Investidores o que as startups fazem para chama a atenção
Tecnologia

O que as startups precisam fazer para chamar a atenção dos investidores?

O “Q.I.” (Quem Indica) aparece como uma das principais formas para o primeiro passo no relacionamento de um investimento

POR Eric Visintainer | 15/10/2020 14h06

A trajetória dos empreendedores no Brasil não é fácil. E com o número crescente — 2020 pode terminar com 53,4 milhões de brasileiros no setor, chegando a 1/4 da população do país, segundo pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) — a competitividade está cada vez mais ardida por novos clientes e crescimento rápido e contínuo, principalmente nas startups.

Uma das formas de ter um maior alcance é através da participação de investidores, sejam eles no formato de investimento-anjo, venture capital, corporate venture capital, venture debt, entre outros. Mas o que as startups precisam demonstrar para atrair o interesse deste grupo? Para descobrir esta e outras respostas, o Whow! conversou com executivos da Redpoint eventures e GVAngels. E ambos deixaram alertas para os empreendedores.

Estágio mínimo para a startup receber investimento

“As startups começam a chamar a atenção a partir do momento que elas nascem. E no início os investidores vão ser quem conhece o empreendedor, pois sabem do que o profissional é capaz. E nos próximos passos podem surgir investidores mais institucionais”, conta Rodrigo Baer, sócio da Redpoint eventures. Segundo ele, os investidores institucionais analisam o que já foi construído e como foi o desenvolvimento do produto, se o negócio coletou feedbacks sobre o produto junto com os clientes e como formou o time.

Na visão do diretor-executivo do GVAngels, William Cordeiro, o melhor momento para se buscar um investidor é no momento em que o negócio não precisa de dinheiro. “Por mais contra-intuitivo que pareça, investidores gostam de ver tração, vendas, domínio das principais métricas da empresa antes mesmo do primeiro cheque. Por isso, se possível — em alguns casos isso é inviável — comece sua jornada no bootstrapping — cresça com sua geração de caixa”, comenta.

William também acrescenta a importância de se ter uma boa gestão do captable da startup e fugir de pouco dinheiro e muito equity diluído.

“No momento que investimos, gostamos de empresas que estão com o produto funcionando, primeiros clientes, por volta de R$ 20.000 mínimo de receita mês, time full-time e atuação em mercados expressivos. Somos agnósticos de setor, mas não investimos em negócios B2G. O cheque do GVAngels hoje é de até R$ 1 milhão, em troca de 10% a 15% do equity da empresa”, diz.

Contato com os investidores

investidores Foto (Pixabay)

O “Q.I.” (Quem Indica) aparece como uma das principais formas para o primeiro passo no relacionamento com os investidores. Tanto William quanto Rodrigo apontam esta forma como o modelo ideal.

Para o contato, segundo Rodrigo, a melhor forma é através de uma recomendação para conversar com os investidores, uma vez que estes recebem um grande número de contatos, o que impossibilita analisar com frieza em quais investimentos focar. “Se prioriza os investimentos nos quais se tem a maior chance de converter. E alguém de recomende e conheça o investidor para esta recomendação, é uma boa sinalização pois esta pessoa já sabe o que o investidor está procurando, conhece o estilo e sabe que a empresa pode ter um bom fit“, explica o executivo.

Além deste formato, William descreve que o GVAngels utiliza outra duas formas de contato. “A segunda forma é através do nosso site. Caso o negócio faça sentido com nossa tese, enviamos um e-mail para marcar uma call comigo ou algum analista. Caso a empresa não tenha aderência, enviamos um e-mail com feedbacks. E a terceira forma é através da nossa prospecção proprietária”, diz. Ele ainda acrescenta uma dica: “evite e-mails diretos”.

Outro ponto essencial que o empreendedor precisa ter na conversa com investidores é o foco em impressioná-los: “A qualidade do material, clareza do pitch a facilidade de comunicação e números ajudam o investidor e priorizar a sua oportunidade versus as outras que ele esteja olhando”, explica o sócio da Redpoint eventures.

Alinhamento de interesses

Para Rodrigo deve existir uma clareza nos diferentes posições de atuação dos investidores e dos empreendedores. E é preciso entender os interesses e as motivações do investidor antes de assinar o contrato.

“Um fundo de venture capital precisa de um retorno completamente desproporcional nos deals que dão certo. Na hora que se aceita o dinheiro de um fundo de venture capital, é preciso entender que o lifestyle business que o empreendedor tem para crescer de forma mais lenta e ter uma vida confortável, não é o que o fundo busca. O fundo está a procura de negócios que cresçam muito rápido para ficarem enormes”, comenta.

O executivo complementa que os fundos olham para saídas de milhões de dólares. E ele ainda deixa um recado, de que esta parceria, entre startups e investidores, só vale a pena se os empreendedores quiserem tornar os seus negócios enormes, do contrário o venture capital pode se tornar um caminho ruim.

Já William deixa um exercício para os brasileiros empreendedores:

  • Faça uma lista de dez potenciais investidores que você gostaria de ter no seu captable;
  • Ordene de forma que os preferidos fiquem por último e comece a contá-los; e
  • Você coleta feedbacks úteis para conversar com os seus potenciais investidores.

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