O valor das pessoas nas startups e o papel das HRTechs - WHOW
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O valor das pessoas nas startups e o papel das HRTechs

Saiba porque a valorização dos funcionários é o recurso mais importante de um empreendimento, e como ele pode ser o ponto crucial do sucesso de uma startup

POR Carolina Cozer | 16/10/2019 16h39 O valor das pessoas nas startups e o papel das HRTechs Foto (Shutterstock)

Com poucos funcionários e muito trabalho a ser feito, startups em estágios iniciais muitas vezes deixam de lado um recurso essencial que pode ser a chave para alavancar as operações: o capital humano.

De forma resumida, o capital humano é a soma de conhecimentos, habilidades, experiências, inteligências e treinamentos de um indivíduo ou grupo em uma empresa. É a matéria-prima que produz valor econômico e que, se bem conduzidas, elevam o empreendimento ao seu objetivo máximo.

Segundo a Startup Secrets, organização sem fins lucrativos dedicada a capacitar empreendedores, muitos empresários não entendem, ou não valorizam, a noção de que todo o sucesso da empresa está na mão de seu pessoal, e que tratar a todos com o devido valor é essencial para que esse sucesso seja consolidado.

Chave para o sucesso

Startups são empreendimentos ágeis, dinâmicos e que buscam crescimento acelerado, características que, muitas vezes, podem parecer incompatíveis com as burocracias infinitas dos setores de RH. Contudo, ignorar por completo estratégias dessa natureza pode ocasionar falhas severas no futuro da empresa.

De acordo com uma pesquisa publicada pela Entrepreneur, 23% dos novos negócios fracassam porque não têm equipes corretas. E ter a equipe certa não significa, exclusivamente, ter um time com os melhores talentos do mundo, mas sim que esses talentos estejam felizes, motivados, conciliados com a cultura da empresa e queiram fazer parte do processo. Negócios que não conseguem reter seu pessoal não retém a si mesmos no mercado.

pessoas Foto Geralt (Pexels)

“A imagem do empreendedorismo é retratada pelo mito do gênio solitário em sua garagem, criando o futuro, mas a realidade é que as startups exigem fortes redes e parcerias para expandir seus negócios. Startups não dispõem de todos recursos de que necessitam internamente, por isso, é vital que elas possam desenvolver essas parcerias se quiserem crescer”

Jan Kubalik, CEO do DEX Innovation Center para a Forbes

Startups, no fim das contas, são um negócio de pessoas: cada contratação é um fio na grande malha que compõe uma ideia e colaboram com uma finalidade em comum.

Mais importante que dinheiro

A Startup Secrets ainda aponta que o capital humano é o mais importante de uma startup. Mais do que o fluxo de caixa, investimentos e gastos; as equipes são o recurso mais valioso, e talvez o mais difícil de se administrar.

A desarmonia em equipes também é citada pela Entrepreneur como uma das maiores razões pelas quais as startups falham. Como a maior parte dos novos empreendimentos não possui profissionais de RH, acabam confiando exclusivamente na visão e nas habilidades do fundador. De fato, pode não ser possível ter uma equipe completa de RH nos estágios iniciais, por isso, é essencial que o CEO e todos os gestores de equipe desenvolvam o máximo de habilidades de empatia e inteligência emocional.

A Entrepreneur afirma, ainda, que ótimos índices de retenção de funcionários são um sinal das boas capacidades de um gestor, já que é possível prever e trabalhar em cima de padrões da indústria – mas humanos não seguem padrões, e não podem ser hackeados.

pessoas Foto (Shutterstock)

Veja a seguir pontos essenciais para a gestão de pessoas, segundo artigo da Entrepreneur:

1. Valorizar o potencial dos funcionários – não importa se a startup vai ter 1 ou 100 contratados, a noção de grandeza é determinada pela própria cultura da empresa. Contratos de trabalho formais, benefícios, bom salário, integração e uma imagem clara das responsabilidades são o mínimo para fazer um futuro funcionário feliz. Contratar um advogado que resolva as burocracias necessárias pode custar caro para negócios iniciantes, mas na maioria das vezes, acaba não sendo tão caro quanto não fazer nada disso.

2. Focar na retenção – montar a equipe ideal é um desafio, mas depois que ela está pronta, é um trabalho contínuo para que eles continuem se sentindo felizes e não queiram sair da empresa. Não existe um processo universal para manter todos satisfeitos, e cada indivíduo é motivado por coisas diferentes, mas mesmo empresas que ainda causam pouco impacto podem buscar meios de oferecer treinamentos, possibilidades de crescimento e, principalmente, tirar os funcionários da massa operacional e incluí-los em tarefas orgânicas. Isso faz com que eles se sintam importantes, criativos e envolvidos com o desenvolvimento do produto.

3. Abrir a cabeça no ciclo de feedbacks –  a comunicação tem o poder de elevar ou quebrar o potencial de uma equipe. É uma manobra delicada, mas o espaço para que os funcionários possam expressar suas opiniões nunca pode ser deixado de lado. E não basta apenas deixá-los falar, mas ouvir e abraçar as suas dores é essencial. Ignorar o que os funcionários dizem, ou punir aqueles que não falam exatamente o que você gostaria de ouvir, fará com que eles se expressem cada vez menos, guardem incômodos para si e ocasionalmente queiram sair. Processar com carinho o feedback recebido pelos funcionários é uma promessa que, se você quebrar, você pagará por ela.

O artigo da Startup Secrets complementa essa informação:

“Trabalhe com pessoas que o desafiam e o fazem crescer. Não basta contratar pessoas que concordam com você; em vez disso, contrate pessoas que vão se opor a você para melhorar toda a sua empresa”

pessoas Foto Christina Morillo (Pexels)

Soluções tecnológicas para Recursos Humanos

Empresas estão apostando cada vez mais em soluções que envolvem machine learning e inteligência artificial para os processos de recrutamento e seleção (R&S). Uma das startups brasileiras que é líder em oferecer esse tipo de serviço é a Gupy, desenvolvedora de um sistema que automatiza processos de R&S, para que empresas minimizem erros de contratação e sejam mais eficientes em menos tempo.

O algoritmo da plataforma faz uma leitura das principais características dos funcionários mais bem sucedidos da firma, e, a partir disso, gera estatísticas de qual candidato tem mais probabilidade de ficar e crescer na empresa, caso contratado. O sistema da Gupy tem grandes nomes entre seus cases de sucesso, como Lojas Americanas, Banco C6, Petlove, Renner, Vivo e Kraft-Heinz.

A Pin People é uma HR Tech residente do Cubo Itaú que também fornece recursos que usam inteligência artificial para a contratação de colaboradores.

Sua plataforma utiliza IA, ciência de dados e psicologia para cruzar informações e fazer a gestão completa da experiência dos funcionários, desde o momento do recrutamento até à saída da empresa. Segundo Frederico Lacerda, um dos sócios da Pin People, as empresas estão cada vez mais abrindo os olhos para o fato de que um RH bem sucedido envolve muito mais análise de dados e muito menos soluções intuitivas.

No mercado internacional, a PILOT é uma HRTech nova-iorquina que tem chamado atenção ultimamente. Vencedora do HRTech Pitchfest de 2019, a empresa possui uma plataforma SaaS de treinamento e consultoria para capacitar talentos e melhorar a felicidade no ambiente de trabalho, sendo um serviço de baixo custo e que utiliza analytics para gerar relatórios que comprovam seu impacto.

Entre os clientes da PILOT estão a MetLife, Pinterest, Kargo, Cadillac e CBS, e tem um grande foco em capacitar colaboradores com perfil de diversidade e inclusão.


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