Startup noodle oferece crédito e conta digital a profissionais da indústria criativa - WHOW
Eficiência

Startup noodle oferece crédito e conta digital a profissionais da indústria criativa

Fintech validou seu negócio no setor musical, recebeu aporte milionário e já mira expansão para outras áreas da indústria criativa

POR Marcelo Almeida | 24/11/2021 22h44 Startup noodle oferece crédito e conta digital a profissionais da indústria criativa

Embora existam diversos setores específicos da economia que têm bancos dedicados, um que ainda não tinha era o da indústria criativa, formada por artistas, designers, publicitários e artesãos dos mais diversos gêneros.

Para preencher esse vazio, Igor Bonatto decidiu fundar a startup noodle, fintech que funciona como um banco digital para profissionais de áreas como música, teatro e cinema. De acordo com a empresa, trata-se da primeira solução do mundo especializada no setor Entre 2017 (ano de fundação) e 2021, a startup já ofereceu mais de R$3 milhões em crédito.

Bonatto, que também é o CEO da startup, conta que a ideia da noodle surgiu quando atuava como cineasta. “Trabalhei durante dez anos na indústria criativa e acompanhei as dificuldades enfrentadas para tirar um projeto do papel. Muitos projetos eram engavetados pela falta de captação de recursos”, relata Igor.

Em 2017, portanto, a noodle surgiu como uma facilitadora para democratizar o acesso a financiamento, mas em 2021 a startup passou a ampliar seu espaço no mercado de fintechs com o aporte de R$1,5 milhão que teve a participação da Honey Island Capital, empresa de venture capital especializada em fintechs.

A sócia da Honey Island, Mariana Foresti, afirma que a experiência dos sócios no mercado criativo foi decisiva para o aporte.

“Na Honey Island a gente valoriza muito o contato com os empreendedores durante o processo de negociação e, desde a nossa primeira conversa, os sócios da noodle demonstraram muita segurança no negócio. O fato de todos serem profissionais com experiência na indústria criativa e no mercado financeiro fez total diferença na nossa decisão de investir”, conta Mariana.

Comportamento financeiro diferente

Uma das principais barreiras para esse tipo de cliente, segundo Igor, é que os profissionais da indústria criativa costumam ter um comportamento financeiro diferente dos profissionais de segmentos mais tradicionais. “Muitas vezes, não têm as garantias que os bancos tradicionais exigem para o crédito”, afirma Igor.

Para garantir agilidade e segurança na operação, a startup desenvolveu uma plataforma de inteligência que monitora milhares de artistas e com isso monta seu score de crédito.

Atualmente, o foco da noodle é o mercado musical, sendo que a demanda está concentrada nas regiões sul e sudeste do Brasil. No entanto, já existem planos de internacionalização e de expansão para todas as áreas da indústria criativa.

“Iniciamos a operação com a música por conta da pulverização desse mercado. Para se ter uma ideia, diariamente são lançadas mais de 40 mil músicas no Spotify. O objetivo é validar a operação para, em seguida, expandir às outras áreas da indústria”, diz Igor.

Na carteira de clientes, a noodle conta com nomes como Johnny Hooker, Nill e Vespas Mandarinas e os financiamentos vão de R$1,5 mil a R$750 mil. “Nosso objetivo é apoiar profissionais da indústria criativa no que for necessário para que possam trabalhar com arte. Seja para pagar o aluguel em um mês em que as coisas não correram como esperado, seja para viabilizar um novo projeto”, afirma Igor.

Além de democratizar o acesso, a noodle também tem o objetivo de agilizar os processos. Por isso, um pedido de financiamento que poderia levar meses para ser respondido pelos caminhos tradicionais, leva em média dois dias na fintech.

R$10 milhões em financiamentos

Depois da primeira rodada de investimento, a startup teve uma aceitação tão grande no mercado que, nos próximos seis meses, irá disponibilizar R$10 milhões para financiamentos a profissionais da indústria criativa. Os recursos para os empréstimos são produto da parceria com o Fundo Raízes, que oferece soluções de crédito para pequenas e médias empresas.

Além da parceria para financiamentos de artistas, a empresa também já firmou parceria com a startup de gestão de eventos Sympla, para financiar shows de artistas e ajudar na retomada do setor pós-pandemia. As parcerias são a aposta da startup para ganhar escala com agilidade e segurança.

Com as novas ações em andamento, a fintech registra crescimento de 30% ao mês no tamanho da carteira. A fintech investe na experiência simples, intuitiva e segura para fidelizar os usuários. No aplicativo, além das funcionalidades tradicionais, o usuário pode acompanhar seus resultados nas plataformas de streaming.

“Muitas vezes, a pessoa deixa de pagar uma conta ou entra no vermelho porque não acompanha sua conta bancária. A ideia de incluir funcionalidades que extrapolam a questão financeira veio como forma de fazer com que as pessoas tenham vontade de entrar no aplicativo diariamente”, conta Igor.

Outra funcionalidade importante é a de câmbio. Atualmente, 95% da receita de música é paga em moedas estrangeiras (dólar e euro) e os artistas perdem dinheiro por conta das taxas de conversão de moeda e a noodle pretende simplificar essa operação. Também existem features de educação financeira na proposta de valor.