A visão de futuristas globais sobre re-inovação e transformação das empresas - WHOW
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A visão de futuristas globais sobre re-inovação e transformação das empresas

Saiba a perspectiva do futuro do trabalho, da incerteza e colaboração de futuristas globais. E veja um exercício para pensar em cenários futuros

POR Eric Visintainer | 25/06/2020 16h53

Futuristas globais discutiram o cenário dos negócios atuais e futuros, re-inovação, transformação das empresas e também as mudanças que a sociedade mundial deve enfrentrar nos próximos anos, durante o Brazil Futures Summit. O Whow! participou como apoiador do evento e traz na sequência os principais assuntos discutidos.

Confira, ao final desta matéria, um exercício para pensar em cenários futuros, com visões plurais.

Jaqueline Weigel, CEO da W Futurismo e organizadora do evento, abordou que o futuro sempre foi incerto e que estávamos em um mundo menos complexo, mas que agora com as mudanças mais rápidas, há necessidade do mundo ser um local mais livre, onde não há um discurso sobre padrões, e assim abrirá a possibilidade de se pensar em futuros plurais. Ela também alertou que os próximos dez anos são decididos agora.

“O jeito mais fácil é determinar um assunto da data presente e ver os fatores que se repetem e, a partir de hoje, como o futuro que vai acontecer, e se preparar para um futuro possível”, explicou a futurista brasileira. Jaqueline também explorou a noção de que ninguém tem controle sobre o que vai surgir, mas pode controlar o que se quer construir. E para isso, ela aconselha provocar as ondas que queremos e organizar os pensamentos para que não fiquem como um devaneio.

“A imaginação é mais importante do que a criatividade.”

Jaqueline Weigel, CEO da W Futurismo

Trabalho do Futuro

Já se percebeu no mundo que a Covid-19 balançou todas as estruturas de trabalho e para a especialista alemã em foresight e fundadora da Future Impacts Consulting, Cornélia Daheim, isso poderá permitir um salto para novas formas de trabalho, com foco em tendências de longo prazo para o trabalho de casa. Ela comentou que 25% dos alemães já atuam desta forma, mas que as empresas ainda são uma barreira a ser vencida.

“Metade dos empregadores não podem ajudar os colaboradores a trabalharem de casa. O ponto mais importante é cultural e não tecnológico. Não é ter o melhor comunicador e sim saber como nos conectamos”, comentou.

Cornélia ainda focou no aspecto dos líderes abraçarem as mudanças e novos estudos sobre o futuro do trabalho. “Decisões de cima para baixo não estão mais funcionando. As meta skills  (talentos que influenciam na melhora de outras habilidades) são essenciais para fazer isso acontecer. Redefina o seu papel e busque propósito, ao invés de controle e hierarquia.”

A futurista alemã expressou a necessidade por um sistema de salário base para todos e um aumento na qualidade e acesso ao ensino. “Para uma pessoa criar uma resiliência empregatícia, invista na educação e tenha outros planos de trabalhos e carreiras”, concluiu.

Jerome Glenn, CEO do projeto Millennium, o maior sistema de inteligência de futuros do mundo, apontou que um dos desafios globais que vamos encarrar será com a inteligência artificial.

“A inteligentecia artificial é mal interpretada. É preciso fazer uma distinção, entre a inteligência artificial direta, como dirigir um carro; a inteligência artificial geral, que pode interferir em todas as IAs diretas, pode solucionar novos problemas. As pessoas entrariam em pânico porque não sabemos quanto tempo levaremos para levar da IA geral para a super IA. A super IA gera os seus objetivos independentemente dos humanos, este é o grande problema”, explicou.

Mas devemos ficar nervosos? Jerome diz que sim. “Como futuristas pensamos que a IA geral deve demorar de 10 a 20 anos, principalmente para criar um sistema de governança. É preciso começar agora a fazer isso. A principal macro tendência para mim é a IA que vai crescer e se tornará uma IA geral”, disse.

“Teremos sensores nas nossas roupas e nano chips serão colocados em nós.”

Jerome Glenn, CEO do projeto Millennium

A incerteza e  hipercolaboração como novidades

O também alemão Gerd Leonhard, CEO da The Futures Agency, falou das questões éticas envolvendo a tecnologia e promoveu a reflexão se, como sociedade, será interessante a simbiose entre humanos e máquinas. “No momento não há uma máquina inteligente. Elas imitam o que fazer, mas não têm inteligência humana. Será que um dia ela poderá nos imitar? Provavelmente. Esta simbiose é possível, mas será que queremos isso? Será que ficaremos felizes em sermos super humanos?”

Gerd ainda diz que o novo normal não existe, será necessário sobreviver, colaborar, se adaptar e transformar as nossas vidas. “Vamos voltar para um mundo novo. Como futurista eu não faço previsões, mas eu sinto o que pode vir, através da intuição e sensação. Precisamos parar como egosistemas para desenvolver ecosistemas, criar impérios onde todos façam parte da construção”, comentou.

Assim como Cornélia, o CEO da The Futures Agency acredita na mudança do atual sistema econômico para o futuro, além do lugar garantido do trabalho de casa em nossas vidas. “Vejo uma mudança para o novo capitalismo, ele não pode ser só sobre o lucro, mas deve ser sobre as pessoas, prosperidade e o planeta. Temos que ter o objetivo coletivo de alcançar algo juntos. Na economia circular, tudo deve voltar, com o centro no ser humano e pensando no stakeholder e não apenas no shareholder”, disse. “Está claro que o teletrabalho será o novo normal. Prepara-se para trabalhar de casa, pois esta será a tendência em dez anos.”

“Vamos parar de perguntar o que o futuro vai trazer, não podemos prever o futuro. E vamos perguntar, qual é o futuro que eu quero? Nós criamos este futuro através das ações e inações.”

Gerd Leonhard, CEO da The Futures Agency

Mas é possível desenvolver uma estratégia no atual cenário de incertezas e para o futuro próximo? Segundo Riel Miller, head de estudos futuros na UNESCO, a melhor estratégia é não ter uma,. Ao invés, aprecie a mudança e seja aberto para novidades ainda desconhecidas. “O desafio é melhorar na apreciação do diferente. Não podemos acreditar em um universo sem incertezas. Há uma grande chance de um choque pandêmico e nós construímos uma arrogância e o desejo de colonizar o futuro.”  

1.Imagine o seu futuro pessoal ou da sua organização;

2.Como está neste momento (saúde pessoal ou financeira, relacionamento, receita, carreira);

3.Qual história você quer projetar em cinco anos?
Pense em um futuro provável, futuro plausível (aceitável), futuro que você tem medo e futuro desejável;

4.Teste-drive do futuro desejável
Crie uma imagem mental do que necessita para que o futuro desejável aconteça (junção da razão, com imaginação e emoção);

5.Imagine o futuro desejável e qual sensação vem ao seu corpo;

6.Crie uma memória deste futuro (pré-experiência)

fonte: Mauro Peres, fundador da Open Leaders


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