Milhares de bebês podem ser salvos por dispositivo: Útero artificial - WHOW
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Milhares de bebês podem ser salvos por dispositivo: Útero artificial

Desenvolvido por cientistas holandeses, ele reproduz as condições do útero materno e pode ajudar recém-nascidos extremamente prematuros

POR Luiza Bravo | 19/11/2019 18h00 Milhares de bebês podem ser salvos por dispositivo: Útero artificial Foto (PXHERE)

Uma gestação humana dura, em média, 40 semanas. Este é o tempo que o bebê leva para desenvolver e amadurecer todos os órgãos essenciais à sobrevivência “aqui do lado de fora”. Quando o nascimento acontece antes do previsto, pode haver complicações. Atualmente, a única tecnologia disponível nos hospitais para prematuros são as incubadoras, que funcionam como uma espécie de aquário, onde a temperatura é controlada, os bebês recebem nutrientes e ficam protegidos de vírus e bactérias. Ainda assim, muitos nenéns nessas condições acabam não resistindo.

Tecnologia que pode salvar vidas

Foi pensando nos recém-nascidos que, pesquisadores da Holanda começaram a desenvolver uma espécie de útero artificial externo, onde os prematuros podem terminar de se desenvolver. O dispositivo funciona como um balão, que é preenchido com água e vários tipos de sais minerais, e conectado a uma placenta, também artificial.

O projeto prevê que o bebê seja colocado lá dentro imediatamente após o parto, continue recebendo nutrientes e oxigênio pelo cordão umbilical e só seja retirado depois de quatro semanas, em um “novo parto”. O dispositivo ainda está em fase de desenvolvimento, e deve levar pelo menos cinco anos até que os testes comecem a ser feitos com bebês humanos.

O especialista em medicina fetal Antônio Moron explica que, nem todos os prematuros correm riscos iguais. Segundo ele, os bebês nascidos antes do previsto se dividem em três categorias: prematuros tardios (nascidos entre 34 e 36 semanas), precoces (entre 29 e 35 semanas) e extremos, que são aqueles nascidos com até 28 semanas de gestação.

“Normalmente, as condições de sobrevivência existem a partir de 25 semanas, dependendo da infraestrutura. Mas nesse grupo que nasce entre 23 e 28 semanas as complicações são muito altas, e o risco de morte, também”, diz.

Por ano, aproximadamente 15 milhões de bebês nascem prematuros em todo o mundo. Cerca de metade dos prematuros extremos morrem. O médico diz que, mesmo quando mulheres têm algum tipo de complicação durante a gravidez, o ideal é que se consiga adiar o parto até que o bebê esteja completamente formado, mas nem sempre isso é possível.

A principal vantagem do útero artificial para as incubadoras, de acordo com os desenvolvedores, é que, enquanto o útero artificial é preenchido com um líquido, a incubadora é preenchida com ar. O ginecologista Guid Oei diz que o ar machuca os pulmões em formação, o que torna a incubadora um ambiente inóspito para os bebês extremamente prematuros.

bebê Foto (Burst)

A médica Fernanda Rodrigues, que é especialista em reprodução assistida, diz que a invenção pode ser muito positiva para os prematuros não só pelo fato de aumentar as chances de sobrevivência. “É uma forma de mimetizar o útero humano, permitindo que o bebê receba todos os nutrientes e prolongue a experiência dentro da barriga. Vários estudos mostram que a experiência do bebê dentro da barriga ajuda no seu desenvolvimento após o nascimento.”

Já está pensando que essa pode ser uma boa forma de ter um neném sem precisar engravidar? Os médicos fazem um alerta. O útero artificial deve ser usado apenas par auxiliar no desenvolvimento dos prematuros, e não substitui o órgão humano, mesmo em casos de fertilização in vitro, por exemplo.


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