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Veja um método prático para criar a disrupção em indústrias de bilhões de dólares

Não importa o quão poderoso um negócio seja, sempre é possível criar uma inovação de valor que modifique os padrões estabelecidos. Saiba como

POR Jacques Meir | 18/03/2021 17h56 Arte Grupo Padrão (Flavio Pavan) Arte Grupo Padrão (Flavio Pavan)

Muitas pessoas acreditam ser tarde demais para iniciar um negócio na Internet ou criar uma nova indústria de bilhões de dólares. Jim McKelvey, cofundador da Square, empresa norte-americano que comercializa produtos de pagamento de software e hardware, fez as duas coisas: criou um negócio digital de bilhões de dólares.

No SXSW Online, ele conversou com James Altucher, investidor, empreendedor e âncora do show que leva seu nome para falar sobre seu livro, “The Innovation Stack,” um guia para orientar não apenas o crescimento que todas as empresas buscam, mas também para pensar sobre a disrupção possível, a partir da experiência de McKelvey como empreendedor.

No entender do cofundador da Square, sempre há novos negócios de bilhões de dólares para começar em cada setor. Sempre há indústrias entrincheiradas para serem “disruptadas”. O livro  traz uma metodologia e um roadmap para ajudar executivos e negócios a navegar no terreno de constante mudança do empreendedorismo competitivo.

A premissa da metodologia é aprender a mitigar os riscos, criar novas ideias e novos negócios de bilhões de dólares. A conversa, repleta de insights, mostrou como cultivar um DNA da inovação e adotar ferramentas voltadas para o sucesso.

A proposta de McKelvey é de romper com negócios de bilhões de dólares uma ideia de cada vez. A empresa dele é considerada uma das mais inovadoras que surgiu no mercado financeiro norte-americano nos últimos 30 ou 40 anos. Em um panorama dominado por algoritmos, bitcoins e criptomoedas e fintechs em série, ele conseguiu um feito o que o encoraja a afirmar que há sim, espaço para inovar.

O empreendedor também contou que, antes de fundar a Square, todas as ideias já tinham sido criadas. Mas isso se deve, segundo ele, à nossa tendência de “copiar” bons negócios. E o mercado está repleto de cópias que funcionam bem, mas que não provocam disrupções. É mais simples e confortável copiar modelos bem-sucedidos.

Convidar mais pessoas para a festa

Claro, copiar é sempre uma alternativa de resolver algum tipo de problema, mas por que não enfrentar o medo, uma das reações mais humanas, como alavanca para a inspiração? A Square, assim como a Stone no Brasil, buscou democratizar o acesso às mais diversas formas de pagamentos eletrônicos, incluindo cartões.

McKelvey teve a ideia de criar a sua empresa justamente sentindo a dificuldade em aceitar um Amex, pelas altas taxas cobradas. Foi o que o motivou a acreditar que mais pessoas poderiam ter acesso e participarem do mercado de forma mais profissional. O raciocínio foi o mesmo que inspirou Herb Kelleher a criar a Southwest Airlines, para “convidar mais pessoas para a festa”.

Essa é uma ideia poderosa para criar inovações: romper as fronteiras e limites que impeçam mais pessoas de terem acesso a mercados, produtos e serviços. São modelos que normalmente criam desconforto e confrontam negócios estabelecidos, os incumbentes. E o uso da tecnologia é um pilar essencial para executar visões disruptivas.

McKelvey ainda ressaltou que é sempre inspiracional olhar para a base do mercado. Em algum ponto, cada indústria específica deixa de atender a uma grande quantidade de pessoas, que são simplesmente ignoradas em seu potencial de consumo. Ou seja, negócios olham para o potencial de mercado de modo limitado.

A premissa é perceber que é possível construir sistemas que trafeguem à margem das empresas incumbentes e criem alternativas que permitam acesso à mercados não inteiramente atendidos. Foi exatamente essa percepção que levou à criação da Square, uma plataforma que não se conectou aos bancos inicialmente justamente para se tornar acessível a quem considerava os produtos existentes distantes da própria realidade.

Uma disrupção real não pode ser confrontada por cópias

Essa reflexões levaram McKelvey a questionar o porquê a maior parte das startups falham. “Por que é tão difícil criar mais Amazons que tornem o mercado mais competitivo e repleto de alternativas?”, indagou durante a palestra online.

Normalmente, as empresas de sucesso nascem da “epifania”, da descoberta, que o empreendedor teve ao sofrer com uma dor de mercado. A história do empreendedorismo mostra que a inovação é quase sempre criada quando uma pessoa sente uma dor, sofrendo na pele com um serviço medíocre e se motiva a criar um negócio distante de sua realidade.

O próprio McKelvey não entendia nada de pagamentos antes de criar a Square, como Kelleher nada sabia de aviação ou Ingvar Kamprad, fundador da Ikea, pouco conhecia o mercado de móveis. Ter a mente aberta e a humildade de observar onde há oportunidades de inovação é um talento que pode ser exercitado.

Em sua trajetória, a Square foi confrontada pela Amazon e conseguiu superar a ofensiva da Big Tech, mantendo seu negócio em curso.

Em 2014, seu negócio era muito simples: ofertava um pequeno leitor de cartão branco e bacana, cobrava 2,75% de taxa pelo serviço dos lojistas, pequenos comerciantes e prestadores de serviço e, assim, construiu um grupo feliz de pequenas empresas usuárias. A Square sequer tinha atendimento ao cliente ao vivo e quase nenhum orçamento de publicidade.

E, então, um belo dia, a temível Amazon trouxe ao mercado uma cópia do hardware da Square e uma redução de 30% da taxa cobrada pela startup. E após centenas de reuniões, o que a Square fez para reagir à investida Amazon sobre seu mercado? Nada, literalmente, nada.

O design “bacana” da Square, sua simplicidade, autenticidade e despojamento funcionaram como barreira de entrada. Um ano depois, a Amazon retirou seu dispositivo do mercado.

A lição

O empreendedor afirma que negócios disruptivos não devem se impressionar com a investida de oligopólios ou empresas multibilionárias. Bons negócios, bem gerenciados, conseguem sempre se manter saudáveis se não cederem à tentação de mudar de estratégia a cada soluço do mercado.

Ele acredita que há inúmeras oportunidades para todo empreendedor que olhar para a base do mercado. “O andar de cima está ocupado e repleto de competidores. Há muito dinheiro e dores que precisam ser resolvidas quando olhamos para a base, para os segmentos que as empresas não conseguem atender, por falta de capacidade de inovação”, defendeu.

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