Vale a pena usar o serviço de entregas do Uber no seu negócio? - WHOW

Eficiência

Vale a pena usar o serviço de entregas do Uber no seu negócio?

Uber expande seus serviços para entregas via motoboys e entra neste mercado com valores competitivos.

POR Redação Whow! | 07/10/2021 12h07

O Uber começou a oferecer, desde terça-feira (5), um serviço de entregas de encomendas realizadas por motociclistas em São Paulo, Rio de Janeiro e dezenas de cidades no país. O serviço, chamado de Flash, já existia anteriormente, mas era restrito a entregas feitas por carros.

Com a expansão para o uso de motocicletas, a empresa busca abocanhar uma parcela ainda maior do setor de transportes e de logística, que é a última milha, em especial para quem precisa de agilidade nas entregas. 

A entrada do Uber nesse setor é significativa por várias razões. Embora existam serviços de origem nacional que ofereçam o mesmo serviço, a empresa já tem tecnologia estabelecida para a logística, incluindo a possibilidade de rastrear os veículos ao longo do trajeto; conta com o know-how obtido ao longo de anos na liderança no transporte de passageiros; e o reconhecimento da marca Uber como garantia de cumprir prazos e ter sempre profissionais à disposição. Estas características já posicionam a empresa como um forte concorrente e a tendência é que os demais players deste setor tenham que continuar evoluindo para fazer frente. 

Valores competitivos

Para dar uma ideia dos valores cobrados, fizemos testes no aplicativo do Uber e no seu principal concorrente, a Loggi, na cidade de São Paulo. Os resultados foram os seguintes:

Trajeto 1 – Pegar a encomenda na Praça da Sé, 30, e levar até a Avenida Heitor Penteado, 1393 (7,3 km de distância).

Uber – R$ 15,64 – 30 min para entrega

Loggi – R$ 24,54 – 22 min para entrega

Trajeto 2 – Pegar a encomenda na rua Tagipuru, 795 (no Espaço das Américas, na Barra Funda) e levá-la até a rua Cabo José Teixeira, 189 (hospital em Guaianases) – Distância de 39 km

Uber – R$ 50,83 – 1h10 min para entrega

Loggi – R$ 96,12 – 49 min para entrega

Trajeto 3 – Pegar a encomenda na Av. Paulista, 900, e levá-la até a rua Tuiuti, 1981 (no Tatuapé) – Distância de 10 km

Uber – R$ 17,43 – 34 min para entrega

Loggi – R$ 30,58 – 26 min para entrega

O que podemos notar, de forma clara, é que o Uber tem preços mais atrativos, enquanto o Loggi garante uma entrega mais rápida.

Caso você esteja procurando  pelo serviço mais barato, o Uber garante o melhor preço e faz a entrega em um prazo razoável. Se você precisa fazer uma entrega o mais rápido possível e o preço não é um problema, escolha a Loggi.

Cabe considerar, no entanto, que o Uber pode estar oferecendo preços especiais no momento em que está lançando o seu produto, com o intuito de atrair mais consumidores neste primeiro momento. Isso não significa, necessariamente, que esses preços serão definitivos. 

Também é possível imaginar que a empresa poderá adotar, em algum momento, preços dinâmicos, como acontece com as corridas com passageiros. Isto tornaria bem mais imprevisível o orçamento para o empreendedor. 

Motoboys fixos ou serviços de apps, qual a melhor opção?  

Considerando que o salário médio de um motoboy na cidade de São Paulo fica em torno de R$ 2100, pode ser vantajoso para o pequeno ou médio empreendedor contar com um profissional fixo em muitas situações. 

A primeira vantagem, e mais evidente, é no caso de o serviço de entregas estar plenamente associado com a atividade que a empresa realiza, como no caso de pizzarias, por exemplo. É uma questão de entender que, se a logística faz parte do core do negócio, pode ser melhor internalizá-la na operação. 

No caso de serem feitas duas ou três entregas por dia, vamos ver como ficariam os valores finais pagos via Uber e a um profissional fixo. Supondo que todo dia você faça 3 envios para regiões diferentes da cidade, como aqueles três trajetos que citamos acima, você gastaria R$ 83 ao final do dia usando o serviço do Uber.

Multiplicando por 22, (número de dias úteis em um mês) no final dos mês essas entregas diárias somariam R$ 1826. 

Ou seja, já ficaria mais barato do que pagar o salário de um motoboy, sem contar os inúmeros outros valores de um contrato CLT. Caso a contratação fosse como PJ, claramente também compensaria pois o valor gasto não chegaria nem perto do valor médio de um salário deste profissional.

A contratação via PJ pode ser vantajosa, no entanto, se o número de entregas que o seu negócio realiza for bastante numeroso.

Se em vez de três entregas por mês o seu negócio fizesse nove para os destinos aleatórios que traçamos, isso levaria a um valor de R$ 250 ao fim do dia. Em um mês, esse valor alcançaria R$ 6 mil, o que não compensaria em nenhuma situação, seja CLT, seja PJ ou a modalidade que for. Com uma demanda que mantém o motoboy ocupado por no mínimo cinco horas diárias, ter um profissional fixo com certeza é o mais indicado.

Por último, é importante ressaltar que, além do preço, é preciso considerar questões de tecnologia e inteligência para a logística que já vêm embarcadas nos serviços de aplicativos. Por exemplo, o cliente poder acompanhar o trajeto do entregador ou a própria geração automática de rotas eficientes. Nesse sentido, caso o empreendedor opte por contratar um entregador próprio, talvez precise também assinar um software de logística que ajude a organizar essa parte da operação.