UAUBox: transformando o mercado da beleza com inovação e tecnologia - WHOW

Tecnologia

UAUBox: transformando o mercado da beleza com inovação e tecnologia

Guilherme Brunhole, CEO e fundador da UAUBox, revela como o modelo de negócio e os algoritmos da startup ajudam marcas e empoderam clientes

POR João Ortega | 04/11/2021 19h34

Clientes com mais autoestima e marcas com mais inteligência: essas são as propostas de valor da UAUBox, startup que foi fundada no início de 2018 pelo empreendedor Guilherme Brunhole. Trata-se de uma empresa que entrega, por meio de uma assinatura mensal, uma caixa de produtos de beleza selecionados especialmente para cada cliente. Do outro lado, os fabricantes dos cosméticos recebem feedbacks dos usuários. Tudo é feito com muita tecnologia, que é um pilar na jornada do empreendedor. 

O início da jornada empreendedora

Em entrevista exclusiva, Brunhole conta que cursava Ciências da Computação e trabalhava na área de dados e machine learning da Movile, empresa que controla o iFood, quando começou a empreender em paralelo. Na época, estudava bastante os algoritmos de recomendação, sistemas que identificam o gosto do usuário para recomendá-lo um produto ou serviço. É o que acontece, por exemplo, quando se navega na Netflix e os filmes apresentados para um usuário são diferentes daqueles mostrados a outra pessoa. 

Nesse sentido, seu objetivo era criar um negócio que tivesse como pilar fundamental a curadoria, ou seja, a personalização com base em tecnologia para recomendar bons produtos ao cliente. O setor de atuação, no entanto, ainda estava indefinido.

“Olhei para fora e vi players que entregavam experiências personalizadas, especialmente na área da moda”, conta Guilherme Brunhole. Porém, ele resolveu ir atrás de outro segmento que tivesse mais potencial por aqui. “Eu não entendia nada do mercado de beleza, mas vi o tamanho que tinha no Brasil e o quanto estava ligado à curadoria e à personalização, e decidi”. 

Como nunca havia empreendido antes, o cientista da computação procurou validar sua ideia em mercados mais maduros. Nos EUA, deu de cara com a IPSY, startup que atua com entrega de caixas personalizadas de produtos cosméticos em modelo de assinatura. E, então, percebeu que era este o caminho. 

Em outubro de 2018, houve o lançamento da primeira caixa da UAUBox junto com uma influenciadora digital do setor de beleza. Guilherme diz que, na época, o “algoritmo era burro” e era preciso comprar os produtos por meio de revendedores, já que as marcas estavam “se lixando” para ele. 

A importância da tecnologia

O lançamento, porém, foi um sucesso. Logo, o empreendedor mudou a operação da garagem de sua casa para um galpão, começou a formar um time e os algoritmos de machine learning foram aprimorados. “O que fez a gente crescer três vezes em 2019, quatro vezes em 2020 e duas vezes neste ano é o fato de estarmos sempre baseados em tech”, diz Guilherme. 

Quando uma pessoa se torna cliente, ela responde a um questionário a respeito de suas preferências em relação a produtos de beleza. Estes dados são usados para formar a primeira entrega. A partir de então, toda vez que o cliente recebe a cesta de produtos, ele dá feedbacks específicos sobre o que achou de cada um. Então, o algoritmo aprende e recomenda, mês a mês, os produtos que mais se encaixam no perfil daquele usuário. 

A UAUBox não utiliza inteligência artificial apenas para recomendar produtos de beleza, no entanto. Guilherme e seu time desenvolveram algoritmos que preveem a chance de um usuário parar de pagar, dando maior previsibilidade financeira para o negócio e permitindo, inclusive, que sejam realizadas ações para manter aquele cliente na base. Além disso, foi criado também um algoritmo que faz uma pontuação de cada marca, para entender quais são as “queridinhas” dos usuários. “Nosso time é enxuto, então precisamos colocar inteligência onde for possível”, explica o empreendedor. 

Para as marcas, a inteligência gerada pela tecnologia também é um diferencial. A UAUBox oferece uma plataforma em que estes fabricantes do setor de beleza podem acompanhar os feedbacks dos usuários a respeito do produto. Acaba sendo um grande diferencial para os fornecedores, que, em contrapartida, oferecem os cosméticos a preços bem mais baixos do que os praticados no mercado. Ou seja, a startup conecta, com inovação, eficiência e tecnologia, as duas pontas da cadeia. 

Inovação e experiência no modelo de assinatura

Segundo Guilherme Brunhole, o modelo de negócio por assinatura traz diversas vantagens ao empreendedor, sendo a mais óbvia a maior previsibilidade de faturamento. “Também pode diluir o custo de aquisição de um cliente (CAC) ao longo do tempo (LTV). Ele vai ficar com a sua marca durante meses. No modelo transacional, é preciso gastar praticamente um CAC a cada compra”, acrescenta. 

“A primeira coisa que você deve fazer antes de montar um clube de assinatura é verificar se o seu produto tem recorrência, quanto tempo é essa recorrência. No nosso caso, fez muito sentido, porque o mercado de beauty tem grande recorrência e entregamos os produtos, personalizados, na casa da pessoa”, diz o empreendedor. 

“Outra questão a se pensar é que é preciso ter variedade e novidade. Não adianta entregar todos os meses o mesmo produto, pois isso prejudica a experiência. No mercado de beleza, há marcas novas lançando produtos novos todos os dias”, explica Guilherme. “O grande desafio é agregar valor para além da comodidade. Tem que trabalhar na retenção das pessoas, falar com elas e convencer, com experiência, com novidade, com conteúdo, com parcerias, a ficar com a sua marca”.