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Consumo

Tendências para o setor de franquias no Brasil

Estão em alta opções em que o franqueado trabalha de casa, devido aos impactos da pandemia no segmento de franquias

POR João Ortega | 08/09/2021 18h56

O setor de franquias sofreu com o impacto da pandemia no Brasil. Dados da Associação Brasileira de Franquias (ABF) mostram que o segmento faturou R$ 167 bilhões em 2020, cerca de 10% a menos que no ano anterior. No entanto, os resultados do primeiro semestre indicam recuperação das franquias, com mais receita, abertura de novas lojas e projeção de crescimento de 8% até o fim do ano. 

Os efeitos da pandemia, porém, não ficam restritos somente ao faturamento e ao número de lojas abertas e fechadas. Por exemplo, franquias na área de turismo e hotelaria perderam 32% do faturamento nos últimos doze meses, enquanto o setor de casa e construção cresceu 33% no mesmo período. Além disso, houve um salto na adoção de e-commerce entre 2021 e 2020, com destaque para aplicativos de delivery próprios da marca franqueadora. 

O e-commerce, inclusive, é um canal já facilitado pelo modelo de franquias, já que cada loja é, em si, um ponto de distribuição. É o que destaca Marcos Costacurta, CEO da rede de lojas de alimentação saudável Divina Terra e consultor especialista em franchising. “O offline fortalece o online”, analisa o empreendedor em entrevista exclusiva. “O cliente conhece a marca na sua cidade e pede o produto pelo e-commerce”. Segundo o especialista, os dois formatos não se canibalizam, e sim se complementam. 

Premissas do modelo de franquia

Marcos Costacurta atende, como consultor, interessados em franquear seus empreendimentos. Com base em sua experiência na rede Divina Terra, que hoje tem mais de 50 lojas no Brasil e projeção de faturar R$ 80 milhões neste ano, e em seus estudos do setor, ele elaborou algumas premissas simples para que uma empresa esteja pronta para se tornar uma franquia. 

A primeira premissa é ter a marca registrada. Pode parecer óbvio, mas há diversos empreendedores que não realizam esse registro e acabam se prejudicando no momento de expandir. “Já houve casos que atendi empresas que trabalhavam há nove anos com a marca, mas nunca registraram e descobriram que já havia outro negócio usando o mesmo nome”, conta Marcos Costacurta. 

A seguir, o consultor avalia se a empresa em questão é lucrativa e se o modelo de negócio tem repetibilidade. Ou seja, não faz sentido franquear startups que ainda não geram lucro, por exemplo, ou tampouco empreendimentos que têm a própria localização como fator de sucesso. 

Por último, Costacurta destaca a dependência do empreendedor para fazer o negócio funcionar como um impeditivo para o modelo de franquias. Ou seja, se aquela empresa precisa das habilidades específicas de uma pessoa para ser lucrativa, então ela não é franqueável. 

Tendências das franquias

O conceito de experiência do cliente é transversal no mundo dos negócios e, portanto, também se aplica ao modelo de franquias. No entanto, é ainda mais desafiador garantir a boa experiência do consumidor quando não é o empreendedor que cuida do dia-a-dia dos processos em todas as suas lojas. Por isso, as redes franqueadoras precisam estar ainda mais atentas a este ponto. 

“A parte mais difícil é replicar a experiência da loja original, desde os processos internos, relacionamento com fornecedores, até o atendimento ao cliente”, ressalta Marcos Costacurta. “Mas, ao mesmo tempo que aumentou a exigência do consumidor, há cada vez mais, principalmente desde a pandemia, treinamentos online para atendimento ao cliente, por exemplo. Existem sistemas que mostram se um funcionário de uma unidade franqueada em tal cidade não assistiu aos treinamentos esperados. A tecnologia, então, facilita neste sentido”. 

Outra tendência a que os franqueadores precisam estar atentos é a questão da proteção de dados, regularizada pela LGPD. Hoje, se uma loja não estiver adequada à privacidade dos dados dos seus clientes, ela compromete – legalmente e em relação à reputação – toda a rede de franqueados. Portanto, empreendedores que decidirem franquear seus negócios precisam ter em contrato todas as normas e proteções em relação aos pontos listados na LGPD. 

Por último, uma tendência que vem crescendo bastante com a pandemia é a das franquias home-based, ou seja, em que o franqueado trabalha de casa pelos meios digitais. De 2020 para cá, o total de negócios gerenciados de dentro das casas dos brasileiros cresceu cerca de 30% e já representa 10% do total de franquias.

Para exemplificar os modelos de negócio possíveis dentro do universo das franquias home-based, podemos citar empreendimentos na área de educação, em que o franqueado se torna um professor virtual e aplica a metodologia da franquia em suas aulas. Mas há muitas outras opções nesse sentido.