A transformação tecnológica do setor de alimentos - WHOW
Consumo

A transformação tecnológica do setor de alimentos

Saiba como três startups de foodservices e nutrição tem transformado o setor de alimentos no Brasil, mesmo durante a crise da COVID-19

POR Carolina Cozer | 17/04/2020 17h43 A transformação tecnológica do setor de alimentos Foto ilustrativa (Pexels)

A indústria de alimentos é uma das que mais se reinventou nos últimos anos. Foram muitas inovações neste setor, desde aplicativos de delivery até impressão de comidas 3D. Em todos os casos, a missão é a mesma: facilitar o acesso à alimentação para bilhões de pessoas e transformar as estatísticas globais de fome e desnutrição.

No Brasil, os desafios para o setor são numerosos, e incluem questões de sustentabilidade alimentar, baixa nutrição, gargalos na logística e distribuição desigual. Para compreender melhor esse complexo cenário, o Whow! conversou com os CEOs de três startups “brazucas” de foodservices e nutrição, rankeadas pelo 100 Open Startups.

alimentos Foto ilustrativa (Unsplash)

Ferramentas de gestão que facilitam processos

Antes da crise da COVID-19, um a cada três restaurantes fechavam nos dois primeiros anos de vida no país. A falta de gestão e a complexidade dos processos de compras estão entre os fatores que mais levam este modelo de negócio ao fracasso. Essas informações foram compartilhadas por João Paulo Politano, CEO e Fundador da NetFoods (Top 5 na categoria Marketplace do ranking 100 Open Startups 2019).

Pensando nisso, a NetFoods surgiu para oferecer uma ferramenta de gestão de compras automatizada, para que os responsáveis por compras de alimentos em restaurantes tenham as melhores informações na tomada de decisões ― além de rastreabilidade em todo o processo de compra.

“Todo o processo gera dados para inteligência do setor, tais como: melhorias no seu processo de compras ou vendas, identificação de marcas, consultas financeiras, automatizações de processos, entre outras possibilidades” 

João Paulo Politano, CEO e Fundador da NetFoods

Para se adaptarem à crise do novo coronavírus, o executivo diz que foi preciso analisar os dois lados do setor na busca de soluções. Restaurantes e bares, segundo ele, tiveram uma forte queda de faturamento, principalmente dentre os que têm pouca ou nenhuma representatividade em delivery. Os fornecedores também tiveram queda nas vendas em até 80% com serviços de alimentos. “Foi necessário renegociação de prazos de pagamentos com fornecedores, e também em ofertas de produtos segmentados para serem consumidos no delivery (…) Adaptações e reduções de rotas tiveram que ser feitas, além de ajuste no fluxo de caixa para suportar os atrasos de pagamentos dos seus clientes”, finaliza.

Inovação por meio da acessibilidade

A AlmoçoGrátis (Top 6 na categoria Customer Service do Ranking 100 Open Startups 2019) também fornece IA para gestão de empresas que trabalham com alimentos, como bares e restaurantes. 

O CEO e Fundador Lucas Judice diz ao Whow! que o mercado de alimentação tem vários espaços de melhoria, em todos os elos da cadeia ― desde a produção à indústria, distribuição e pontos de venda. Segundo Lucas Judice, uma das formas de trazer soluções inovadoras é conseguir criar um produto num espaço onde todos possam ter benefício com o uso daquela solução. 

“No caso da AlmoçoGrátis, por exemplo, oferecemos uma alimentação em troca da opinião do consumidor. Isso é, o consumidor vai até o restaurante parceiro, faz o consumo normalmente, volta ao site, preenche uma avaliação e, em seguida, recebe o reembolso do valor do ticket médio daquele restaurante”, diz, e complementa: “Isso é dar uma acessibilidade atrelada ao retorno financeiro positivo que aquela tecnologia pode trazer.”

“Esse é um exemplo de acessibilidade atrelada a receita, onde valorizamos o tempo do usuário e, mesmo assim, damos um saldo positivo para o restaurante (…) Já em tempos de desigualdade, fome e baixo acesso a tecnologia, é interessante ver uma solução onde o tempo livre do consumidor está sendo remunerado.”

Lucas Judice, CEO e Fundador da AlmoçoGrátis

Em relação à crise da COVID-19, a startup não tem passado ilesa, graças ao fechamento de muitos restaurantes. Contudo, o CEO detalha que as forças da empresa foram direcionadas para pesquisas de medição de delivery, o que balanceou bem os impactos. “O delivery teve um crescimento considerável durante a crise. Aproveitamos também a baixa para criar novos produtos para auxiliar os restaurantes na recuperação do pós-crise, podendo contar com dados seguros para entenderem os melhores caminhos para retomar o negócio assim que as portas reabrirem.”

Startup promove serviços de teleatendimento em nutrição

Em 2016, a startup N2B (Top 3 na categoria Healthcare do Ranking 100 Open Startups 2019) surgiu para democratizar o acesso à nutrição. Segundo Cesar Terrin, CEO da N2B, a missão da empresa é tornar a nutrição mais fácil, acessível e inteligente ― e fazem isso através da tecnologia.

O executivo explica que, através do aplicativo, os clientes conseguem receber acompanhamento nutricional a distância, escanear alimentos industrializados para checagem de qualidade nutricional, registrar medidas e ver dicas de cardápios.

Apesar da diminuição de clientes por conta do fechamentos de academias (entre os principais clientes da N2B estão a Rede Smart Fit e demais empresas fitness), a crise do coronavírus trouxe novas oportunidades para a empresa. A principal delas foi a liberação do atendimento online por parte do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). De acordo com Cesar Terrin, isso permitiu que a startup mantivesse o contrato de seus nutricionistas, que estão trabalhando por meio de teleatendimento

alimentos Foto ilustrativa (Freepik)

“As pessoas estão passando por questões de ansiedade, e sabemos que isso influencia muito nas comidas. Sabemos que as pessoas têm, inclusive, questões de depressão e outros quadros que alimentos também afetam. Então a N2B está tentando, nesse cenário, ajudar tanto os clientes B2B quanto a população de uma forma geral com esses atendimentos”, comenta.

O CEO explica, também, que a empresa tem ciência de que não conseguirão atender classes D e E ― as mais afetadas por estatísticas de baixa nutrição. Porém, a principal concentração de seus clientes se encontra em regiões mais periféricas. “A gente atende muito bem uma D+ ou uma C-”, diz, enfatizando que o atendimento virtual não substitui uma anamnese presencial, mas que é uma solução paliativa válida neste momento de crise.

“De um lado tivemos uma demanda diminuindo, porque muita gente está desempregada e não pode ter nenhum custo. Por outro, uma demanda aumentando por interesse em questões de imunidade, e por estarem confinados em casa, com maior descontrole da alimentação (…) Há um interesse maior, uma disponibilidade de compra e fechamento de novos negócios menor, mas entendemos que tem como ajudarmos muita gente agora”

Cesar Terrin, CEO da N2B



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