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Veja os próximos passos da inovação no Brasil

Em homenagem ao Dia Nacional da Inovação, especialistas comentam sobre as tendências para os próximos anos em startups e grandes empresas

POR Carolina Cozer | 20/10/2020 16h30 Imagem: Jarmoluk (Pixabay) Imagem: Jarmoluk (Pixabay)

Na última segunda-feira (19) foi comemorado o Dia Nacional da Inovação. A data anual foi sancionada em 2010 e presta homenagem ao desenvolvimento tecnológico, científico e econômico do Brasil.

Mesmo com as adversidades ocasionadas pela pandemia de coronavírus, o ecossistema brasileiro de inovação continua em pleno desenvolvimento. 

Segundo José Muritiba, Diretor-executivo da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), estamos no melhor e mais maduro estágio desse ecossistema. “Temos empreendedores mais bem preparados, soluções mais assertivas, mercado de forma geral buscando se relacionar entendendo que startups são uma realidade e sua respectiva importância”, diz ao Whow!

Os demais atores do ecossistema de inovação também seguem fortalecidos no Brasil, como as aceleradoras, investidores-anjo, imprensa específica e até mesmo a presença de maiores fundos de investimento internacionais, assim como maior abertura e acesso a mercado, compartilha Muritiba.

Startups e o PIB do Brasil

Se a inovação e a disrupção são o futuro dos negócios, as startups desenvolvem um papel importantíssimo no crescimento econômico onde estão inseridas. 

De acordo com a Radiografia do Ecossistema Brasileiro, da ABStartups, o Brasil possui, hoje, mais de 13 mil startups, sendo 40% delas com mais de 5 funcionários. “Se cruzarmos esses dados, já temos mais de 50 mil empregos gerados”, comenta Muritiba. “Uma pesquisa recente da Gama Academy mostrou que existem 2.849 vagas abertas em 352 startups de todo Brasil. Em termos econômicos, temos cada vez mais cases de sucesso, gerando empregos e renda no país”, acrescenta, citando o case da WeWork, que estima contribuir com R$ 1,2 bilhão ao PIB da cidade de São Paulo.

Inovação em múltiplos setores

Conforme citado pelo Diretor-executivo da ABStartups, a inovação não é posse exclusiva das startups. 

No Grupo Stefanini, multinacional do setor de software, a inovação está presente em todos os setores, desde o atendimento à entrega final dos produtos. E em 2021, a empresa pretende consolidar seu ecossistema de plataformas em diferentes temas, para poder dar mais suporte às jornadas de negócio dos clientes.

“Na Stefanini trabalhamos fortemente no passado em montar diferentes soluções, especialmente orientadas na jornada de serviços financeiros; hoje estamos consolidando nossa capacidade de inovar em temas como varejo, logística, indústria e setor de saúde”, conta Mary Alejandra Ballesta Estrada, Diretora Global de Inovação e Negócios Digitais do Grupo Stefanini.

Ainda em 2020, a Stefanini investe no fortalecimento das estratégias de inovação aberta para completar o sistema com as empresas do Grupo. “Acreditamos que o poder da cocriação é fundamental para alcançar a inovação”, diz a Diretora.

“No Brasil, se enxerga um ecossistema de atores de inovação cada vez mais rico, mais complexo, que requerirá de todos nós do mercado uma alta capacidade para colaborar entre os atores”

Mary Alejandra Ballesta Estrada, Diretora Global de Inovação e Negócios Digitais do Grupo Stefanini

Inovação Foto: Ramón Salinero (Unsplash)

Economia circular

“A pandemia nos deixou uma mensagem clara: a necessidade de praticar um consumo mais consciente, que privilegie e economia local a partir  de uma economia global vantajosa. As pessoas irão consumir mais próximo de casa e de produtores menores, e isso significa maior acesso a comprar a partir de marketplaces, cidades com mudanças radicais de infraestrutura e mobilidade, assim como hábitos de consumos modificados.”

Bem-estar e saúde

“Há alguns anos, era possível ver um movimento a prevenção da saúde a partir de um cuidado mais preventivo e de uma visão de bem-estar. Hoje, mais do que nunca, e com a instalação da telemedicina e potenciais novas soluções digitais para o cuidado pessoal da saúde, olharemos um consumo de bem-estar self-service, alavancado a partir de hubs de soluções de saúde, wellness e mindfullness.

Operações cada vez mais eficientes

“A crise mundial reduz cada vez mais as receitas. Existem muitas oportunidades de crescer em alguns segmentos, outros foram altamente impactados, mas ainda os que crescem devem considerar um cenário econômico completo, com margens cada vez mais estreitas e que requer muita disciplina para a redução de custos e a sobrevivência. Veremos uma intensificação da automação, a adoção de processos cada vez mais enxutos e a capacidade de repensar todo o modelo operativo, buscando uma cadeia de valor de maior efetividade.”

Finanças para todos

“A democratização dos serviços do setor financeiro é um fato. Também veremos uma grande cobertura nesse tipo de serviços a partir do novo contexto de Open Banking, PIX e especialmente de todo o movimento de super plataformas que estará imerso no nosso dia a dia nos oferendo serviços financeiros customizados e ao alcance das nossas mãos.”

LGPD

“A proteção de dados não só levará as empresas a pensarem melhor em formatos para garantir a segurança dos dados dos seus clientes, como também para usá-los cada vez mais com responsabilidade e eficiência. Ganhará muito valor tudo o que tem a ver com a gestão e inteligência de dados na visão de relacionamento e uso.”

Whow Festival 2020 Arte Grupo Padrão

Inovação nas estradas

A TruckPad, uma das principais startups do setor de logística do Brasil, se prepara para entrar em 2021 inovando nos meios de pagamento digitais. “O tema de pagamento de fretes para motoristas empreendedores ― os caminhoneiros ― ainda é muito informal”, conta Carlos Mira, fundador e CEO da empresa. “De fato, é algo que já começamos a inovar neste ano, quando fizemos diversos testes práticos. Para 2021, o tema será a nossa grande aposta”, diz.

A inovação sempre esteve presente no DNA do TruckPad, que é uma startup graduada pelo StartOut Brasil. “Participamos de dois ciclos de internacionalização e tivemos contato com importantes agentes do ecossistema de destino, além de receber mentorias e treinamento de pitch”, conta o CEO.

Os veículos autônomos, drones e robôs de entrega devem entrar nas pautas de inovação do setor no próximo ano. “Os veículos conectados já são uma realidade no Brasil, e nós acreditamos no compartilhamento para que não existam muitos caminhões rodando ociosos e vazios, ganhando em produtividade e otimização do tempo nas estradas e nos centros urbanos”.

Para Mira, as empresas devem considerar o crowdsourcing como tendência para a inovação nos próximos anos. “O crowdsourcing  nada mais é do que uma rede de contribuição coletiva que visa um objetivo em comum, como é o caso dos veículos compartilhados e da rede que o TruckPad criou entre as empresas e os caminhoneiros”, coloca.

Sob a ótica da logística, a grande digitalização das estradas vai acontecer por meio das carteiras digitais, além dos veículos autônomos, elétricos e compartilhados”

Carlos Mira, fundador e CEO da TruckPad


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