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Softbank avança sobre o Brasil e pode concentrar investimentos em inovação
Escrito por Raphael Coraccini | 22 de Maio de 2019 | 4 semanas atrás

Aportes do Softbank em iFood e Rappi mostram que, se os investidores nacionais não se apressarem, podem ver investimentos em inovação concentrados em um único player

Em abril, a Rappi, startup brasileira que entrega de tudo, ganhou investimento de 1 bilhão de dólares do fundo japonês Softbank, um dos maiores do mundo voltados para inovação. Antes disso, no fim do ano passado, o iFood, concorrente da Rappi, havia recebido 500 milhões de dólares do mesmo investidor. Os olhos do mundo se voltam às iniciativas brasileiras.

Os investidores brasileiros ainda resistem a colocar seu dinheiro no setor de inovação brasileiro. A primeira empresa de tecnologia no ranqueamento das mais valiosas, segundo a B3, é a B2W, que está em 45ª colocada. A empresa fechou o mês de abril com valor de R$ 17,4 bilhões. Para comparação: a Petrobrás, empresa mais valiosa do País, vale entre 350 bilhões e 400 bilhões de reais.

Antes de 2012, os investimentos em startups brasileiras vinham, principalmente, de investidores-anjo e seed, diz Anderson Thees, cofundador do RedPoint, fundo de Venture Capital especializado em startups. “Nos últimos 3 anos, houve uma explosão de fundos especializados em seed e pré-seed. É legal ver o Softbank vindo de cima pra baixo, catalisando todo o sistema. Ou os investidores se animam a investir ou vão ter que ver um único player dominando o mercado”, alerta Thees.

Segundo o executivo, o RedPoint tem conseguido alavancar os investimentos nas startups com as quais atua também como um catalisador do sistema. A empresa tem como política investir cerca de 50% do dinheiro de início e o restante nas rodadas seguintes. “O dinheiro que a gente coloca atrai, geralmente, 25 vezes o que a gente aportou”. Ele diz ainda que o capital é majoritariamente estrangeiro. “Isso não tem nada a ver com taxa de juro, mas com a visão que esses investidores têm do tamanho e a capacidade do Brasil”, avalia.

Comportamento do investidor

Para Thees, o investidor brasileiro ainda incorre no vício de olhar empresas por faturamento, enquanto, no passado, nos mercados desenvolvidos, a métrica relevante já era mais correta: a margem de lucro. Hoje, o ponto focal nos mercados maduros é o crescimento da empresa. O Uber, por exemplo, não tem balanços muito animadores hoje, mas um crescimento exponencial.

Um ponto positivo das startups brasileiras, segundo Thees, tem sido o respeito ao tempo de maturidade da empresa antes da busca por investimento. “Uma vantagem tem sido a criação de valor antes do IPO, porque as empresas brasileiras se acostumaram a recorrer a isso como salvamento, não como plataforma de lançamento, como deve ser”, mas alerta: “a gente é um vigésimo do que poderia ser. Agora não tem mais desculpa (para não crescer). As grandes empresas entraram no setor e os empreendedores estão encontrando mercado fora do País”, completa.

O especialista em investimentos destaca o desempenho de fintechs brasileiras como Nubank, PagSeguro e Stone. “Os players periféricos estão engajados e o Banco Central brasileiro é um dos mais alinhados com a necessidade de abrir espaço para os novos players. O que está acontecendo no mundo, aqui está acontecendo mais rapidamente. Estamos reduzindo a distância. Ainda não é um ‘está bom!’, é muito mais um ‘até que, enfim…’.

Problemas e oportunidades

Thees destaca que o gargalo brasileiro de infraestrutura abre espaço para que a iniciativa privada aperfeiçoe ou substitua as soluções existentes. São os casos das startups de mobilidade, do Uber à Rappi, passando pelos apps de localização de ônibus, entre outras.

Para o executivo, o Brasil tem ainda um potencial próprio de crescimento do ecossistema de inovação, a concentração de novos mercados. “Aqui, existe a cultura de todo mundo usar a mesma plataforma. A tendência é ter apenas um ou dois players por segmento”, detalha.

Não é só no Brasil que a concentração trouxe resultados. Nos Estados Unidos, a Amazon é o exemplo mais eloquente, tendo sido a empresa que ocupou praticamente o e-commerce sem deixar muito espaço a outras empresas. Hoje, a empresa de Jeff Bezos domina metade das vendas on-line no País e o resultado disso tem sido o desenvolvimento acelerado de soluções em nuvem e da logística de produtos, especialidades da empresa.

Na China, o desenvolvimento do mercado de pagamentos aconteceu todo ao redor de apenas dois players, Alibaba e Tencent.  Com a concentração, a China conseguiu desenvolver novas soluções em pagamento em um país onde, até os anos 90, imperava o pagamento por dinheiro, com baixíssima adesão aos cartões. A China pulou do pagamento em dinheiro para o digital, o que permitiu desenvolver rapidamente todo o seu comércio.

A Amazon é hoje a empresa de marca mais valiosa no mundo, com valor estimado em 188 bilhões de dólares, segundo a Brand Finance. No último ano, o crescimento da empresa foi de 24.6%. Na China, Tencent e Alibaba são as empresas privadas mais valiosas.

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