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Tecnologia

Você sabe como funciona a tecnologia de interface cérebro-computador?

Conheça a tecnologia BCI, que já é usada há décadas pela medicina e agora está na mira de Elon Musk e Mark Zuckerberg

POR Carolina Cozer | 04/11/2020 18h31

Você sabia que há muito tempo já é possível conectar o cérebro humano diretamente com máquinas para manipulá-las com a força do pensamento? Essa tecnologia inovadora se chama Interface Cérebro-Computador, ou BCI (Brain-Computer Interface, em inglês), e transcende os limites da inteligência artificial para fora dos computadores e para dentro da biologia humana.

Apesar da ideia de um órgão vivo conectado à um computador passe a sensação de uma tecnologia futurista e sofisticada, que só é vista e pode existir na ficção científica, os primeiros dispositivos BCI surgiram na década de 90, na área medicinal, como implantes neuroprotéticos.

Estes dispositivos foram viabilizados através de um extenso trabalho de pesquisa e desenvolvimento em eletroencefalograma (EEG), eletrocorticografia (ECoG), realidade virtual e tecnologias de neuroengenharia relacionadas à realidade aumentada.

História da tecnologia de interface cérebro-computador

Os primeiros BCIs foram usados na medicina com deficientes auditivos através dos implantes cocleares, que traduzem sinais de áudio em pulsos elétricos enviados diretamente para os cérebros dos usuários.

Contudo, o ano de 2004 foi o mais marcante para a história da interface cérebro-computador, quando Matthew Nagle, um americano vítima de paralisia, se tornou o primeiro ser humano a ser implantado com um BCI capaz de mexer em um computador. 

Após receber implantes cerebrais, Nagle foi capaz de fazer todos os movimentos possíveis do seu corpo a um mouse apenas com o seu pensamento. Também conseguiu controlar uma mão robótica (através de impulsos cerebrais) pela primeira vez na história da medicina. 

Hoje, esses implantes continuam sendo amplamente utilizados por pacientes com paralisia e próteses, tendo versões invasivas, com instalações intracerebrais, e as versões não-invasivas, com fones de ouvidos conectados a máquinas, para serem usados em situações passivas.

Empresas que estão inovando em BCIs

Além do campo da medicina, os BCIs também podem ser uma ferramenta de interação com aplicações potenciais no campo de entretenimento, realidade virtual ou videogames, entre muitas outras aplicações potenciais.

Há alguns anos, o Facebook revelou estar desenvolvendo uma tecnologia de interface cérebro-computador não-invasiva via óculos VR, voltada para a digitação com a mente. A tecnologia, como inovação, pretende usar imagens ópticas para escanear o cérebro dos usuários e detectar a “fala” na cabeça e traduzi-la em texto. O objetivo da empresa de Zuckerberg é permitir que usuários de dispositivos móveis e computadores se comuniquem a uma velocidade de pelo menos 100 palavras por minuto ― o que é, em média, muito mais rápido do que qualquer pessoa pode digitar em um smartphone.

Elon Musk também está na corrida dos BCIs, e anunciou um investimento de US$ 27 milhões na startup Neuralink, um empreendimento com a missão de desenvolver um BCI que melhora a comunicação humana à luz da inteligência artificial. O desejo de Musk com esse projeto é que os humanos se tornem totalmente capazes de controlar máquinas à distância, além de ter outras funções computacionais direcionadas para dentro do cérebro, como tocar um player de música. Diferentemente do BCI do Facebook, o projeto da Neuralink seria implantado cirurgicamente no cérebro dos usuários.

Outro exemplo de inovação no setor é a Startup francesa NextMind, que desenvolve um dispositivo de interface cérebro-computador vestível e não-invasivo que analisa os sinais neurais das pessoas e os transforma em comandos em tempo real para computadores, celulares ou configurações de jogos de realidade virtual. A solução deles utiliza rede neural artificial e aprendizado de máquina para estabelecer sinergia humano-digital.


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