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Tecnologia

Tendências para o mercado de tecnologia e crimes cibernéticos

Relatório da O’Reilly traz tópicos aos quais líderes do setor devem se atentar este ano, incluindo computação em nuvem e cibersegurança

POR Luiza Bravo | 25/05/2020 14h31

Quem trabalha diretamente com tecnologia precisa estar constantemente atento às mudanças no setor, que são recorrentes e, via de regra, impactantes. Todos os anos, a O’Reilly, empresa especializada em publicações de informática, divulga um relatório com as principais tendências do setor que devem afetar o mundo dos negócios pelos próximos meses. Veja, a seguir, a lista com as apostas para 2020.

Proeminência do Python na programação

De acordo com a publicação, o uso do Python vem crescendo constantemente. A linguagem desbancou a Java em 2017, cresceu 10% em 2018 e, no ano passado, mais 6%. Atualmente, o Python é responsável por quase 10% de todas as linguagens de programação utilizadas no mundo.

A novidade é que seu crescimento em 2019 foi impulsionado pelo interesse em machine learning e inteligência artificial. Segundo a O’Reilly, juntamente com o R, o Python é uma das linguagens mais usadas para análise de dados. Na contramão desse crescimento está o interesse por linguagens como Java e JavaScript, que caiu, respectivamente, 13% e 7% entre 2018 e 2019.

Arquitetura, infraestrutura e operações de software

O desenvolvimento nativo em nuvem é uma nova maneira de pensar sobre software, além de uma das principais tendências. Mas a mudança para esse sistema, segundo o relatório, tem implicações não apenas na arquitetura de software, mas também na infraestrutura e nas operações. O desenvolvimento nativo em nuvem explora novas técnicas de desenvolvimento – os microsserviços – e adapta outras já existentes, como a orquestração.

A análise da O’Reilly constatou um aumento de 17% no uso dos chamados contêineres, que são uma abordagem específica de desenvolvimento de software. O uso de Kubernetes – sistema de orquestração de contêineres – por sua vez, cresceu 40% no ano passado.

Dados, IA e Machine Learning

Os resultados dos tópicos relacionados a dados são previsíveis, e apontam para a sua importância crescente, mas de forma menos óbvia. O relatório destaca que, de forma geral, o uso de engenharia de dados diminuiu 8% em 2019, depois de uma queda de 3% em 2018. O resultado se deve especialmente à queda no tópico “gerenciamento de dados”: quando analisados mais especificamente, os tópicos de engenharia de dados – excluindo o gerenciamento de dados – apresentam um crescimento sólido nos dois últimos anos (7% em 2018, e 15% em 2019).

Curiosamente, a força do machine learning e da inteligência artificial para tópicos relacionados especificamente a dados pode ser menor do que se imaginava: como o próprio documento aponta, o crescente uso de linguagens de programação como o Python é, em grande parte, impulsionado pela utilidade e aplicabilidade desse idioma ao ML. Tópicos relacionados à ML/IA, como processamento de linguagem natural e redes neurais, também registraram um forte crescimento no uso (22% e 17%, respectivamente).

Importância da nuvem

O interesse em conceitos e termos relacionados à nuvem continua a aumentar, embora em ritmo mais lento. O crescimento foi de 17% entre 2018 e 2019, e de 35% entre 2017 e 2018. Essa desaceleração sugere que o assunto atingiu um alcance tão grande que, matematicamente, qualquer crescimento adicional deve ocorrer a uma taxa mais lenta.

O interesse por plataformas de provedores de serviços em nuvem reflete a realidade do setor como um todo: o uso do Microsoft Azure cresceu 29% no último ano, e do Google Cloud Platform, 39%.

Tendência: interesse crescente em segurança

O uso de certificações de segurança, de acordo com a O’Reilly, cresceu 26% em 2019. Isso seria um reflexo do interesse de administradores de sistemas e bancos de dados em adquirir informações especializadas e detalhadas para corrigir e proteger esses ambientes de vulnerabilidades.

O aumento na busca por segurança cibernética faz sentido, uma vez que, em 2019, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) completou um ano em vigor na União Europeia. Foi no ano passado que também passou a valer a Lei de Proteção de Informações Pessoais e Documentos Eletrônicos, no Canadá. A Lei de Privacidade do Consumidor da Califórnia, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2020, também pode ter estimulado esse movimento de ascensão da busca por segurança.

Combate aos crimes cibernéticos durante o home office

A pandemia do novo coronavírus mudou a forma de se trabalhar ao redor do mundo. Com as orientações de isolamento social, milhões de pessoas passaram a trabalhar de casa. Apesar das inúmeras vantagens, o home office pode reduzir os padrões de cibersegurança adotados pelas empresas, deixando-as mais vulneráveis a ataques que podem levar à violação de dados e a falhas em seus sistemas.

Uma pesquisa realizada pela Allianz Global Corporate & Specialty revelou que a segurança cibernética já era considerada a principal ameaça para as empresas em 2020, antes mesmo da pandemia. Segundo o levantamento, desde 2016, as perdas causadas por fraudes do tipo ultrapassam US$ 20 bilhões.

Pensando nisso, a AGCS divulgou um boletim com dicas de especialistas para ajudar colaboradores a combater os desafios cibernéticos trazidos pela Covid-19. São elas:

1) Manter softwares e navegadores web atualizados;

2) Ativar a proteção contra vírus e firewalls;

3) Ser cada vez mais cauteloso sobre o compartilhamento de dados pessoais;

4) Manter as senhas seguras e alterá-las regularmente;

5) Proteger e-mails confidenciais com criptografia e ter cuidado com anexos suspeitos, especialmente se o remetente for desconhecido;

6) Fazer backups regulares;

7) Desligar dispositivos inteligentes ativados por voz e cobrir webcams quando não estiverem em uso;

8) Identificar todos os participantes em reuniões online;

9) Fazer logout quando os dispositivos não estiverem mais em uso e mantê-los seguros;

10) Seguir as práticas de segurança para imprimir e manusear documentos confidenciais.

Mercado brasileiro

Recentemente, a Embratel anunciou uma parceria com a Scitum TELMEX, maior empresa de serviços de segurança cibernética do México, para desenvolver soluções em segurança digital para o mercado brasileiro. A empresa aposta em um interesse crescente por cibersegurança no Brasil, especialmente devido à previsão de entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais em agosto.


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