Startup de educação financeira fundada em 2018 conquista aporte - WHOW
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Startup de educação financeira fundada em 2018 conquista aporte

Levantamento mostra que mais da metade das fintechs brasileiras diz ter recebido investimento externo

POR Adriana Fonseca | 26/08/2019 15h18 Startup de educação financeira fundada em 2018 conquista aporte

A Tindin, uma startup de educação financeira fundada em 2018, atraiu a atenção do empreendedor Caíto Maia, fundador da rede de franquias de óculos e acessórios Chilli Beans, com mais de 800 pontos de venda no Brasil e no mundo, e jurado do reality show Shark Tank Brasil.  Tanto é que ele investiu R$ 176 mil na Tindin.

A pequena empresa, que tem sede em Maringá, no Paraná, é um misto de fintech (startup de finanças) e edtech (startup de educação). Seu aplicativo tem como objetivo desenvolver as capacidades de planejamento, negociação, poupança, investimento, consumo consciente e empreendedorismo em crianças e adolescentes.

Para isso, ao baixar o app gratuitamente, os pais definem o valor da mesada para transferência automática via cartão de crédito. Depois, os responsáveis pela criança personalizam e definem critérios, tarefas e recompensas para seus filhos e, por fim, a criança conquista sua mesada e a administra de forma digital e gamificada, escolhendo um objetivo material que adquire usando o valor que recebeu.

Agora, além do público entre 5 e 17 anos, a Tindin mira também o mercado B2B – escolas e treinamentos corporativos.

O fundador da startup é Eduardo Schroeder. Formado em ciências da computação, ele diz que a ideia do negócio surgiu quando instituiu a mesada educativa para ensinar finanças para seu filho. Anos depois, o menino fez uma proposta que se transformaria no conceito por trás do negócio: “Ele disse, ‘pai, quero comprar seu cartão de crédito, porque lojas online não aceitam moedas’, pensei, uau, faz todo sentido!”.

TINDIN DIVULGAÇÃO

Fintechs: cenário

E quando se fala em startups no setor financeiro o número de novas empresas cresce sem parar. Um levantamento feito pela PwC e ABFintechs (a associação do setor) mostrou que em 2011, 28 novas fintechs surgiram no mercado brasileiro. Já em 2012, foram 41. E em 2016 o número saltou para 176 e em 2017 alcançou 219.

Apesar do elevado número de novas fintechs, nem todas conseguem decolar. De acordo com o estudo, divulgado no fim de 2018, 58% ainda não tinham atingido o break-even (ponto em que começam a dar lucro) e cerca de dois terços faturaram menos de R$ 1 milhão em 2017. De todas as fintechs criadas desde 2011, cerca de metade já não existem mais.

A dificuldade em conseguir capital ainda é grande e 41% das participantes do estudo não receberam investimentos.

startupMais da metade das fintechs brasileiras, no entanto, dizem ter recebido aportes que ficaram concentrados nas faixas abaixo de R$ 1 milhão (40%) e entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões (29%). 

Na visão do diretor da ABFintechs, Mathias Fischer, o atual cenário de oferta de capital de risco para empreendedores brasileiros é positivo. “Acreditamos que alguns fatores têm auxiliado neste processo, como a queda da taxa de juros, por exemplo. Com a redução da taxa Selic é esperada uma realocação dos portfólios de investimentos brasileiros. Estes recursos devem migrar primeiramente do investimento mais seguro como renda fixa para investimentos mais arriscados como a bolsa de valores e capital de risco.” Além disso,  Fischer acredita que as recentes decisões do Banco Central podem proporcionar um mercado mais competitivo. “Outro fator determinante é a atuação do Banco central, como por exemplo a criação das fintechs de crédito e o projeto de lei do segmento de câmbio. Isso porque tais ações mostraram a relevância deste segmento para o estímulo da concorrência e melhoria da oferta no país, além de afastar o risco regulatório”, completa.

Há uma série de exemplos de quem conseguiu decolar no Brasil, como Nubank, Creditas e o GuiaBolso.

Ainda de acordo com o levantamento, 21% das fintechs faturaram entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões em 2017 e 12%, acima de R$ 10 milhões.

Especialistas do setor dizem que o cenário é de oportunidades. “As condições atuais do mercado, com forte concentração, spread bancário elevado, aumento de tarifas de serviços e a perspectiva de modernização regulatória, associada a uma grande parcela da população ainda sem acesso a serviços financeiros, tornam o Brasil especialmente atraente para o investimento em fintechs que ofereçam soluções inovadoras”, diz o estudo da PwC e ABFintechs.

Fintechs: onde elas estão e o que fazem

As regiões Sul e Sudeste concentram 93% das 224 fintechs

No estado de São Paulo estão localizadas 58% dessas empresas.

Meios de pagamento (25%)

Créditos, financiamentos e negociação de dívidas (21%)

Gestão financeira (8%)

Gestão de investimentos (6%)

Seguros (6%)

Bancos digitais (6%)

Moedas digitais (6%)

Multisserviço (4%)

P2P Lending (3%)

Eficiência financeira (3%)
Crowdfunding (3%)

Contabilidade (1%)

Câmbio (1%)

Outros (1%)

Fintechs: principais dificuldades

Quando questionados sobre o que mais dificulta a gestão das empresas, os empreendedores deram as seguintes respostas:

Atrair recursos humanos qualificados (50%)

Alcançar escala necessária para operações (42%)

Conseguir visibilidade (34%)

Obter investimento para o negócio (29%)

Atender os requisitos do ambiente regulatório (25%)

Fidelizar clientes (20%)

Por fim, o estudo traz as principais tendências para as fintechs. Entre elas estão as oportunidades relacionadas ao avanço dos dispositivos móveis no país, a conexão com as novas gerações – já que cerca de US$ 30 trilhões serão transferidos dos baby boomers para a geração milênio nas próximas décadas em todo o mundo – e as parcerias com os bancos tradicionais.

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