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Tecnologia

Tendências e o futuro da Internet das Coisas

A IoT não é o futuro, ela já é o presente. Saiba qual será a cara dos objetos conectados nos próximos anos, e entenda a necessidade de regulamentações

POR Carolina Cozer | 15/10/2019 14h31 Tendências e o futuro da Internet das Coisas Foto (Pixabay)

Como em qualquer outra inovação tecnológica, a Internet das Coisas (IoT) está passando por um período de declínio do hype, e ascensão do foco em operações, geração de padrões, regulamentos e protocolos, que podem moldar as tendências futuras do setor e impactar o nosso cotidiano.

Para quem não está familiarizado com o termo IoT, ele se refere a todos os objetos não-óbvios que possuem (ou têm potencial para ter) algum tipo de informação via Internet, como geladeiras que efetuam um pedido online automaticamente ao detectar que produto está acabando, ou um ar condicionado que pode ser ligado via mobile quando seu usuário estiver saindo do trabalho, para que chegue em casa já com a temperatura de seu agrado.

“Assim como nossa visão, audição, olfato, tato e paladar permitem que nós, humanos, entendamos o mundo, os sensores [de IoT] permitem que as máquinas entendam o mundo”

iotforall.com

Segundo uma pesquisa da Gartner Research, existe a tendência de que o número de coisas conectadas à Internet chegará a 20,4 bilhões até 2020 e, em 2021 esse número aumentará para 25 bilhões. Com a redução do hype sobre o IoT, o custo dos sensores deverá cair nos próximos anos, causando um crescimento numérico no setor.

tendência Foto (Unsplash)

As principais tendências de IoT que vão impulsionar a inovação

Segurança: a segurança é a maior preocupação atual do segmento, pois os sensores para IoT carregam uma enorme quantidade de dados, e têm um grande risco de serem invadidos. Um estudo da Transition Technologies PSC aponta que aprimorar a criptografia desses dados é prioridade para que o mercado possa continuar crescendo.Os desafios críticos serão adicionar diversas camadas de proteção, detectar possíveis brechas e proteger os dados de produção e de propriedade intelectual dos usuários;

6G e ampliação da rede: segundo a Forbes e a Computerworld um dos principais fatores que impedem a propagação da IoT, além da segurança, é a falta de redes de dados móveis de alta velocidade e estáveis, que possam tornar as operações mais funcionais e ampliar sua disponibilidade. Com a propagação da Internet 5G — 20 vezes mais rápida que o normal –, e o desenvolvimento da 6G, isso se tornará realidade. Cidades inteligentes, carros autônomos e transportes públicos se beneficiarão da junção entre IoT e o aumento de banda disponível, tornando essas tecnologias viáveis e consolidadas;

Varejo e CRM: de acordo com uma análise de tendências da GetApp, outra tendência, com a evolução dos sensores IoT, será muito mais fácil personalizar experiências de compra, gerando sugestões de produtos personalizados de acordo com necessidades específicas dos clientes, por exemplo: objetos que preveem quando o consumidor está enfrentando dificuldades de uso, ou quando está prestes a expirar, e acionam automaticamente chatbots de suporte ou de vendas; etiquetas de identificação por radiofrequência, que fornecem informações importantes sobre o inventário de produtos; facilitadores de navegação em lojas de varejo, que apontam exatamente onde está o produto desejado; promoções personalizadas de marketing de forma automática e precisa de acordo com tendências e dores locais;

tendência Foto (Freepik)

Saúde e medicina: sensores IoT poderão ser colocados diretamente no corpo de pacientes para monitoramento da saúde e diagnóstico, provendo informações em tempo real. Caso o sensor detecte algum número preocupante, uma mensagem é enviada automaticamente para o paciente e seu médico, agilizando procedimentos e tendo maior eficácia em casos emergenciais. Lentes de contato conectadas, sensores ingeríveis e smartwatches detectores de hormônios da depressão também poderão aparecer em um futuro breve, segundo publicações da Econsultancy e da DZone;

Indústrias: de acordo com a The IoT Magazine, a agricultura será uma das grandes beneficiadas, com sensores que podem prever mudanças climáticas, medir a qualidade do ar, a temperatura e umidade, coletando informações do ambiente e fornecendo a agricultores (ou até mesmo a regadores inteligentes) que direcionam a quantidade correta de água de acordo com a necessidade em tempo real. Também poderão surgir tratores autônomos mais seguros, que carregam upload de mapas em seus sensores, garantindo maior precisão nas operações não-humanas;

Alimentação: um artigo da Supply Chain Beyond mostra que mais uma tendência virá dos estoques e geladeiras inteligentes que alertam quando um produto está faltando, ou próximo do prazo de validade, serão cada vez mais comuns, evitando desperdícios e otimizando operações. Manter-se de acordo com as normas sanitárias também será um processo automatizado, através de termostatos inteligentes, que controlam dados de temperatura ou contaminação;

Nuvens e computação de borda: a nuvem pode parecer muito prática, mas não é a infraestrutura mais adequada para a IoT, pois requer muita largura de banda, e seus custos acabam sendo altíssimos. O estudo da Transition Technologies PSC também indicou a tendência em que o armazenamento passará a ser feito em arquiteturas de ponta, onde tráfego na rede é reduzido e os custos de banda são minimizados. Mas a própria tecnologia de ponta deve mudar de formato nos próximos anos, se tornando uma arquitetura de “malha” mais flexível, compreendendo uma ampla gama de dispositivos e serviços conectados; e

Mudança de nome: em uma entrevista à PCMag, o vice-presidente e analista principal da Forrester Research, Frank E. Gillett, afirma que o próprio termo “Internet das Coisas” poderá sofrer mudanças nos próximos anos, uma vez que já está sendo cada vez menos usado. Como se trata de um conceito que está sendo incorporado naturalmente no nosso cotidiano, deve receber algum termo mais transparente e descritivo, como “produto conectado”, ou “objeto conectado”, por exemplo.

tendência Foto (Pixabay)

Por que regulamentar?

Todas as inovações podem ter riscos envolvidos. Além das preocupações com roubos de dados e de propriedade intelectual, há muitos outros fatores que precisam ser controlados nesse momento de expansão de coisas conectadas. Aqui estão alguns pontos abordados em um artigo publicado na CNN:

Dispositivos físicos, como marcapassos e outros sensores acoplados no corpo humano poderão ser passíveis de roubo, botando em risco a vida humana;

A alta demanda de produção autônoma poderá resultar em reduções drásticas de empregos;

A alta complexidade dos devices poderá acarretar falhas mais complexas;

Padrões de compatibilidade internacional precisarão ser estabelecidos;

Será preciso instalar softwares que recebam patches de atualização para controle de alterações nos sensores; e

São mais perigosos e imprevisíveis que computadores tradicionais, pois sentem o mundo ao nosso redor, e o afetam de maneira física direta.


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