Startups brasileiras inovam em acessibilidade para pessoas com deficiência - WHOW
Consumo

Startups brasileiras inovam em acessibilidade para pessoas com deficiência

De solução para cegos no supermercado a aplicativo de tradução de Libras, o país desponta em acessibilidade e inclusão

POR Gabriely Souza | 16/09/2019 17h19 Startups brasileiras inovam em acessibilidade para pessoas com deficiência Foto Shutterstock

No Brasil são 45,6 milhões de pessoas, quase 24% da população brasileira, com algum tipo de deficiência, de acordo com o último Censo de 2010. Através da tecnologia e inovação, startups nacionais têm despontado em acessibilidade e inclusão e têm ganhado reconhecimento internacional.  

“Quem quer trabalhar com um público específico, deve conhecer o cliente que será atendido. Entender de verdade qual é a dor desse cliente para oferecer algo que irá realmente ajudar essas pessoas e não somente o que o empreendedor acha que vai ser útil ou importante para seu cliente”, afirma Débora Serejo Mariano, analista da instituição de apoio aos pequenos negócios e gestora de Sustentabilidade do Sebrae Mato Grosso do Sul, ao Whow!. 

Acessibilidade Foto Shutterstock

Plataformas de acessibilidade

Para atender a uma população de mais 10 milhões de surdos no país, o HandTalk, plataforma de tradução automática para Libras, a Língua Brasileira de Sinais, saiu da universidade para os celulares de pessoas com surdez, através do Hugo, um intérprete virtual. Em 2013, a solução foi premiada pela ONU como o melhor aplicativo de inclusão social no mundo.

O personagem Hugo foi criado pelo CEO e cofundador da startup alagoana, Ronaldo Tenório. Em 2008, enquanto estudante de comunicação, Tenório desenvolveu um projeto dentro da universidade que seria um modelo de negócio com algum impacto social.

Ao saber que 80% de todos que têm surdez no mundo têm dificuldades com as línguas orais de seus países, percebeu que tinha poucas tecnologias assistivas voltadas para surdos,  diferentemente de cegos, que já tinham auxílio nesse sentido.  O projeto ficou engavetado por alguns anos, e depois Tenório juntou-se a Carlos Boderlan e Tadeu Luz, e deram forma à empresa. 

A plataforma tem dois produtos: o aplicativo HandTalk, que traduz, simultaneamente, em texto e voz a Libra; e também o tradutor de sites, um produto corporativo que faz a tradução de texto e das imagens com texto alternativo dos sites das organizações. A startup fez parcerias com empresas como a Azul e o banco BMG.

“A BMG e a Azul foram duas empresas sensíveis a isso, que há uma população que não tem acesso a um conteúdo por não compreender a língua de sinais”, afirma João Vitor Bogas, gerente de marketing da empresa. 

O Hand Talk pretende ampliar seus serviços para outras línguas. A startup foi a única brasileira dentre 20 selecionadas pelo desafio Google AI Impact, de inteligência artificial para soluções de impacto social. Após o feito, a empresa recebeu um aporte de US$ 750 mil.

“Estamos recebendo mentoria do Google e nossa meta é que no começo do ano é lançar o aplicativo na língua americana de sinais”
João Vitor Bogas, gerente de marketing da empresa

Acessibilidade Foto Shutterstock

Como conseguir investidores?

Para Débora, a abordagem para atrair investidores acaba sendo realizada pela sensibilização do tema da acessibilidade em si.

“Quando o investidor compreende que com a acessibilidade, aquele negócio se torna usual para qualquer pessoa, com ou sem deficiência, então o investimento fica interessante”

Débora Mariano, gestora de Sustentabilidade do Sebrae

Assim como o Google e aceleradoras, o Living Lab–um projeto colaborativo iniciado pelo Sebrae MS, em parceria com 42 instituições públicas e privadas,–têm como objetivo desenvolver ideias inovadoras no Mato Grosso do Sul.

Ainda em fase inicial, o professor Thiago Almeida, atendido hoje no Living Lab MS, está criando a 4 All Technology, que pretende criar um aplicativo para ajudar pessoas com deficiência visual a utilizarem o supermercado.

Por lei, os estabelecimentos comerciais devem destinar uma pessoa para atender quem tem deficiência, o que não ocorre na prática. Com isso, o professor que trabalha em uma escola estadual sul matogrossense, pensou em criar um sistema com código de barra, no qual com o uso da voz o usuário encontraria o produto. 

“Boa parte da população sequer tem conhecimento de uma norma que regulamenta a acessibilidade”, afirma Débora.  Para ela, faz-se necessário a implantação de políticas públicas para disseminação da legislação e fiscalização de sua aplicação. “Nossa legislação é abrangente, é completa, mas as iniciativas para garantir a utilização dos direitos e aplicação da lei, ainda estão em andamento.”


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