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“Vazio do setor público será ocupado por capital privado”, diz Cietec

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O Brasil experimenta mudança importante nas diretrizes de desenvolvimento tecnológico e da inovação, com a substituição gradual do dinheiro público pelo capital privado. Em quatro anos e meio, os investimentos públicos em educação caíram 56%, com redução de R$ 11,3 bilhões por ano em 2014 para R$ 4,9 bilhões ao fim de 2018. A estimativa para 2019 será de mais uma redução, para R$ 4,2 bilhões, segundo o MEC.

Com cortes no orçamento público para pesquisa e desenvolvimento, as grandes empresas têm ocupado o espaço vazio. Sergio Risola, diretor-executivo do Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia da USP), destaca, porém, que as startups que quiserem atrair o capital privado precisarão adequar seus processos à dinâmica das grandes corporações. Leia a entrevista na íntegra:

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WHOW!: QUAIS AS PRINCIPAIS DIFICULDADES QUE O ECOSSISTEMA DE INOVAÇÃO APRESENTA NO BRASIL?
SERGIO RISOLA: Ainda existe um fosso entre a maneira como as grandes empresas estão pensando a inovação a partir da anexação de startups ao ambiente delas e a maneira como as startups imaginam suas ações dentro dessas grandes empresas. Se as startups se preocuparem em agir apenas do jeito delas, não vai dar casamento. É preciso arrumar esse gargalo se quiser haver inovação. E isso começa no professor, na universidade, orientando alunos para que se dediquem à inovação.

W!: HÁ INICIATIVAS HOJE PARA REDUZIR ESSA DISTÂNCIA ENTRE O QUE QUEREM AS EMPRESAS E AS STARTUPS?
SR: De uns dez anos para cá, os professores universitários estão mostrando que as matérias de empreendedorismo e inovação são mal compreendidas desde a escola. Existe a dificuldade de mostrar para um aluno os mecanismos de apoio à educação que o País tem. NA FIESP, onde eu tenho um acento, nós estamos convidando empresas e universidades a ampliar o diálogo. Recebemos lideranças da UNESP, UNICAMP e USP, inclusive com a presença do seu ex-reitor, o professor Marco Antonio Zago, para uma reunião com empresários.

W!: QUAL O PAPEL DO PODER PÚBLICO NO FOMENTO À INOVAÇÃO?
SR: Os mecanismos de apoio e de subvenção são alavancas fundamentais. As histórias das startups que viraram as maiores empresas do mundo, como Facebook e Google, e todas as outras grandes de hoje, 

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nasceram a partir do destino de recursos públicos, que foram direcionados nos primeiros anos da vida dessas empresas. Mais do que o dinheiro público, é preciso políticas públicas voltadas à inovação. Depois disso, entra o dinheiro privado.

W!: COMO O PODER PÚBLICO TEM IMPULSIONADO AS AÇÕES DA CIETEC?
SR:  As empresas que se instalam no CIETEC são grandes recebedoras de dinheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, (FAPESP), que é nossa mãezona. A cada dez projetos protocolados, oito ganham dinheiro, porque a ideia é boa, tocada por boas pessoas, com projetos bem feitos. A FAPESP sabe também que nós somos fiscais, olheiros preocupados com a boa aplicação do dinheiro público. E quando a empresa já recebeu esse primeiro acelerador de recursos do governo, facilita muito o segundo tempo, que conta com o dinheiro privado. Esse dinheiro privado sempre vem atrás, garimpando negócios.

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“Mais do que o dinheiro público, é preciso políticas públicas voltadas à inovação. Depois disso, entra o dinheiro privado”

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W!: OS CORTES NAS BOLSAS E NOS GASTOS PÚBLICOS COM EDUCAÇÃO IMPACTAM O DESENVOLVIMENTO DA INOVAÇÃO NO CIETEC?
SR: Impactam, sim. O dinheiro do CNPQ é público e canalizado para bolsas, para a academia e o empresário. Quando essa bolsa, que é de R$ 2 mil a R$ 5 mil, é cortada, a gente fica sujeito às migalhas. E são quase 5 anos de redução dessas bolsas. À medida que esses recursos públicos deixam de ser direcionados às startups, o ecossistema de inovação sente.

W!: QUAL O IMPACTO DESSE ENXUGAMENTO NA PRÁTICA?
SR: Tínhamos 120 empresas e perdemos 20 delas num período de 2 anos. Tem a ver com os cortes na Educação, mas também a ver com o momento econômico, que dificultou muito as coisas. Somado a isso, o PIB da indústria vem caindo. Algumas startups chegam no Cietec, mas não têm o oxigênio necessário para decolar. Sem as bolsas, esse oxigênio fica cada vez mais rarefeito.

W!: O SETOR PRIVADO VAI CONSEGUIR SUPRIR O ESPAÇO QUE O SETOR PÚBLICO TEM DEIXADO COM A REDUÇÃO DO BNDES, A PEC DO TETO DE GASTOS E OS CORTES NAS UNIVERSIDADES?
SR: A cada semana, o Cietec traz uma grande empresa para dentro, abrindo o leque dos negócios. As grandes empresas passaram a adotar a startup como complemento delas. Esse vazio que existe da área pública será ocupado pelo capital privado, por meio das PPPs. Essas empresas privadas estão saindo do quadrado delas e, finalmente, inovando. Mesmo o setor de construção civil, por exemplo, que sempre foi avesso à inovação, está tirando o atraso e nunca tantas startups se relacionaram com esse setor.

W!: COMO ESTÁ ACONTECENDO ESSA ABERTURA AO SETOR PRIVADO?
SR: Nós aqui no Cietec mudamos nossa mentoria por conta da dinâmica que o setor privado apresenta, de maior urgência. O timing mudou. O mundo está correndo, mas o empresário corre mais. E, por isso, o tempo da startup precisa ser outro. O Cietec está se preparando para esse momento, correndo com mentores de cabeças modernas e se misturando com as empresas para levar à sociedade as coisas que ainda não estão nos livros. Ao trazer um executivo para fazer mentoria, não apenas educamos os empreendedores, mas a empresa está aqui garimpando soluções para ela. É um jogo de ganha-ganha.[/vc_column_text][vc_column_text]

“As grandes empresas passaram a adotar a startup como complemento delas. Esse vazio que existe da área pública será ocupado pelo capital privado, por meio das PPPs”

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