Um modelo de negócio inovador no setor da música - WHOW

Eficiência

Um modelo de negócio inovador no setor da música

Empresa espanhola chegou ao Brasil há três anos desconhecida, e hoje representa nomes importantes do cenário nacional

POR Adriana Fonseca | 11/01/2021 10h00 Imagem: Unsplash Imagem: Unsplash

A indústria musical vem se reinventando ao longo dos últimos anos e uma das representantes dessa inovação é a espanhola Altafonte, que chegou no Brasil há cerca de três anos desafiando o modelo de negócios das “majors” do setor ao se tornar parceira dos artistas.

A empresa de música inverteu a lógica do “lion share”, dando 100% de liberdade artística aos artistas e oferecendo contratos mais justos, com prazos mais curtos aos autores. Na empresa os artistas são donos dos seus fonogramas.

Inovação na música

“A Altafonte nasceu do maior ‘label’ independente da Espanha, Boa, especializado em rap e hip hop. Há 25 anos no mercado, o selo criou sua própria distribuidora, a Altafonte, há cerca de oito anos, para atender seus próprios artistas. O modelo vem se adaptando constantemente para atender aos artistas e a outras gravadoras pelo mundo”, explica Alex Schiavo, Chief Artistic Office (CAO) para América Latina, Estados Unidos, Espanha e Portugal, ao Whow!. “Os contratos são flexíveis e moldados da maneira a atender esses clientes de forma transparente e justa.”

Com esse formato inovador de trabalho, a empresa consegue ter em seu “casting” nomes relevantes da música brasileira – alguns que antes estavam associados às “majors” – entre eles Gilberto Gil, Lenine, Racionais, Djonga, Criolo, Baco Exu du Blues e Duda Beat. 

Vale pontuar que, quando chegou ao Brasil, a distribuidora de música era completamente desconhecida por aqui. O marco do ponto de mudança foi o lançamento do álbum dos Tribalistas há três anos, que reuniu uma campanha inovadora com o Spotify e o Facebook. “A maior dificuldade foi gerar conhecimento e credibilidade como toda empresa nova independente”, diz Alex. “Desde que chegamos ao Brasil não paramos de crescer organicamente e acima do crescimento geral do mercado.”

Validação dos negócios com os colaboradores

música Imagem Eric Nopanen: Unsplash

Isso se deve, também, a um processo interno de trabalho diferenciado.

“Estabelecemos uma forte curadoria onde todos na Altafonte votam com quais artistas e gravadoras vamos trabalhar. Assim temos a segurança de que quem vai prestar o serviço no dia a dia tem uma verdadeira admiração e confiança no trabalho com os artistas e as gravadoras. Nossa visão é pela qualidade, longos prazos e um serviço cada vez mais próximo, apaixonado e humano”, conta o CAO da empresa

A companhia foi dividida no começo de 2020 em dois pilares: artístico e tecnologia, com a criação dos cargos de Chief Artistic Office e Chief Technology Office (CTO). “Isso mostra a grande atenção e prioridade ao artístico e à tecnologia”, comenta Alex. Somente neste ano e no começo de 2021, cerca de 30 novos profissionais dessas áreas estão sendo contratados em dez países.

A tecnologia, aliás, é uma frente relevante para a Altafonte. “A empresa se adapta trazendo cada vez mais serviços de tecnologia através do seu sistema que é acessado em tempo real pelos artistas e gravadoras onde mostra as receitas, pagamentos, gráficos de análises de vendas, marketing, entre outras muitas funções que são constantemente incorporadas a partir das demandas de nossos clientes”, explica o executivo. “Os formatos de contratos também mudam o tempo todo de acordo com as necessidades das gravadoras e dos artistas. A Altafonte pode dar adiantamentos que financiam até a totalidade da gravação, marketing, promoção e campanhas, entre outras necessidades, e pode também investir diretamente em marketing conjuntamente.” 

Na organização interna de trabalho, os departamentos jurídico, administrativo e financeiro, bem como o tecnológico, estão centralizados na Espanha, onde fica a sede da companhia. Localmente existe uma assessoria jurídica e contábil. Sendo assim, as equipes locais são enxutas e formadas por pessoas especializadas do mercado da música. 

Tudo isso contribui para que não seja necessária uma grande estrutura para que a operação funcione. É uma lógica mais moderna, ultilizada por empresas como o Spotify. 

Em 2020, a Altafonte cresceu quase 100% a sua equipe, de acordo com a empresa.


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