Uma pergunta de peso: a Internet é uma boa nutricionista? - WHOW
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Uma pergunta de peso: a Internet é uma boa nutricionista?

Há bilhões de respostas na web, porque hoje esse é um assunto muito importante. Profissionais da área dizem como filtrar o que é relevante

POR Adriana Fonseca | 10/11/2020 13h00

Ao digitar no Google alguns termos ligados à nutrição, os resultados trazem números que impactam. Quem fez esse rápido exercício foi Sergio Molinari, fundador da Food Consulting e participante de um painel sobre o tema no Whow! Festival de Inovação 2020 junto com André Piegas, sócio-fundador da Dietbox, e Tânia Rodrigues, sócia-diretora da RGNutri. 

Ao colocar na busca a frase “alimentação saudável”, apareceram 110 milhões de respostas. “Alimentos naturais”, 92 milhões, e “Nutrição”, 48 milhões. Diante de tanto conteúdo publicado, será que a Internet é mesmo uma boa nutricionista?

“Há bilhões de respostas na Internet, porque hoje é assunto muito importante”, diz Tânia, da RGNutri, consultoria especializada em nutrição com mais de duas décadas de mercado. “A internet democratiza a informação sobre nutrição e alimentação, pesquisadores divulgam suas descobertas, o que dissemina o conhecimento, mas, ao mesmo tempo, confunde as pessoas, porque há também orientações equivocadas.”

Alerta para os conteúdos de nutrição na Internet

O sócio-fundador da Dietbox, empresa que surgiu para facilitar o dia a dia no nutricionista oferecendo um software específico para esse profissional, relembra que a world wide web é uma ferramenta de comunicação. “O martelo faz um bom marceneiro? Não necessariamente, só se ele usá-lo bem. Então os profissionais de nutrição precisam usar bem a internet para que ela leve informações de qualidade”, compara. 

Segundo ele, tem muita gente querendo aparecer nas redes sociais e acaba colocando informações em benefício próprio, tanto empresas quanto pessoas. Em paralelo, ele diz, que há também muita informação legítima que leva a um maior conhecimento sobre o assunto. “Acho interessante ter essas informações disponíveis para discutirmos e chegar a um caminho adequado, que, muitas vezes, será chegar a um profissional de nutrição ou de uma outra área relacionada.”

Aliás, ele vê as publicações na Internet como uma forma de despertar na população a curiosidade para o tema da nutrição e alimentação saudável para que, depois, as pessoas busquem um nutricionista. 

“O público recebe muita informação sobre nutrição, mas como colocá-las em prática no dia a dia de forma factível para que se torne um hábito é um segundo passo”, diz Tânia. “É isso o que o nutricionista vai fazer: traçar uma estratégia que possa ser reproduzida no longo prazo para se tornar hábito.” 

Checagem das informações

De qualquer forma, há um desafio de educar a população para saber dissernir o que é informação qualificada do que não é. Isso passa, inclusive, por ensinar os nutricionistas sobre o tema ainda na faculdade. “É ensinar os nutricionistas a detectarem as melhores fontes de informação”, diz Tânia. “Como ser mais criterioso em relação à fonte. Assim como os jornalistas fazem, outros profissionais deveriam checar também, para não repassarem informação inverídica.” 

André pontua que a velocidade de postar nas redes sociais para fortalecer o nome e gerar conteúdo nem sempre é compatível com a questão da checagem da informação. “Precisa encontrar um equilíbrio. O profissional de nutrição precisa saber das fontes que são confiáveis para reproduzir esse conteúdo”, afirma. “É importante fazer com que as pessoas conheçam os canais mais confiáveis, como se fosse buscar um selo de qualidade para essa informação”, complementa Tânia.

Para concluir, O sócio-fundador da Dietbox recomenda a leitura do Guia alimentar para a população brasileira”, elaborado pelo Ministério da Saúde. “É uma fonte de informação, é um primeiro passo e tem estudo de comportamento do brasileiro por trás.”


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