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Conheça startups que estão redesenhando a mobilidade no Brasil

Economia compartilhada e energia limpa são os principais pilares dessas empresas de mobilidade, que buscam mudanças no comportamento dos consumidores

POR Luiza Bravo | 19/03/2020 11h24 Conheça startups que estão redesenhando a mobilidade no Brasil Foto ilustrativa Scott Webb (Pexels)

A indústria automotiva vem passando por transformações intensas nos últimos anos, impulsionada pela importância crescente dada às questões da mobilidade urbana.

Os conceitos estão mudando: cada vez menos jovens têm o sonho do carro próprio, em parte devido aos congestionamentos cada vez piores, e em parte por causa da preocupação com o meio ambiente, que tem levado à busca por meios de transporte mais limpos e baratos.

Nesse contexto, surgem startups com o objetivo de remodelar a mobilidade urbana, oferecendo soluções que se adaptem a esse novo consumidor que está surgindo. A base de muitas é a economia compartilhada, impulsionada em grande parte pela crise econômica global de 2008. No Brasil, algumas já se destacam.

Startups brasileiras de mobilidade urbana

Turbi

De acordo com a corretora britânica CarFinance247, o Brasil é um dos 10 países mais caros para se comprar e manter um carro, com altos valores de impostos, seguro e depreciação. Foi a partir daí que surgiu a Turbi, uma startup de compartilhamento de carros.

Pelo celular, o motorista se cadastra com seus dados, desbloqueia o veículo e sai dirigindo. Os carros ficam estacionados em estações próprias, espalhadas por vários bairros de São Paulo, e são todos automáticos.

“A Turbi surgiu da ideia de que as pessoas devem ter liberdade. Liberdade para se mover de um local para o outro sem a necessidade de ter um carro, que é um ativo caro e que passa mais de 90% do tempo ocioso. Hoje, a nossa frota tem cerca de 60% do tempo diário em uso, ou seja, através do compartilhamento conseguimos dar muita utilidade para um ativo de mais de uma tonelada”, conta o Chief Growth Officer Luiz Alberto Bonini

Os valores para alugar os veículos variam de R$ 8 a R$ 35 por hora. De acordo com Bonini, o uso por demanda é ainda mais vantajoso para quem ocupa o carro por menos de duas horas por dia ou precisa fazer viagens acima de 10km, já que nesses casos o valor das corridas por aplicativo fica muito alto, e o processo de aluguel de carros pelo modelo tradicional é burocrático. Hoje, a startup conta com mil carros e 45 mil clientes, que já fizeram cerca de 150 mil viagens utilizando a plataforma.

mobilidade Foto (Turbi)

Riba Share

Outra startup brasileira baseada no modelo de economia compartilhada é a Riba Share, criada em 2018. Pelo aplicativo da empresa é possível alugar scooters.

O usuário precisa apenas fazer um cadastro rápido com os dados da CNH e aguardar a liberação da motocicleta, que acontece em poucos minutos. 

Assim como as bicicletas e patinetes, as scooters podem ser pegas e deixadas em qualquer lugar, desde que seja permitido estacionar. As motos contam com tecnologia de monitoração em tempo real, para evitar ataques de vândalos.

Tembici 

A empresa foi criada em 2009, a partir do projeto de graduação de três estudantes de engenharia da Universidade de São Paulo, o Pedalusp. O projeto tinha como objetivo conectar a universidade à estação de metrô Butantã e, com 16 bicicletas, chegava a realizar 250 viagens por dia.

Hoje, a empresa é líder de micromobilidade na América Latina, e está presente em 14 cidades brasileiras, além de Buenos Aires e Santiago.

Apesar da recente crise no setor de bikes e patinetes compartilhados (a Lime encerrou suas operações no Brasil e a Grow anunciou, em janeiro, que iria reduzir sua operação no país), a Tembici continua em expansão. Os usuários realizaram 22 milhões de viagens em 2019, um crescimento de 141% em relação ao ano anterior.

Além disso, também está investindo em bicicletas elétricas e em projetos de infraestrutura e serviços de gestão de bicicletários em espaços públicos e privados.

O CEO da Tembici, Tomás Martins, destaca a importância de remodelar a mobilidade urbana no Brasil. 

“As cidades e suas políticas públicas sempre receberam investimentos em infraestruturas para veículos, como pontes, viadutos e túneis. No entanto, 70% da população se locomove utilizando outros modais que não o carro,” diz. “Alterar essa lógica de uso do espaço público é fundamental para que as pessoas se desloquem de forma mais eficiente nas cidades.”

mobilidade Foto (Tembici)

Carbono Zero

A Carbono Zero foi criada em 2010 para oferecer um serviço de entregas “limpas”. A empresa começou com apenas duas bicicletas. Hoje, são quase 300 “magrelas”, além de veículos elétricos, como motocicletas e furgões.

O sócio e gestor da Carbono Zero, Leonardo Lorentz, diz que a ideia de montar a empresa surgiu ao perceber que havia demanda para entrega de documentos e produtos de forma rápida, mas sem a emissão de poluentes.

A Carbono Zero foi criada em 2010, com o ‘singelo’ propósito de melhorar o mundo. Só em São Paulo, segundo a USP, morrem dez pessoas por dia por causa de problemas pulmonares causados pela poluição. E como a poluição daqui não é de queimadas ou usinas, mas do trânsito, podemos dizer que nosso trabalho ajuda a salvar vidas”, explica.

A empresa já atendeu grande companhias como Natura, Cacau Show e Grupo Fleury. Os entregadores da Carbono Zero já percorreram o suficiente para dar 166 voltas no planeta, evitando a emissão de 847 toneladas de CO2.

mobilidade Foto (Carbono Zero)

Sami Energia

A Sami Energia desenvolve packs de bateria de lítio, com gerenciamento eletrônico, de modo a otimizar seu uso e tempo de vida útil. Através de machine learning, a plataforma identifica comportamentos inesperados nas baterias e emite alertas antes que os problemas, de fato, surjam.

No caso de carros elétricos, o sistema desenvolvido pela startup é capaz de identificar o melhor horário para que as baterias sejam carregadas, otimizando o processo em termos de tempo e de custo para o consumidor.

A tecnologia já foi instalada em caminhões, carros, motos, karts e pequenos veículos elétricos. Também pode ser usada em antenas de telecomunicação, barcos, trens, metrôs, entre outros.

Cittamobi

O aplicativo Cittamobi, por sua vez, foca em soluções para o transporte público em todo o Brasil. Criado em 2014 pela Cittati, o app oferece funcionalidades como localização e horário de chegada dos ônibus, trajetos, pontos de parada e recarga dos cartões de transporte. Mais de 13 milhões de pessoas já baixaram o aplicativo, que está disponível em 300 cidades.

“Hoje, no Brasil já são mais de 200 milhões de smartphones. Não faz sentido uma pessoa ficar no ponto de ônibus esperando por mais de 20, 30 minutos, enquanto poderia estar na sua casa e apenas sair quando o ônibus está a 5 minutos de distância”, diz Fernando Matsumoto, representante de Produto e Novos Negócios no Cittamobi.

Os usuários do aplicativo também têm acesso a ofertas de empregos de acordo com a sua localização, e podem utilizar a plataforma para denunciar crimes que acontecem dentro do transporte público.

Agora, a empresa quer levar a tecnologia para as prefeituras, para expandir sua atuação e tornar o aplicativo mais eficiente.

kainos carrefour


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