Tendências de consumo no declínio da pandemia - WHOW

Consumo

Tendências de consumo no declínio da pandemia

Confiança do consumidor ajuda a retomar setores em baixa, mas variante da Covid-19 mantém sinal alerta no mercado

POR Marcelo Almeida | 26/10/2021 18h34

Estudo publicado pelo Boston Consulting Group (BCG) aponta uma série de tendências para o consumo no contexto pós-pandemia. Uma das principais é que a variante delta do covid-19 freou o aumento na confiança no consumidor, já que aponta para a possibilidade de extensão da pandemia, e de seus prejuízos, por meio de outras variantes.

Também foi notado que os consumidores têm voltado a realizar atividades normais, mas que ainda dependem de uma distribuição maior das vacinas para voltar a rotinas que tinham antes da pandemia. Além disso, a pandemia atual tornou o consumidor mais consciente, sobretudo no que tange à sustentabilidade.

Em relação ao Brasil, a pesquisa apontou que 87% das pessoas estão dispostas a se vacinar se tiverem acesso à vacina, percentual maior do que nos EUA, onde existe uma divisão muito maior em relação ao interesse em tomar a vacina.

Na Índia, um dos países mais afetados pela pandemia e onde surgiu a variante delta, esse número também é substancial: 84% estão dispostos a se vacinar assim que tiverem acesso ao medicamento.

Confiança em alta

Com o aumento do número de pessoas vacinadas, cada vez mais pessoas estão dispostas a fazer atividades que ainda provocam medo nos consumidores.

Nos Estados Unidos, por exemplo, as pessoas estão usando mais serviços como viajar de avião, comer em restaurantes e frequentar academias, sendo que essas atividades, entre maio e agosto de 2021, tiveram um aumento entre 9% e 10%.

Apesar disso, os temores continuam em níveis altos, com 76% dos entrevistados demonstrando temores em relação a viagens de avião, 67% em relação a comer em restaurantes e 74% em relação a frequentar a academia, números que cresceram 7 pontos percentuais no caso de comer em restaurantes e 5 pontos percentuais nos outros casos.

Esse temor persistente é, em boa parte, fruto da variante delta, como citado anteriormente.

Hábitos que vieram pra ficar

Dentre as mudanças nos hábitos mais expressivas estão os aumentos de 50% no uso de sites de vendas no varejo, de 51% no uso de carteiras digitais e de 52% na inscrição em serviços de aplicativos de streaming, em comparação aos números pré-pandemia.

Já no âmbito profissional, 67% dos entrevistados nos EUA querem um modelo híbrido de trabalho após a pandemia. Além disso, 18% dos consumidores mudaram de endereço desde o início da pandemia e houve um aumento de 21% no número de pessoas que fazem exercícios com equipamentos próprios em casa.

Isso leva a algumas tendências, como um aumento de 40% no número de pessoas que planejam aumentar o seu consumo de comida entregue via delivery, 28% de aumento nos gastos das pessoas com produtos para limpeza doméstica em relação ao período pré-pandemia e 27% de aumento no número de pessoas que planejam crescer os gastos com produtos não essenciais pela internet.

Os consumidores têm se mostrado mais conscientes em relação ao meio ambiente, com 23% afirmando que estão comprando mais produtos criados de forma sustentável do que antes da pandemia. Além disso, 60% afirmam que a mudança climática deve ser uma questão priorizada.

O que os empreendedores precisam aprender com isso

Para se adaptar a um cenário em que os hábitos dos consumidores estão em rápida mudança, as empresas precisam focar em alguns pontos específicos:

1. Crie formas de entender o que motiva os seus consumidores por meio da análise de dados;

2. Monitore as mudanças no comportamento dos consumidores, adequando seu negócio e seu produto àquilo que eles estão valorizando mais. Como no caso do meio-ambiente, promova formas de tentar tornar seu negócio mais sustentável, por exemplo;

3. Busque inovar na hora de anunciar seus produtos para explorar novas demandas dos consumidores;

4. Desenvolva novos fluxos de receita, alavancando modelos de negócios entre setores;

5. Crie ou utilize ferramentas que permitam detectar de forma mais precisa mudanças na demanda para fazer um melhor planejamento em relação a mão-de-obra, estoque, fornecedores, dentre outros.