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Tendências de futuro em cenários de incertezas

Afinal, para que servem os relatórios de tendências em meio à imprevisibilidades? Expert em futuro da WGSN comenta

POR Carolina Cozer | 08/12/2020 11h15 Imagem de Javier Rodriguez: Pixabay Imagem de Javier Rodriguez: Pixabay

Final de ano é uma época marcada pela divulgação de estudos que apontam tendências para o ano consecutivo. Já em 2020 algo que ficou claro para muitas pessoas foi que não existe previsibilidade, e que nada está sob controle. A única certeza é a incerteza.

Partindo desse ponto de vista, qual seria, então, o sentido de fazer estudos e diagnósticos de tendências do futuro, sendo que o futuro é incerto?

“A pandemia do coronavírus é o maior propulsor global de mudanças dos últimos tempos, resultando em novos hábitos do consumidor. As indústrias estão tendo que se adaptar a uma nova realidade, que exige flexibilidade, resiliência e, acima de tudo, criatividade”, comenta Julia Faria, Head de Novos Negócios e Expert em Futuro da WGSN ― uma das empresas líderes globais em tendências de consumo e design. 

A especialista contou ao Whow! que agora é mais importante do que nunca que as empresas entendam o que esse consumidor irá querer a curto, médio e longo prazo. “Estamos acostumados a ver as previsões da WGSN de longo prazo ganhando vida depressa, mas nunca nessa velocidade”, comenta

Relatórios de tendências: funcionam ou não?

Embora a pandemia tenha mexido com os planos do “universo” para 2020, parece que nem tudo foi tão imprevisível assim. O vírus, de fato, não esteve presente em nenhum relatório de tendências, mas muitos comportamentos que eram previstos até para muitos anos à frente se concretizaram em meio ao caos.

“O que vimos neste ano foram muitas das tendências já previstas em 2019 para 2020 e 2021 serem aceleradas pela pandemia. Da moda perfeita para aparecer em telas digitais à transformação da casa em um hub, estamos incorporando rapidamente novos hábitos e novos estilos de vida e de trabalho”, diz Julia. 

A trend ‘Home Hub’ figurava entre as principais tendências levantadas pela WGSN em 2019 para os anos seguintes, antes mesmo da pandemia chegar e institucionalizar o home office e o trabalho de pijama como situações casuais.

“Quando analisávamos números de mercado de trabalho víamos a adoção de home office, de lazer e exercícios físicos cada vez mais dentro de casa. Notamos que a pandemia foi a intensificação deste movimento”, afirma.

A sociedade conectada

internet das coisas Imagem ilustrativa (Pixabay)

De acordo com o relatório Internet of Things, divulgado pela Ericsson, até 2022 teremos cerca de 29 bilhões de dispositivos conectados em todo o globo ― três vezes o total da população humana. Segundo a head de Novos Negócios e Expert em Futuro da WGSN, o ano de 2022 será marcado pela consolidação daquilo que os inovadores esperam há anos: a sociedade conectada.

“A tecnologia 5G será amplamente usada nos países desenvolvidos, e 75% da população mundial terá acesso à internet. E a chegada do wi-fi 6 promete melhorar de modo significativo o acesso dos usuários em áreas de alto tráfego online”, aposta.

A tecnologia irá pautar mudanças tão importantes na sociedade que foi a grande influência para a cor do ano de 2021 ― o A.I. Aqua, um azul elétrico e futurista que lembra desde o azul do mar às peças de alta tecnologia.

Essa tendência deverá ser encontrada nos segmentos de moda, design de interiores e tecnologia ao longo do próximo ano.

Do plástico ao lixo eletrônico

De acordo com Julia, as tendências para 2021 são sintomáticas de mudanças sociais mais amplas ― além da aceleração tecnológica, há uma necessidade planetária urgente por soluções mais sustentáveis. 

Para a indústria de beleza, uma das tendências destacadas pela especialista será a preocupação com lixo eletrônico. “Após toda discussão em torno de embalagens, a indústria precisará se atentar para o impacto ambiental do e-waste. O maior impacto ambiental de lixo eletrônico não vem de smartphones, e sim de pequenos equipamentos como secadores de cabelo, barbeadores, pranchas etc”, explica.

Com toda essa aceleração frenética da tecnologia e das múltiplas conexões, a especialista deixa um último alerta para o presente e para o futuro: é preciso muito cuidado com a saúde mental. 

“Do ponto de vista do comportamento, precisamos seguir atentos para os efeitos na saúde mental. Enquanto a nossa velocidade de conexão dispara, os índices de contágio emocional digital também devem crescer.”

Julia Faria, Head de Novos Negócios e Expert em Futuro da WGSN


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