Sua empresa pode criar uma moeda digital e financiar a própria solução  - WHOW

Eficiência

Sua empresa pode criar uma moeda digital e financiar a própria solução 

Segundo a Investing.com, existem cerca de 5100 moedas no mundo, movimentando uma média por dia de cento e quarenta e sete bilhões de dólares, com um crescente volume exponencial.

POR Redação Whow! | 13/05/2021 18h04

*Por Sérgio da Silva, CEO da Galgar Brasil

Nos últimos anos, assuntos relacionados a aplicabilidade da tecnologia blockchain vem sendo destaque quando falamos sobre o futuro tecnológico, e não é para menos, estamos diante de uma crescente oportunidade que promete render muitas novidades, e que ainda nem foram pensadas pelas mentes geradoras de disrupção.

 Este artigo reserva para você um assunto pouco comentado, mas muito aplicado em projetos ainda em sua fase de ideação, indo totalmente contra a forma tradicional de captação de investimentos praticados hoje pelos maiores fundos de Venture Capital do mundo. Talvez muita gente ainda não esteja preparada para este assunto, e eu compreendo, pois, o senso de insegurança sempre caminha junto com a desinformação provocada pela alta velocidade evolutiva das coisas, principalmente das tecnologias e das comunidades de desenvolvedores pelo mundo.

Existem indícios de que a crioptografia começou a ser discutida abertamente na década de 1980, quando o Dr. David Chaum começou a publicar sobre o uso da criptografia para a segurança e o anonimato dos indivíduos, sua ideia foi bem aceita pelo movimento na época intitulado “cyberpunk“, que passaram a levantar a bandeira em prol de uma nova maneira de observar as transações financeiras descentralizadas, pautando suas ideias em artigos como: Security without Identification, Card Computers to make Big Brother Obsolete, onde David Chaum transmite ideias sobre o futuro e sobre como a criptografia pode favorecer a autonomia e a liberdade humana.

Mas qual o motivo desse preâmbulo? Talvez seja para amenizar as dúvidas sobre o surgimento desta dinâmica financeira disruptiva que veremos na sequência.

 E se eu te disser que existem índios brasileiros que já entenderam o uso dos criptoativos em benefício da sua independência e da evolução de sua aldeia?  Estou me referindo aos Suruí Paiter e os Cinta Larga, duas aldeias localizadas entre os estados de Rondônia e o Mato Grosso, que durante a pandemia desenvolveram a moeda chamada Oyxabaten (OYX), que promove a distribuição de recursos financeiros através de doações e vendas de artesanatos apenas usando a moeda própria, que transaciona em rede blockchain, livre de impostos e tributos.

Segundo a Investing.com, existem cerca de 5100 moedas no mundo, movimentando uma média por dia de cento e quarenta e sete bilhões de dólares, com um crescente volume exponencial.

Criar uma moeda própria para levantar recursos para o desenvolvimento de uma startup é a nova maneira de aplicar o já difundido financiamento coletivo, conhecido como crowdfunding, a diferença é que ao criar uma moeda e iniciar o processo de “tokenização” a startup deve ir gerando valor e ir se relacionando com a comunidade de early adopters, que confiaram na proposta de valor e investiram através da compra do token. Expressar a evolução para aqueles que compraram volumes de moedas e guardaram em suas carteiras, faz com que os investidores não queiram vender, fazendo o preço da moeda subir, atraindo ainda mais investidores que podem fazer trades e transacionar com outros criptoativos disponíveis, podendo retirar lucros em curto e médio e longo prazo. 

Por mais incrível que pareça, projetos ainda no papel levantam milhares de dólares para realizar o desenvolvimento inicial da startup através do método de lançamento chamado ICOs (oferta inicial de moedas), e grande maioria dos criptoativos que vemos circulando nas corretoras possuem soluções que ainda estão saido do papel. Difícil acreditar que alguém investe em algo com tão pouca estrutura e histórico de sucesso, mas investe, e muito, diferentemente de uma rodada de investimentos “tradicionais” aonde os investidores precisam de uma série de informações como NPS, CAC, LTV, MMR, ARR, BURN RATE, além de todo o respaldo jurídico para a investida.

No final das contas o que podemos perceber é uma emergente simbiose, que busca promover a junção de dois mundos: a captação de investimentos que navega no ecossistema de inovação por meio das startups, e o mundo cripto, tão comentado no momento por promover ganhos financeiros expressivos nos últimos anos, favorecendo a movimentação de capital para o financiamento de projetos promissores. 

Quem empreende sabe como o começo é difícil, afinal, a primeira volta da roda é a mais pesada, e a tokenização do projeto ainda no começo pode garantir um início mais aliviado, com grana suficiente para os meses árduos de desenvolvimento, tudo bem que tudo ainda é muito complexo, recente e pouco intuitivo, mas estamos vendo o surgimento de um novo método de captação de recursos, que por si só possui muitas vantagens, e que segue em ritmo de crescimento exponencial no universo do empreendedorismo.

 

*Sérgio da Silva é empreendedor e investidor, especialista em projetos de inovação, entusiasta no universo dos criptoativos, realiza pontes entre startups e investidores apoiando programas de aceleração de hubs de todo brasil.