Steve Blank: "Empreendedores veem o que outros não conseguem" - WHOW
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Steve Blank: “Empreendedores veem o que outros não conseguem”

O “pai do empreendedorismo moderno” acredita que os empreendedores brasileiros ganharam uma chance para internacionalização com a pandemia

POR Eric Visintainer | 12/03/2021 15h30 Steve Blank: “Empreendedores veem o que outros não conseguem” Imagem: reprodução Tecnopuc

Durante uma palestra para a Tecnopuc, o parque científico e tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, o “pai do empreendedorismo moderno”, e quem lançou as bases para o movimento do Lean Startup, Steve Blank, comentou que fundadores de startups são como artistas.

Para o norte-americano estes empreendedores veem e escutam o que outras pessoas não conseguem, por isso possuem características artísticas. Além disso, eles não criam apenas obras-primas, precisam também se reerguer e se motivar para sair de um fracasso por meio da paixão que possuem, na visão de Blank.

A matéria do acadêmico, que é professor adjunto em Stanford e pesquisador sênior em Inovação na Columbia University, na capa da Harvard Business Review em maio de 2013 mudou o cenário global de como as grandes empresas podem inovar com mais agilidade.

Quando Blank começou a falar sobre o mundo das startups, há 25 anos, ele descreve que era um período em que os empreendedores destas novas empresas, assim como os investidores, as viam como pequenas parte de outras companhias. Logo, as grandes empresas queriam que as startups tivessem um plano pré-definido de cinco anos, implementariam o sistema de cascata e tudo escrito no plano de negócio deveria ser fidedigno.  “E descobrimos que não era verdade. Elas [as startups] surgiram para pesquisar modelos de negócios”, disse o autor dos livros Do Sonho À Realização Em 4 Passos – Estratégias Para Criação de Empresas de Sucesso e Startup: Manual do Empreendedor.

Como saber se uma ideia terá sucesso?

O também empreendedor, criador de oito startups, foi perguntado por membros da PUC-RS como e se é possível saber quando uma ideia tem potencial, e respondeu focando no que o público-alvo pensa: “Os seus consumidores pensam que esta é uma boa ideia? As pessoas te abordam antes de você sair para usarem o seu produto?”

Blank ainda comentou que a metodologia Customer Development foi desenvolvida enquanto atuava dentro de uma empresa, por achar a relação B2B mais fácil, uma vez que, segundo ele, é necessário entender que existem poucas formações para as empresas: organizadas por funções, organizadas por divisões e as que são uma mistura para um projeto específico. “Então você pode identificar quem são os usuários, os decisores, e os sabotares, quando se entende o tipo da companhia. Assim, precisa conhecer para quem está vendendo, como entrar na empresa e descobrir um processo repetível para escalar”, contou.

Steve Blank enxerga na pandemia uma forma mais prática para a validação

Já sobre a pandemia e a sua influência na possibilidade dos negócios escalarem, o especialista afirmou que o método Leanfunciona de cinco a dez vezes melhor usando uma transmissão em vídeo. “Você pode fazer mais entrevistas sentado na sua casa. Mas isso também diminui a possibilidade de fazer uma leitura do local em que a pessoa entrevistada se encontra. Os empreendedores também podem criar demonstrações em vídeos pré-gravados, em vez de uma demonstração presencial”, disse.

Apesar da barreira da língua falada no Brasil e do mercado grande o suficiente para que uma startup foque apenas internamente e não explore a possibilidade global do negócio, Blank analisou que a pandemia favoreceu os empreendedores nacionais com o mundo se comunicando por vídeo e encurtando as barreiras. “Eu acho que estas mudanças serão permanentes. E agora as startups brasileiras estão mais globais do que antes”, completou.

Ao final, o “pai do empreendedorismo moderno” destacou há importância de se ensinar o empreendedorismo para as mais diversas pessoas, mesmo que nem todas pensem em criar os seus próprios negócios. Desta forma as universidades poderão encorajar quem já tem este intuito e os demais farão parte da sociedade que vai saber apreciar o quão trabalhoso é empreender, assim como o processo de um artista para criar a sua obra-prima.

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