Startup hunter: o tradutor da inovação aberta para corporações e startups - WHOW
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Startup hunter: o tradutor da inovação aberta para corporações e startups

Hoje, na era digital e da inovação, o startup hunter traduz as demandas das empresas na busca por parceiros que proponham novas soluções

POR Eric Visintainer | 20/09/2019 12h40 Startup hunter: o tradutor da inovação aberta para corporações e startups

No século passado, quando uma empresa precisava de um novo profissional para a sua equipe, esta demanda era costumeiramente passada para headhunters que traduziam as necessidades em habilidades a serem encontradas.

Então, eles investigavam quais profissionais melhor se encaixavam nesta demanda e marcavam uma entrevista.

Hoje, na era digital e da inovação, há uma nova profissão que traduz as demandas das empresas na busca por parceiros que proponham soluções para corporações, através da inovação aberta, são os startup hunters. 

Atualmente, existem mais de 36 mil pessoas no LinkedIn que destacam o termo startup hunters em seus perfis. 

Não há uma data ou marco específico para o surgimento deste profissional, mas ele indiretamente aparece com o surgimento das startups, e a partir do momento em que empresas e investidores passaram a formalizar a relação com estes novos negócios.

Perfil de um startup hunter

Mas quem são o startups hunters, como eles trabalham, quais características técnicas possuem e esta será uma profissão do futuro? O Whow! conversou com dois startup hunters e um acadêmico para explicar a atuação e ecossistema em que estes profissionais transitam.


Whow!: Quem é este profissional denominado startup hunter?


Giovana Brito, startup hunter na GVAngels: O startup hunter faz a ponte entre as startups e o investidor interessado. Há o empreendedor que precisa validar o seu MVP (mínimo produto viável), e o investidor, que sabe que há um risco, mas que se tiver um retorno não se pode mensurar, pois pode ser bem maior do que o previsto.

Rafael Fiuza, startup hunter na aceleradora Liga Ventures: Este profissional considera se há conexão entre startups e corporações. O startup hunters precisar encontrar soluções inovadores, repetíveis e escaláveis, que possam solucionar problemas de grandes empresas. Além de conectar empresas e startups em um ambiente de inovação.

Alexandre Uehara, consultor de inovação corporativa e professor na pós-graduação da FIAP: Ser um startup hunter é estar no ecossistema de investidores, acadêmicos, mentores e corporações. Precisa desenvolver um olhar para conhecer os empreendedores, ser mais “o cavaleiro do que o cavalo”.

startup hunter Foto Shutterstock

A rotina do startup hunter

W!: Como acontece a prospecção de startups?

G: No GVAngles recebemos contatos de startups, mas também vou atrás de indicações e eventos para ver novas startups. Fazemos um contato inicial bem ativo e mantemos contato para ver os primeiros resultados da startups. Após, levamos os resultados para um comitê de investimento da Fundação Getúlio Vargas, que seleciona as melhores para se apresentarem a cada dois meses na sede da FGV, em São Paulo.

R: Na Liga Ventures temos dois formatos de programa. Um criado exclusivo para corporações e o outro acontece com empresas do mesmo setor para cocriarem o programa, com um tema específico, como varejo ou autotech. Então, abrimos as inscrições para as startups participarem e identificamos a sinergia com as expectativa das empresas. Fazemos um processo seletivo. E em um segundo filtro, as startups apresentam as suas ideias por até sete minutos para os executivos das corporações participantes e investidores, em inovação aberta. Durante o processo avaliamos: mercado, produto, modelo de negócio, tração e finanças. Ao final, as empresas podem investir em equity — normalmente com startups early stage, sem um MVP validado — ou equity free — que normalmente acontece com startups mais conhecidas e com grandes bases de usuários.

A: Este relacionamento eu realizo in loco com os empreendedores. Há uma colaboração muito grande entre as pessoas do ecossistema. Todos se ajudam para encontrar uma startup que resolva um problema específico de alguma empresa. O negócio tem que ser bom, mas os empreendedores precisam ter uma cabeça de mudança e ouvir as pessoas.

 

Profissão do futuro?

W!: Você acredita que está será uma profissão presente nas próximas décadas?

G: Acredito que sim. Startup não é o futuro, é o presente. Quem não se conecta com startups vai ficar para trás. No futuro, veremos muito mais startups do que hoje no mundo.

R: O mercado da inovação no Brasil ainda está nascendo, o que assegura o papel do startup hunter. Temos grandes corporações que estão falando de inovação, mas têm processos internos que burocratizam e demoram para a implementação. Já as startups, com equipes enxutas e prazos diferentes, conseguem aplicar soluções nas grandes corporações.

A: Sim, ao menos a curto prazo. Olhando para o perfil Brasil, há um crescimento das startups, com alguns unicórnios. Em 10 anos, as startups vão fazer tanto parte do nosso cotidiano que, qualquer pessoa terá conhecimento sobre elas, desde do estagiário até o presidente da empresa.

startup hunter Foto Shutterstock

Como ser um startup hunter

W!: Para quem acabou de descobrir esta profissão, se interessou e quer migrar para este setor, quais são os conhecimentos técnicos e perfil necessário?

G: Precisa ser alguém muito interessado neste meio. Trabalhar pelo simples motivo de ganhar dinheiro não funciona. Precisa conhecer de tendências, do mercado e saber sobre economia no Brasil e no mundo para investimentos externos. Além de ser uma pessoa muito comunicativa, saber levar o não, ir atrás de contatos, ter um bom marketing pessoal e ser organizado.

R: A pessoa precisa ser bem analítica e investigativa, independentemente da sua formação acadêmica ou onde trabalhou. Precisa entender em pouco tempo e poucas palavras, o que as startups fazem e qual tecnologia usam, além de entender as dores das corporações. Não significa apenas ouvir, mas também provocar os gestores das empresas para que reflitam o real motivo de  realizarem um processo de inovação aberta e quais são os resultados esperados.

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