A sustentabilidade e a mobilidade dependem uma da outra - WHOW
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A sustentabilidade e a mobilidade dependem uma da outra

Painel reuniu representantes de diversos modais – de bicicletas à caminhões. Entenda como cada um desses agentes está investindo em sustentabilidade

POR Melissa Lulio | 24/07/2019 18h19 A sustentabilidade e a mobilidade dependem uma da outra

*Fotos Rafael Canuto

A trajetória de um homem pode ser uma metáfora para a transformação de um mercado – ou até mesmo mais de um. É o caso de José Fernando Bastos da Silva Alves, diretor da Vertical de Mobilidade do Estadão, e que foi mediador do painel “O que vem primeiro: sustentabilidade ou mobilidade?”.

O jornalista passou pelo Jornal do Carro e hoje atua em um espaço que surgiu a partir do encerramento desse histórico caderno do Estadão. Hoje, ele fala de diversos aspectos de modais: há formas novas de se movimentar pela cidade, não é suficiente falar apenas sobre o carro, ele reforça.

É por isso que o painel reuniu diversos agentes: Vanessa Souza, gerente de Marketing da Cabify, Tomás Martins, CEO da Tembici, Luiz Eduardo Rielli, sócio-diretor da NOVí Soluções Socioambientais e Patricia Acioli, gerente-executiva de Comunicação da Scania Latin America.

Um exemplo de como existe variedade nesse mercado é a própria Scania, reconhecida pela produção de caminhões, mas que já atuou, por exemplo, na criação de vagões. Atualmente, a empresa tem ações sustentáveis internas e externas.

“Sustentabilidade é o nosso core business”

Patricia Acioli, gerente-executiva de Comunicação da Scania Latin America

“No palco temos uma visão de uma solução para a mobilidade: o multimodal, algo que defendemos no Grupo Estado”, disse o jornalista. “Esse convívio entre sustentabilidade e mobilidade é essencial: são elementos condicionais e complementares, as soluções que poder perdurar são sustentáveis”.

Patrícia concordou e citou uma definição da ONU que afirma que a mobilidade sustentável ter que ser limpa, eficiente e segura. A saída que a Scania encontrou para isso foi o uso de combustíveis alternativos – seja o gás, em um período transicional, ou outras opções menos comuns aos cidadãos.Vanessa, da Cabify, conta que a empresa já começou a fazer compensação de carbono. “Como começamos a atuar com essa estratégia, pensamos nas comunidades ao redor e na fiscalização”, contou. “O fator humano é extremamente importante”.

Como ela comentou, a segurança também é um elemento indispensável para a Cabify. Por isso, a empresa investe em processos que garantem a integridade tanto do motorista, quanto do passageiro e, é claro, aos cidadãos.

O compartilhamento, na visão do mediador, também é um aspecto de destaca. “Quando colocamos o app nas ruas, mostramos que as pessoas não precisam ter um carro na garagem”, afirma Vanessa.

Martins, da Tembici, responsável pelas bicicletas do Itaú Unibanco, contou que houve um aumento do uso das bikes, especialmente pela conveniência.

“O cidadão escolhe esse modal porque ele é barato e rápido”, diz. “Temos diversas ações, até mesmo treinamento de mecânica para refugiados, não por causa de uma área que pensa em sustentabilidade, mas porque esse é o nosso core”.Rielli, com uma visão mais transversal do contexto, colocou uma visão mais complexa: indo além do simples uso de um modal, ele disse que as soluções citadas são positivas, mas ressaltou que é indispensável olhar para a cadeia de produção. A de uma bicicleta elétrica, por exemplo, não é muito positiva. Legalmente, inclusive, ele contou que existe uma responsabilidade compartilhada: todos são responsáveis pelo impacto gerado. “Nós oferecemos um viés de riscos e oportunidades e esses operadores precisam estar atentos a esses aspectos”, argumentou.

Ele comentou ainda que as políticas públicas fazem toda a diferença também. Na Alemanha, os parâmetros são nacionais. Ou seja, a comunicação entre empresas e poder público são mais fluidas – ao contrário daqui. Um mau exemplo citado no painel é a briga pelos patinetes em São Paulo. Com isso, cria-se uma situação de, nas palavras de Rielli, “perde-perde-perde”, ou seja, todos perdem: empresas, governo e cidadãos.

Patrícia contou que a Scania tem o maior portfólio de veículos movido a combustíveis sustentáveis. “Na Alemanha, a Scania teve a ousadia de apresentar apenas veículos que não são movidos a diesel”, comemora. “Talvez a tecnologia tenha o papel de impulsionar a sustentabilidade e de puxar o consumidor para se envolver com esse propósito – a Scania entende isso como uma jornada e não quer percorrê-la sozinha”.



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