Transporte 4.0: tecnologias que estão revolucionando a logística - WHOW
Tecnologia

Transporte 4.0: tecnologias que estão revolucionando a logística

Painel debateu os conceitos da logística 4.0, a importância da digitalização do setor, os impactos da 5G, sustentabilidade e muito mais

POR Carolina Cozer | 10/11/2020 18h40

O mercado logístico brasileiro se desenvolve a cada dia, e os unicórnios, seja do Brasil ou do exterior, já entenderam que existem muitos desafios que podem ser solucionado, através de novos modelos de negócios. 

Um dos principais objetivos da Quarta Revolução Industrial, especificamente para a área de logística, engloba o trabalho em rede, a descentralização e a capacidade em tempo real. E isso implicará no gerenciamento da informação e na satisfação dos clientes.

Mas afinal, o que é transporte 4.0? O Whow! Festival de Inovação 2020 trouxe o painel “Transporte 4.0: tecnologias que estão revolucionando a logística”, com grandes nomes do setor, que debateram os conceitos da logística do futuro, a importância da digitalização do setor, os impactos da internet 5G, sustentabilidade e muito mais.

Participaram do painel a mediadora Priscila Zuini, marketing manager da Intelipost, e os participantes Carlos Mira, fundador e CEO do TruckPad, Felipe Trevisan, CEO da Vuxx e Victor Daniel Zarnoviec, gerente de grupo da Scania.

Logística 4.0

O TruckPad é um exemplo de empresa conectada com a logística 4.0. Toda a frota de veículos da startups de Carlos são conectados e compartilhados em um aplicativo único. “Imagino que a tecnologia digital esteja desafiando novos players a considerarem os veículos compartilhados, elétricos, conectados e autônomos”, diz Mira. “A revolução do transporte 4.0 será quando as organizações conseguirem, de fato, aplicar esse conceito.”

A logística 4.0 é uma nova versão da logística, muito mais eficiente e conectada. Para Felipe, uma das maiores características dessa nova logística é a operação em redes. “O compartilhamento de veículos e das empresas que os contratam é um dos pilares da logística 4.0”. O segundo e terceiro pilares, segundo Trevisan, seriam a transformação digital e a inteligência artificial. “Ou seja, tudo sobre como utilizamos dados para tomar melhores decisões de forma mais automatizada”, opina.

O gerente de grupo da Scania compartilha que a logística 4.0 é a conectividade dos veículos. “É o uso de dados daquilo que temos disponível para tomada de decisão; é a transparência do supply chain, ter rastreabilidade e entender onde os veículos estão, e a capacidade de usar isso no dia a dia, junto de alguma automação”, diz Daniel.

Os impactos da pandemia

2020 tem sido um ano de intensas transformações, e o transporte conectado foi absolutamente essencial nesse ano, seja no abastecimento de cidades, seja no transporte sem aglomerações. “A pandemia é um momento muito sério, mas também fez muitas empresas mergulharem nesse universo da digitalização, prestando mais atenção no que significa estar em uma indústria 4.0”, comenta Priscila Zuini.

O padrão de comportamento das empresas sofreu aceleração durante a pandemia, e promete continuar crescendo rapidamente de agora em diante. De acordo com Trevisan, vamos vivenciar outros picos mais fortes no futuro, em função da mudança do perfil de profissionais que atuam nas empresas. “Pessoas da Geração Z, daqui 5 ou 10 anos, vão compor a maior parte do corpo de trabalho nas empresas. Eles são pessoas muito digitais, e vão ser mais demandantes por digitalização”, diz. “Vão ter muito menos tolerantes com processos manuais e com falta de compartilhamento de informação em tempo real, e isso vai puxar o resto da demanda de transformação digital que ainda tem espaço para acontecer”, diz.

Lacunas no setor

De acordo com Zuini, as empresas de logística vivem um grande dilema: a padronização. “Para que a logística seja cada vez mais eficiente, ou para que a experiência do embarcador ou de quem está recebendo uma entrega seja melhor, a padronização é importante. Por outro lado, ela pode não ser interessante em alguns aspectos quando falamos em estratégia”, afirma, e questiona aos participantes sobre o que acham que precisa melhorar no segmento no Brasil.

Para Trevisan, a maior parte das empresas de carga ainda opera de forma muito rudimentar. “Uma primeira evolução seria conseguirmos coletar muito mais dados para melhorar as operações”, diz, afirmando que também vê muita oportunidade para veículos autônomos operarem no setor. “Também penso no futuro dos serviços de SAC. Imagino que as transportadoras terão algo semelhante à Siri, como assistentes virtuais. Mas esse é só o comecinho de uma transformação muito grande”, observa.

O futuro: a logística 5.0

Depois de esclarecidas as informações sobre a logística 4.0, Zuini levou a discussão para o futuro, e pediu para que cada participante descrevesse suas opiniões sobre o que será o transporte 5.0.

Mira foi rápido em responder que a logística 5.0 é baseada na internet 5G, e que ela já está quase chegando. “Alguns aparatos já existem no mercado, mas só vamos conseguir testar novas ferramentas e novas filosofias de trabalho a partir do momento em que a 5G estiver a disposição”. Contudo, Mira já cita algumas vantagens que serão inerentes dessa realidade: “Teremos compartilhamento real time, com tudo acontecendo simultaneamente. Tudo vai se transformar novamente, assim como aconteceu com a chegada do mobile”.

A interação com seres humanos é a primeira coisa que vem na cabeça de Trevisan para a logística 5.0. “Os sistemas serão capazes de interagir de uma maneira muito mais inteligente e customizada com pessoas, e até conversar conosco. Enquanto a tecnologia 4.0 era sobre disponibilizar a informação em tempo real, a 5.0 será como resolver problemas em tempo real ― usando os sistemas robóticos”, opina. 

A sustentabilidade estará em cheque no transporte nos próximos anos, e Zarnoviec aposta no assunto para pautar a logística 5.0. “Vamos enfrentar a questão sustentável no transporte, pois estamos em um dos setores que mais contribuem com as emissões”, diz, lembrando que em alguns países as entregas por drones já são bem-sucedidas. 

“Precisamos ter a sustentabilidade como foco na logística, criando novos modelos de veículos, novos tipos de transporte e combustíveis alternativos. Acredito que isso seja a verdadeira logística 5.0”

Victor Daniel Zarnoviec, gerente de grupo da Scania


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