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Tendências do mercado de luxo apontam para a economia circular

Se antes a questão da sustentabilidade se limitava a apenas alguns inovadores corajosos com consciência ambiental, hoje em dia o assunto ocupa a agenda da grande maioria das companhias da indústria da moda.  

POR Marcelo Almeida | 03/12/2021 20h54

Estudo da Deloitte publicado nesta sexta-feira (3) aponta alguns números que impressionam sobre o mercado de luxo. Dentre eles, o total de vendas realizadas em 2020 por marcas deste segmento foi de US$ 252 bilhões, sendo que cada companhia que compõe o top 100 das companhias de luxo vale, em média, US$ 2,5 bilhões.

Mais importante do que isso, no entanto, são as perspectivas para o futuro. Segundo o estudo, cada vez mais questões como sustentabilidade e digitalização estão se tornando fundamentais na indústria de luxo, influenciando os investimentos no setor fashiontech.

Se antes a questão da sustentabilidade se limitava a apenas alguns inovadores corajosos com consciência ambiental, hoje em dia o assunto ocupa a agenda da grande maioria das companhias da indústria da moda.

Para entrar de forma mais incisiva nos segmentos mais tecnológicos, companhias de produtos de luxo estão fazendo parcerias estratégicas com players consolidados da indústria digital, mas também com startups mais inovadoras para criar produtos diferentes e encontrar novas alternativas para melhorar seus serviços, ao mesmo tempo em que reduzem o seu impacto ambiental.

Nesse sentido, inovação é o ponto fundamental para que essas mudanças e objetivos sejam alcançados.

Biomateriais, economia circular e consumo consciente

Essas mudanças, segundo o estudo, chegaram para ficar, com um número cada vez maior de produtos vendidos como “sustentáveis” e a solidificação de conceitos como moda ética, em relação aos métodos de produção, condições de trabalho e livres mercados.

Outro conceito que vem ganhando tração (e adeptos) é o de moda circular, que inclui as práticas de reciclagem, upcycling (agregar valor a um produto que não está em boas condições e que geralmente já foi usado) e thrifting (a procura por peças de roupas usadas em diversos tipos de lojas, como brechós).

Por meio desse conceito, reduz-se bastante a quantidade de resíduos que acabam sendo lançados no ambiente, já que os produtos podem ser reutilizados várias vezes.

Por fim, o conceito de consumo consciente ou moda verde envolvem mais a conscientização do consumidor em relação aos materiais utilizados nas peças, onde elas foram produzidas, se a marca é transparente em relação a seus fornecedores e as condições de trabalho impostas ao trabalhadores, dentre muitas outras questões.

Em vez de simplesmente comprar de forma impulsiva, considerar os aspectos da moda consciente é uma forma potente de os consumidores retomarem o poder de traçar linhas em relação ao que eles consideram tolerável ou não em termos de direitos trabalhistas e, sobretudo, direitos humanos.

Em resposta a isso, as companhias estão buscando usar tecnologia para desenvolver materiais que não agridam o ambiente, mas tenham boas propriedades e um belo design para os fins que serão usados.

Embora possa não parecer muito, diversas empresas, como Kering, Chanel, L’Oréal, LVMH e Prada, dentre outras, já fizeram parcerias milionárias com startups e outras empresas com foco em inovação para desenvolver novos materiais, criar novos processos e novos modelos de negócios para mudar o futuro do mercado e melhorar a experiência do consumidor.