Startup brasileira desenvolve nova tecnologia para acesso à água durante a pandemia - WHOW
Tecnologia

Startup brasileira desenvolve nova tecnologia para acesso à água durante a pandemia

A healthtech Safe Drinking Water For All já conquistou 21 premiações e agora busca uma empresa parceria para expansão

POR Eric Visintainer | 16/02/2021 16h00 Startup brasileira desenvolve nova tecnologia para acesso à água durante a pandemia Foto do sistema Aqualuz da startup brasileira Safe Drinking Water For All (divulgação)

A reflexão sobre modelos de negócio, equipes e sobrevivência no mercado também fez parte do ano de 2020 de algumas startups. Dentre estas, algumas pivotaram os seus produtos e serviços e outras lançaram novas tecnologias para continuarem competitivas e atingirem um número maior de pessoas. Como um exemplo da segunda opção está a startup brasileira na área da saúde Safe Drinking Water For All.

Fundada em 2015 pela soteropolitana Anna Beserra de 23 anos, a healthtech atua no segmento socioambiental e já conquistou 21 prêmios, entre regionais, nacionais e internacionais. Ela desenvolve tecnologias hídricas, através da gestão, geração, e tratamento dos recursos, para as regiões áridas do interior dos estados nordestinos.

A empresa criou três novos produtos, dois voltados para a área de saneamento básico (Sanuseco e Sanuplant) e um dessalinizador solar (Aquasolina).

De acordo com a CEO, os diferentes produtos da healthtech já impactaram 300 famílias com a possibilidade de terem água potável, em cinco estados. Ela ainda comenta que já foram vendidas 542 unidades dos diferentes produtos: Aqualuz (faz o tratamento de água pluvial de cisternas, sem o uso e substâncias químicas, filtros sofisticados ou nem intervenções na cisterna), 520 unidades; Aquapluvi (pia híbrida que permite o uso da água de chuva e do sistema de abastecimento local para funcionar em espaços públicos de alta rotatividade de pessoas), 16; Sanuseco (banheiro seco que não utliza água para a descarga e retorna para um ciclo natural e tratado por compostagem para virar adubo), 4; e Sanuplant (tratamento de águas cinzas, como água da cozinha, chuveiro, lavagem de roupa e urina), 2.

E até antes da pandemia, a startup precisou alterar o seu modelo de negócio, passando da venda governamental para o foco em acordos com empresas privadas, que precisam de um retorno para o meio social, geralmente nas comunidades em que atuam, como nas zonas rurais, além da atuação  também com ONGs que funcionam como intermediários das corporações.

Confira a conversa na íntegra com Anna Beserra , CEO da Safe Drinking Water For All.

Nova tecnologia para acesso à água

Whow! : Quais são os planos para a startup em 2021 e já existem novos produtos e serviços em desenvolvimento?
Anna Beserra: “No ano passado começamos a pensar no que poderíamos contribuir para a sociedade e surgiu um segundo produto, o Aquapluvi. Temos foco de implementá-lo em centros urbanos para o uso como lavatório. No ano passado, entre março e agosto, paramos todas as implementações de campo do Aqualuz e ficamos seis meses sem projetos. Então, este outro produto surgiu.

E também pensamos em uma linha para o saneamento básico. Assim, chegaram mais dois novos produtos, o Sanuplant, pois água nas zonas rurais não há uma destinação correta. Esta água, depois, é destinada para um bacia onde existem plantas que vão utilizar os resíduos desta água. E também criamos o Sanuseco. Este possuem tecnologias diferente mais funcionam juntos.

Por último, temos um protótipo que será implantado a partir de março deste ano, e já um um protótipo em Campo Formomos (BA), será um dessalinizador solar, o Aquasolina. Ele usará a luz do sol, como o Aqualuz, e tratará uma quantidade de uso doméstico, para o tratamento de água salobra. E pretendemos lançar esta tecnologia em junho de 2021.”

W!: Quais têm sido os principais desafios enfrentados nesta jornada empreendedora com foco no impacto social?
AB: “Primeiro como existimos no mercado. Sou uma jovem e mulher e, por isso, sempre teve uma resistência do grau de profissionalismo. Isso ainda assombra a gente. As premiações vieram como uma validação para resolver esta problemática. Também no início focamos no modelo de negócio era venda governamental e não foi fácil. E não sabíamos que as necessidades sociais das empresas seriam um modelo de negócio. Então, e em abril de 2019 quando ficamos em segundo lugar no HackBrazil, conferência de alunos das universidades de Harvard e do MIT. Hoje, atuamos com a venda por meio do LinkedIn e esta é principal estratégia atualmente.

A equipe também foi um grande desafio, pois como não tinha recurso financeiro para bancá-la, eu fazia o papel de Designer, CEO, Vendas, Financeiro e isso está errado. Atualmente, são seis pessoas na parte operacional, e outros contratados por demanda: três no campo, quatro representantes comerciais e quatro na parte de pesquisa e desenvolvimento.”

Startup mira o saneamento básico e parceria com empresa global

W!: O que os mais de 20 prêmios já recebidos pela startup têm a auxiliado você?
AB: “Networking para mim que é uma moeda mais valiosa do que dinheiro, além da mentoria de algo que precisávamos e não saberia onde achar ou não teria o dinheiro para pagar, e também o networking internacional. Por conta das premiações já recebemos aproximadamente R$ 450.000,00, desde 2016.”

W!: Qual é o seu sonho grande com a healthtech?
AB: “Quero resolver o problema de saneamento do mundo. É um trabalho de uma vida inteira e de muitas organizações também. Quero estimular a sociedade e fazer com que outras organizações se envolvam cada vez mais.”

W!: A pauta e os investimentos em empresas ESG têm ajudado você com novos investimentos?
AB: “Não chegamos a ver um impacto direto desta repercussão do ESG, mas sentimos o mercado mais propenso a iniciativas sustentáveis, como o mercado eólico e de energia solar também. E os setores mais poluentes vão perder espaço ou vão precisar mudar o negócio, mas poderão investir na parte social e ambiental. Não vai demorar muito para chegar em nós.”

W!: Qual é a sua visão sobre o Marco Legal do Saneamento Básico?
AB: “Já sentimos a abertura de soluções governamentais para atuar com as nossas soluções. Isso tem chamado mais a atenção. E agora, o governo tem levado mais a sério esta problemática. E isso chama muitas organizações que estão se unindo para fazer as coisas acontecerem e provavelmente vai aparecer mais espaço.”

W!: Quanto já foi investido ou arrecadado pela Safe Drinking Water For All?
AB: “Não temos nenhum investidor. Crescemos com premiações e contratos com as empresas clientes. Já tivemos conversas com investidores-anjo e fundos de venture capital, mas buscamos quem seria um parceiro ideal com Smart Money e ainda não vimos isso nas propostas que recebemos. A nossa estratégia tem sido buscar fora do país, nos Estados Unidos, na Europa e até surgiu uma terceira forma na China. A nossa estratégia é ter uma forma escalável do negócio através dos investimentos. Estamos abertos, tanto venture capital quanto coporature venture capital de empresas, com operações no continente africano e asiático. E precisa ser uma companhia com viés sustentável.”


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