Teremos meios de pagamento via reconhecimento facial no Brasil em 2020? - WHOW

Tecnologia

Teremos meios de pagamento via reconhecimento facial no Brasil em 2020?

Setores da segurança pública e transporte já aderiram à tecnologia aqui no Brasil. Agora empresas querem levar a ideia ao varejo 

POR Raphael Coraccini | 27/01/2020 10h14 Foto (Pexels) Foto (Pexels)

O ano mal começou e uma tendência tem se apresentado, a do reconhecimento facial. A União Europeia discute o banimento da tecnologia e um dos especialistas em tecnologia ligado ao pré-candidato norte-americano Bernie Sanders destacou a intenção de também vetar a tecnologia naquele país.

Por aqui, as notícias vão no caminho inverso. Há poucos dias, a prefeitura de Curitiba anunciou que a tecnologia de reconhecimento facial será implementada em toda a frota de ônibus, a partir do segundo semestre para evitar fraudes no pagamento das passagens em sistemas automatizados.

O Estado da Bahia usa a tecnologia na segurança pública e Pernambuco também segue pelo mesmo caminho, com o projeto de compra de tecnologia anunciada neste mês.

A Unike, uma startup brasileira criada para desenvolver tecnologias de biometria (base do pagamento por reconhecimento facial) têm polos de desenvolvimento nesses dois estados do Nordeste.

reconhecimento facial Foto (Unsplash)

Reconhecimento facial no varejo

Apesar do reconhecimento facial estar dedicado à segurança pública no momento, a Unike aposta na aplicação para o avanço na utilização pelo comércio em pouco tmepo. “Hoje, estamos focando em pilotos para o varejo, em lojas que querem conhecer melhor o cliente, saber quem ele é, a recorrência na qual ele visita a loja, quanto tempo fica dentro dela, e, em uma segunda fase, passaremos para a questão de pagamento”, aposta André Barretto, sócio e fundador da startup.

Ele ainda afirma que a adesão das primeiras empresas do varejo ao pagamento via reconhecimento facial deve acontecer já no segundo semestre deste ano. A Unike é a evolução da Zigpay, empresa dedicada a tecnologias de pagamento que já produziu alguns testes em pagamento via reconhecimento facial ao oferecer esse tipo de tecnologia dentro de eventos fechados para reduzir um dos maiores atritos desse tipo de negócio, a hora de pagar.

Geolocalização

A tecnologia usada pela Unike para espaços privados contempla uma tecnologia de localização indoor aplicada via Wi-Fi que melhora a exatidão de sistemas de reconhecimento facial ao combinar a captação da biometria via câmeras com a tecnologia de geolocalização.

O executivo é apontado como o criador do termo frictech, de startups voltadas à redução da fricção entre empresas e clientes. O pagamento é um dos maiores atritos do varejo físico e as empresas de tecnologia que se dedicam a acabar com isso estão tentando aposentar as tecnologias de contactless antes de elas ganharem tração, substituindo esse tipo de solução pelo pagamento biométrico.

Segurança

Além de agilizar o pagamento, essas startups focadas em reconhecimento facial podem aumentar a segurança de transações financeiras. A startup portuguesa Loqr, que atua na Europa e na China, fornece soluções de segurança de autenticação de identidade.

A empresa verifica a identidade por meio desse tipo de tecnologia combinada a seus dados integrados em um único banco, comparando imagens do banco de dados com a capturada pela câmera munida de inteligência artificial dedicada à leitura biométrica.

Resistência dos consumidores

O sócio e fundador da Unike afirma que a empresa tem dez projetos-piloto de pagamento via reconhecimento facial, mas reconhece que ainda tem um longo caminho para convencer as pessoas da segurança dessa tecnologia.

“Hoje, a aceitação é muito baixa. As pessoas ainda têm medo. Eu diria que a aceitação é de 10% dentro de um evento, por exemplo”

André Barretto, sócio e fundador da Unike

“Nossa intenção é aumentar o acesso à informação para que a gente consiga aumentar o número de pessoas que consigam entender o benefício para ela”, completa André ao Whow!.

reconhecimento facial Foto (Freepik)

Adesão de setores importantes

Mas o executivo vê o cenário como favorável. A Unike abriu as portas em maio de 2019, fundada por quatro sócios brasileiros que têm experiência de uma década em identificação e autenticação por meio de biometria. Hoje, a startup atua também no Peru, onde o foco é maior em identificação facial.

No Brasil, a adesão ao reconhecimento via biometria recebe grande atenção dos setores que lideram a transformação digital. Além do varejo, o sistema financeiro tem grande adesão. O Itaú, por exemplo, investiu R$ 350 milhões para implementação de seu sistema de reconhecimento via biometria e gasta cerca de R$ 300 milhões anualmente para manter e otimizar suas funções, segundo o fundador da Unike.

No mundo

No mundo, o número de startups voltadas ao desenvolvimento de tecnologias de reconhecimento facial se proliferam, mas o uso ainda não está dedicado ao comércio. Na maioria das vezes, são aplicativos que têm como finalidade oferecer entretenimento, como o Reminiz, da França, mas que com uma eventual futura fusão de seus bancos de dados com carteiras digitais podem virar um negócio e tanto.

A China está em estágio avançado nessa integração entre bancos de imagens e carteiras de pagamento. A maior rede de supermercados do país, a Hema, já oferece esse tipo de tecnologia para conclusão das compras. A expectativa é a de que, na China, cada vez mais, bastará a presença física para fazer uma compra.


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