Gig economy deve crescer 123% em cinco anos, segundo pesquisa - WHOW
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Gig economy deve crescer 123% em cinco anos, segundo pesquisa

Com a popularização dos aplicativos de serviços rápidos, os trabalhos independentes tomaram um novo formato, e se tornaram um mercado de US$ 204 bilhões

POR Carolina Cozer | 06/12/2019 09h00 Gig economy deve crescer 123% em cinco anos, segundo pesquisa

O que é Gig economy? O nome parece complicado, mas com certeza você conhece o conceito por trás deste sistema. Se tratam dos novos modelos de trabalho terceirizados, como motoristas e entregadores de aplicativos, revendedores de cosméticos, hóspedes de Airbnb ou freelancers, por exemplo. São os famosos “bicos”, ou trabalhos sem vínculo empregatício.

Com a popularização dos aplicativos de serviços rápidos, os trabalhos independentes tomaram um novo formato, e se tornaram um mercado de US$ 204 bilhões, segundo a Mastercard. Ao mesmo tempo, são discutidos os problemas éticos envolvidos em modelos de trabalho sem vínculos e direitos legais.

Startups influenciam o movimento

Trabalhos independentes e temporários estão em ascensão em mercados desenvolvidos ou emergentes. De acordo com a TechCrunch, e uma pesquisa da OECD Data, 2,7 bilhões de pessoas no mundo estão em algum tipo de atividade profissional cujo salário seja baseado em hora ou serviço prestado em vez de contratos fixos.

Serviços de transporte lideram o setor, com 58% do capital bruto mundial vindo deste segmento.

Entre as principais startups da indústria encontramos alguns dos unicórnios mais populares do Brasil ou do mundo: Uber, Airbnb, 99, Rappi, Deliveroo, Lyft, iFood e Loggi.

Juntas foram responsáveis pela grande transformação do setor, trazendo novas formas de oferta e modelos de trabalho para profissionais que buscam oportunidades de renda ou prestação de serviços independentes.

gig economy Foto Marat Mazitov (Unsplash)

Opção para gerações Millennial e Boomer

Não é surpresa para ninguém que, no Brasil, a gig economy atrai um enorme número de trabalhadores por representar a única fonte de renda disponível para a subsistência. Contudo, algumas pesquisas apontam informações complementares sobre os hábitos dos trabalhadores de “bicos”.

De acordo com a Fast Company, este modelo de contratação tem se mostrado bastante popular entre pessoas de gerações mais velhas, que encontram dificuldade para conseguir trabalho ou se aposentar. Dirigir para aplicativos ou efetuar entregas acabou se tornando uma opção viável de obtenção de renda em um mercado que já não apresenta mais as mesmas ofertas de antigamente.

Da mesma forma, as gerações mais jovens se beneficiam deste modelo econômico por poderem flexibilizar seus horários de trabalho. Membros das gerações Y e Z estão começando a formar ou consolidar suas identidades profissionais, e possuem valores mais flexíveis e com menos foco nos antigos moldes de trabalho. Este viés leva muitas pessoas a buscarem alternativas autônomas e personalizáveis para suas carreiras.

Para estudantes, a gig economy funciona como uma fonte de renda sem exigência de experiências prévias, mas com ganhos que podem ultrapassar os tradicionais estágios ou sistemas de jovem aprendiz.

gig economy Foto Brett Jordan (Unsplash)

Vantagens e desvantagens para o profissional

De acordo com a Investopedia, portal americano de análise e ensino de finanças, a gig economy pode ser benéfica para trabalhadores, empresas e consumidores, tornando o trabalho mais adaptável às necessidades do momento, que demandam estilos de vida flexíveis.

Ao mesmo tempo, pode ter desvantagens devido à erosão das relações econômicas tradicionais entre trabalhadores, empresas e clientes, dificultando o desenvolvimento integral dos funcionários em suas carreiras.

Para alguns trabalhadores, a flexibilidade excessiva dos serviços independentes tende atrapalhar o equilíbrio entre vida profissional, padrões de sono e atividades do cotidiano, além dos custos de manutenção das ferramentas de trabalho poderem não ser tão compensadoras.

gig economy Foto Shutterstock

Alex Wilken, motorista dos aplicativos Uber, Cabify e 99, que dirige pelas ruas de Belo Horizonte, conta que começou a trabalhar no segmento há cerca de três anos, quando a empresa na qual trabalhava decretou falência. Para ele, há vantagens e desvantagens neste novo modelo de serviço.

“A experiência [de trabalhar com aplicativos] a princípio é boa. O ponto positivo é que você trabalha a hora que quiser; o negativo é que, com os valores extremamente baixos, se o motorista não souber cuidar do carro, ou não for extremamente cauteloso, tendo controle de gastos e fluxo de caixa, ele vai sucatear o seu material de trabalho”, explicou ao Whow!.

A bolha de trabalhadores também é um ponto observado por Alex, que se sente prejudicado pela discrepância entre oferta e procura dos serviços.

“Pela quantidade de gente que tem rodando pelas ruas de Belo Horizonte, tem dias em que o movimento acaba sendo extremamente baixo.”

Ele vê, contudo, o futuro do setor com algum otimismo, mas, mesmo assim, se sente desanimado com a realidade dos trabalhadores com mais de 50 anos.

“O futuro para mim ainda é um pouco obscuro. Tenho esperança de que a classe se organize e chegue ao nível dos taxistas. Acredito que isso vai chegar a acontecer, a médio prazo. Mas as pessoas estão desunidas. Infelizmente, se você tem 50 anos, já fica privado de conseguir um trabalho que consiga cuidar da sua família”, comenta

Projeções futuras

O relatório da Mastercard aponta um crescimento projetado de 123% em cinco anos para a área de gig economy, e uma série de tendências sociais, econômicas e tecnológicas que estão impulsionando a expansão hoje que e continuarão a estimular o desenvolvimento da indústria no futuro.

Até o final de 2023, estima-se que a gig economy movimente US$ 455 bilhões no mundo. Já os serviços baseados em transporte devem liderem uma margem significativa da indústria, seguidos pelo compartilhamento de acomodações, como o Airbnb.


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