Como a tecnologia pode apoiar a saúde mental? - WHOW
Tecnologia

Como a tecnologia pode apoiar a saúde mental?

Com aumento de casos de ansiedade e depressão no Brasil e no mundo, startups desenvolvem ferramentas que ajudam as pessoas a lidar com essas questões

POR Adriana Fonseca | 21/02/2020 10h55 Como a tecnologia pode apoiar a saúde mental? Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76)

A tecnologia abriu uma nova fronteira no apoio à saúde mental. Um exemplo de inovação no setor são os aplicativos de meditação, que alcançaram receita de US$ 195 milhões em 2019, 52% a mais do que no ano anterior, segundo a Sensor Tower.

O Headspace é uma das startups por trás de um dos apps mais famosos nessa área. Fundada em 2012, a empresa inglesa-americana tem uma série de meditações guiadas, além de fornecer conteúdo sobre o tema para as pessoas viverem uma vida menos estressante.

Com esse escopo de atuação, o Headspace conquistou um aporte de US$ 93 milhões neste mês de fevereiro. A rodada série C foi liderada pela Blisce com participação da Waverley Capital e Times Bridge. O dinheiro, diz a startup, será usado para a expansão internacional e para o desenvolvimento do produto Headspace for Work, que oferece ferramentas de bem-estar para empresas. Já são clientes companhias como a rede de cafeterias Starbucks e a rede de hotéis Hyatt. No total 600 empresas já usam o serviço.

Em 2019, o Headspace lançou versões locais de seu aplicativo na França e na Alemanha e contratou um ex-executivo da Apple para assumir a função de head para a Europa e liderar a expansão no Velho Continente. Também no ano passado o Headspace lançou seu app em português brasileiro e em espanhol da América Latina. Hoje, o aplicativo tem mais de 62 milhões de downloads em 190 países e mais de 2 milhões de usuários pagantes.

meditação Foto (Pixabay)

No Brasil, startups democratizam acesso à terapia

Aqui, a saúde mental também vem sendo beneficiada com o auxílio da tecnologia.

Fundada em 2015 por Bráulio Bonotto, mestre em saúde pública com foco em telessaúde, e pelos sócios Edinei Santos, Fabiano Carrijo, Luciene Bandeira e Paulo Justino, a Psicologia Viva oferece atendimento psicológico on-line na América Latina.

Enquanto realizava seu mestrado, Bráulio encontrou estudos comprovando a eficácia da terapia on-line. “Ao começar a desenvolver a ideia, conheci os demais sócios e, juntos, iniciamos o projeto”, conta. Após obter autorização do Conselho Federal de Psicologia, a plataforma começou a operar em julho de 2015. Em 2016, o negócio foi acelerado pelo Seed e, em 2017, participou dos programas Fiemg, Startup Chile e Oxigênio.

Depois disso, a Psicologia Viva foi contratada pela Porto Seguro para oferecer atendimentos on-line via plano de saúde e passou a integrar o time de empreendimentos que recebeu investimentos da Eretz.bio, incubadora de startups do Hospital Albert Einstein.

Com escritórios no Brasil e no Chile, a Psicologia Viva tem em torno de 4 mil psicólogos cadastrados e mais de 400 mil pacientes hoje. “Cerca de 80% dos casos relacionados à saúde mental que levam ao afastamento do trabalho podem ser prevenidos com a orientação psicológica. Nossa experiência mostra que, para a solução ser efetiva, não basta apenas facilitar o acesso à psicologia, mas atuar de forma completa na quebra do estigma social de ia ao psicólogo”, diz Bráulio.

meditação Foto (Unsplash)

Conectividade entre psicólogos e pacientes

Outra startup que atua nessa área é a Vittude. A plataforma que conecta psicólogos a pacientes foi criada em 2016 por Tatiana Pimenta e Everton Höpner. Participou da segunda turma do programa de aceleração do Facebook e Artemisia e do BlackBox Connect, programa de imersão no Vale do Silício patrocinado pelo Google for Startups. Em 2019, foi a única empresa brasileira finalista da premiação internacional Cartier Women’s Initiative Awards, tendo recebido uma premiação de U$$ 30mil. No fim do ano passado, a startup recebeu um aporte de R$ 4,5 milhões para investir na ampliação do Vittude Corporate. A rodada foi liderada pela Redpoint eventures e contou com a participação da Superjobs, venture capital focado em negócios de impacto e de saúde.

A Vittude hoje está presente em mais de 50 países e tem mais de 20 mil usuários e cerca de 3,5 mil psicólogos cadastrados.

“O Brasil é considerado pela Organização Mundial de Saúde como o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo. No entanto, pouquíssimas pessoas acessam o tratamento adequado. A missão da Vittude é justamente reduzir a desinformação e possibilitar que mais pessoas cheguem aos consultórios de psicologia”, diz Tatiana, fundadora e CEO da plataforma.


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