isso. Ele não sabe do que faz parte, qual problema está tentando resolver, qual é toda a situação. Mas quando juntamos bilhões de neurônios interligados que se comunicam e estão interconectados, obtemos algo cujo resultado é maior que a somatória das partes.

É assim que as colônias de formigas funcionam. As formigas são seres simples que não conhecem o contexto do que estão tentando fazer, mas fazem coisas incríveis, como construir uma ponte de uma folha para outra. Esses neurônios no nosso cérebro estão constantemente criando soluções para problemas, gerando ideias e novas formas de fazer as coisas, em dezenas de associações que nem percebemos, porque a nossa mente consciente não é tão ágil.

Por isso, temos filtros que nos apresentam apenas as ideias que provavelmente funcionarão, com base na experiência.

“Então, um dos pilares do pensamento elástico ou imaginativo é ampliar esses filtros para permitir a passagem de algumas ideias menos convencionais ou malucas ou realmente brilhantes. Todos nós temos essas ideias, só precisamos aprender a deixá-las passar.”

Leonardo Mlodinow, físico, autor e ex-roteirista de Hollywood

Como deixar as ideias brilhantes passarem

Lute contra o medo do fracasso: Se a cultura corporativa pune ideias que falham, não será possível ter novas ideias. Da mesma forma, caso a pessoa tenha medo de falhar, seus filtros de ideias vão sempre buscar o que funcionou no passado, jamais procurando algo novo.

Abrace o estar errado: 99% das ideias que você tiver estarão erradas e aprendemos rapidamente a ter uma admiração pela natureza e que ela é muito mais esperta que nós, isso nos torna humildes e nos faz entender que errar é aceitável e tentamos novamente.

Elimine distrações e interrupções: Elas são ruins. A forma como a mente funciona quando está tentando resolver problemas é mantendo a continuidade, ao invés de parar, mesmo quando achamos que já desistimos, a mente inconsciente continua trabalhando. A forma de fazer isso e deixar as ideias fluírem é ficar desfocado. Precisamos de momentos na vida em que estamos relaxados.

Aceitar a incerteza: Exceto pela incerteza inexplorada, os seres humanos são uma espécie exploradora. Ficamos entediados, precisamos de variedade e gostamos de experimentar coisas novas. Isso é um grande benefício, pois nos permite inventar coisas. Devemos fomentar isso. Quando nos expomos a coisas diferentes que ampliam a nossa visão, nos tornamos mais imaginativos.

Seja receptivo à diversidade: Aceitar visões diferentes, mesmo que você não goste delas, é uma forma de se expor ao diverso e isso permite às pessoas terem ideias melhores.”  


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