Tendências de futurismo para o mundo pós-pandemia - WHOW
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Tendências de futurismo para o mundo pós-pandemia

A futurista Jaqueline Weigel cita o ativismo, mudança de propósito e gestão humanizada dentre as tendências de futuro para os negócios

POR Carolina Cozer | 03/11/2020 18h32

2021 está cada vez mais perto, e com ele vem a esperança das vacinas e de um mundo sem isolamento social. Nunca foi tão difícil pensar em tendências e perspectivas, já que tudo ainda é muito incerto.

Contudo, os estudos científicos de Futurologia e Foresight (ou Prospectiva) estão disponíveis para facilitar a jornada de compreensão do futuro, com base nas tendências do presente.

Jaqueline Weigel, futurista estratégica e CEO da W Futurismo disse ao Whow! que estamos muito longe de um “novo normal”, como muitos veículos de comunicação estão pregando neste ano. “Estamos longe de ter esse novo comum. Isso é só a partir de 2022. O que temos agora é um recomeço em um novo tom”, comenta.

Para a futurista, alguns conceitos já estavam se tornando obsoletos na sociedade e no comportamento humano, e a pandemia reforçou essa necessidade de uma mudança de comportamento. Os conceitos que ela cita são: o egoísmo e o egocentrismo; o trabalho só pela sobrevivência; os negócios só pelo lucro; e ser escravo do tempo ou do trabalho.

“As crises de burnout e ansiedade aumentaram muito nessa época digital. Assim, todo mundo precisa ressignificar sua vida, seu trabalho, o uso do tempo e repensar em tudo que faz, em todos os compromissos que assume, desde consumo ao compromisso coletivo com a restauração do mundo”, comenta.

Mudança de propósito

O mundo dos negócios sofreu enormes impactos com a pandemia e, segundo Weigel, essas mudanças apenas começaram.

A especialista diz que a digitalização dos negócios foi um fator de enorme aceleração, mas que vai muito além da simples implementação de tecnologia e automação. “A partir de 2021, o propósito das empresas precisa mudar de uma mentalidade que visa o lucro para pensar nos impactos socioambientais. As empresas que não tiverem compromisso com impacto social irão monetizar menos”, observa.

Para Weigel, outra tendência é a queda de popularidade do modelo de negócios tradicional dos Estados Unidos. “Essa bolha de inovação americanizada vai estourar. Não dá mais para continuarmos falando de inovação em um modelo que todo mundo faz tudo igual”, aposta.

Mau uso da tecnologia em cheque

É hora de recuar e alinhar algumas questões éticas na criação de novas tecnologias, sobretudo no que diz respeito aos dados e à privacidade dos usuários.

Mau uso do tempo também em cheque

Cidadãos e trabalhadores estão se tornando cada vez mais conscientes de que seu tempo diário é precioso, e deve ser gasto com coisas que os dignifiquem.

Ativismo constante

O ativismo nas empresas passa a ser uma coisa diária. Caso contrário, elas serão cobradas por sua falta de compromissos sociais.

Fortes mudanças nos espaços físicos 

Os espaços físicos estão perdendo relevância ou sofrendo enormes adaptações. 

Consumo consciente

As pessoas estão se tornando cada vez mais conscientes dos seus hábitos de consumo, que estão sendo adaptados para atender às demandas de sustentabilidade e ética do trabalho.

Planeta em primeiro lugar

Todos os produtos e serviços que machucam o planeta correm altos riscos, então indústrias ligadas ao uso de combustível fóssil e energias que não são renováveis vão começar a entrar em cheque. 

Negócios pequenos 

Muitos negócios pequenos estão ganhando relevância, e começam a serem capazes de concorrer com os grandes negócios. 

Novos modelos de gestão

Há uma lacuna gigantesca de líderes governamentais e de empresas que são capazes de levar os negócios para esse novo mundo.

Menos números, mais humanização

Com todos esses questionamentos, fica evidente que as empresas precisam se estruturar para estarem adequadas às novas demandas, oferecendo ambientes de trabalho humanizados e com culturas voltadas para causas sociais e ambientais.

Mas para a CEO da W Futurismo, ambientes humanizados e foco em causas humanitárias é o mínimo que as empresas devem oferecer. “Empresas são feitas por pessoas e para pessoas. Quem não tem nem isso ainda, e permanece girando somente em torno de números, tem um curtíssimo tempo de sobrevida”, aposta. “As empresas precisam assumir compromissos sociais e com o meio ambiente, tendo consciência dos impactos que todos seus os atos provocam na sociedade.” 

A especialista enfatiza que apenas as empresas que unirem seus objetivos corporativos às grandes causas sociais irão monetizar. 

“A largada para os negócios não é mais dominar um segmento, aumentar o market share ou atender acionistas. A pergunta essencial para os negócios agora é: por que a gente existe, qual é a nossa ambição global de impacto social e como a gente transforma isso num negócio”, questiona.

“As empresas não podem esquecer que o objetivo principal é servir a sociedade, e não mais apenas monetizar. As empresas que pensam nisso monetizam muito mais”

Jaqueline Weigel, CEO da W Futurismo


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