Como a SumUp cresceu 14.000% ao apostar no pequeno empresário - WHOW
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Como a SumUp cresceu 14.000% ao apostar no pequeno empresário

Logo que chegou ao Brasil, a empresa alemã viu uma economia pujante ser arrastada para a maior crise da história. E como reza o manual do empreendedor, a SumUp fez da crise a maior amiga da oportunidade

POR Raphael Coraccini | 26/06/2019 14h19 Como a SumUp cresceu 14.000% ao apostar no pequeno empresário Shutterstock

Com textos de Vinícius Gonçalves

Nascida na Alemanha em 2012, a SumUp, fintech de meios de pagamento voltada para micro e pequenos negócios, chegou ao Brasil em 2013 para surfar na onda do pujante crescimento brasileiro, que estava para colocar o País como a quinta maior economia do mundo. Logo no ano seguinte, porém, a economia virou de ponta-cabeça.

Mas a SumUp não sucumbiu às mudanças bruscas nos ventos. Ao contrário. A crise, em vez de levar à ruína as pretensões da empresa no Brasil, catalisou as suas potencialidades.

Em 2017, pela primeira vez, o Brasil viu o número de profissionais autônomos e empresários passar o de trabalhadores com carteira assinada, o que mostra uma mudança profunda no perfil do trabalho. Para muitos brasileiros, empreender tem sido a solução para o desemprego. Nesse cenário, a SumUp cresceu exponencialmente com seu foco em pequenos empreendedores.

O Brasil foi A startup do setor financeiro foi apontada pela revista americana como Inc como a fintech europeia com crescimento mais rápido, batendo 14.368% de crescimento entre 2013 e 2016.

Segundo dados internos, o NPS (Net Promoter Score – metodologia que mede a satisfação de clientes) da SumUp é o triplo da média da indústria. Entre as fabricantes de maquininhas, o NPS da SumUp é o dobro do segundo colocado.Fonte: PNAD-IBGENo Brasil, a base de clientes da SumUp dobra a cada ano e apesar do crescimento das novas tecnologias de pagamento, como as carteiras digitais e os novos gadgets (relógios, smartphones, entre outros), o maior concorrente ainda é o mais tradicional deles. “Nosso maior competidor no Brasil ainda é o dinheiro: 60% das transações são feitas em espécie”, diz Fabiano Camperlingo, CEO da SumUp no Brasil. “Na Suécia o dinheiro quase não existe mais. No Brasil, porém, essa realidade ainda não é tão próxima, o que quer dizer que a indústria como um todo está prosperando mais à medida que as pessoas se habituam a realizar transações por meios eletrônicos”, acrescenta.

Na outra ponta, Camperlingo não tem medo que as carteiras digitais como GooglePay, ApplePay, SamsungPay e as novas soluções desse tipo tornem as maquininhas obsoletas. “Elas representam um setor ainda muito incipiente, que pode acarretar em muitas fraudes e em taxas mais altas. Desse modo, a máquina de cartão segue crescendo bastante, pois ela é mais fácil de manusear e muito mais segura”, garante Camperlingo. “Aceitar cartão via celular, sem máquina, é o equivalente a uma solução/transação de e-commerce. No fundo, existe muito mais risco associado”, completa.

Segundo o executivo, o hardware da maquininha significa apenas custos para a SumUp. Ele garante que, para que o seu modelo de negócios emplaque diante do número cada vez maior de opções de meios de pagamento, precisa vender a máquina com subsídio, o que gera, para a empresa, “um prejuízo a cada compra e exigindo cuidados com logística e manutenção”, explica.

A transação de pagamento tem no hardware apenas uma parte ínfima da operação. Segundo o executivo, o serviço representa 98% do todo. “A SumUp está preparada para um mundo onde a maquininha vai deixar de existir, mas não acreditamos que isso acontecerá nos próximos três ou cinco anos. E em 10 anos, ainda há uma grande possibilidade de que as maquininhas coexistam com outras soluções. Além disso, existe uma grande parte da população que só muda de tecnologia quando a anterior não existe mais”, afirma Camperlingo.

Crescimento no Brasil

Atualmente possui mais de 1 mil funcionários (51% mulheres), 14 escritórios ao redor do mundo e com operações em mais de 32 países. A SumUp está presente desde 2013 com escritório na cidade de São Paulo, empregando mais de 600 funcionários, sendo 24% LGBTI+. Seus principais investidores são Groupon, BBVA, Holtzbrinck Ventures e American Express. Em abril de 2016, a SumUp uniu forças com a payleven e aumentou ainda mais sua presença de marca, principalmente no Brasil. Em 2017, foram realizadas quase 200 contratações, o que aumentou o quadro funcional em 91%.

“Quem sai ganhando é justamente esse público, que poderá buscar por uma opção mais atraente e competitiva, especialmente quanto às taxas a serem pagas e valor de aluguel cobrado. No entanto, é essencial que esse dono de negócio esteja atento e pesquise muito antes de fazer sua escolha, pois os anúncios nem sempre são claros e transparentes quanto às condições. Há taxas mais baixas ou isenções de aluguel que, quando lemos nas entrelinhas, percebemos que só são válidos para empreendedores que faturam muito ou possuem conta num determinado banco, por exemplo”, diz o CEO da Sumup.


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