Exclusivo: Diretor do Sírio-Libanês fala do cenário da inteligência artificial na saúde - WHOW

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Exclusivo: Diretor do Sírio-Libanês fala do cenário da inteligência artificial na saúde

O médico Paulo Chapchap falou com exclusividade aos portais Whow! e Consumidor Moderno sobre o uso de robôs e novas tecnologias na saúde

POR Eric Visintainer | 14/02/2020 11h33 Arte (Grupo Padrão) Arte (Grupo Padrão)

Qual será o futuro da medicina com o uso da inteligência artificial? Para entender e saber como esta nova tecnologia já é aplicada em um dos principais hospitais do Brasil, o Whow! conversou com exclusividade, com Paulo Chapchap, médico e diretor-geral do hospital Sírio-Libanês. Ele aponta a importância da inteligência artificial dentro na saúde e de zero a dez diz que a importância de IA recebe a nota máxima. 

Além disso, o médico especialista em clínica cirúrgica e transplante de fígado, comenta que esta nova tecnologia pode auxiliar na melhor distribuição da informação. Chapchap também fala da necessidade do médico fazer parte do desenvolvimento de novos sistemas para que a usabilidade seja correta e que sobre mais tempo para o contato empático com o paciente.

Confira a entrevista abaixo.

Whow!: Como a inteligência artificial está presente no hospital Sírio-Libanês?
Paulo Chapchap: Na área administrativa financeira temos robôs que permitem dar mais consistência nas contas hospitalares, colando coisas agrupadas, quando fizerem sentido, evitando colocar algo que usamos, mas que não temos dentro dos contratos com as fontes pagadoras. Por tanto, não é regular que a gente faça esta cobrança. 

Na área clínica assistencial, cada vez mais nós buscamos a automatização de processos que podem ser automatizados para ajudar o médico. Por exemplo, na sepse, quanto mais precoce você fizer a avaliação desta situação, prevendo que o indivíduo vai entrar neste estado, mais alta será a chance de cura. Com base em dados gerados pelo paciente e pelos exames laboratoriais, você pode fazer uma previsão e realizar o tratamento.

inteligência artificial Foto (Pixabay)

W!: Como a inteligência artificial pode permitir uma relação mais humanizada na relação médico-paciente?
PC: Hoje, a grande queixa dos médicos no mundo todo é a obrigação de trabalhar com um sistema onde eles precisam fazer a entrada de dados administrativos, clínicos e assistenciais, e as prescrições. A grande maioria dos sistemas não foram desenvolvidos baseados na usabilidade e acabam provocando uma carga de trabalho muito grande para o médico, que não se reflete no benefício imediato do paciente que está em contato com ele. 

Talvez a agregação desses dados permitirá um grande impacto em grandes populações no futuro. Mas na relação médico-paciente que você precisa olhar no olho, tocar na pessoa e ter empatia, e interpõem um computador com uma alta dedicação do tempo e não no contato direto com o paciente, você acaba prejudicando o tratamento e desumanizando por conta da tecnologia. Precisamos desenvolver tecnologias para que o médico tenha mais tempo para este contato empático com o paciente.

Nós estamos desenvolvendo um prontuário eletrônico, de um sistema de mercado, e criamos uma interface para a atuação médica que é particular nossa e ela acompanha o raciocínio médico. 

Se o médico não participa deste desenvolvimento, ele [sistema] é desenvolvido em uma sequência de informações em que não mimetiza o seu raciocínio para chegar a uma conclusão. E estamos desenvolvendo agora um prontuário eletrônico do consultório chamado de cockpit (referência ao painel de controle de um avião) para que o médico, sentado em um único lugar, enxergue tudo. Isso vai entrar em produção em larga escala até o final de março. 

inteligência artificial Foto Liam Charmer (Unsplash)

W!: Os robôs físicos já estão no dia a dia do hospital?
PC: Na área da farmácia, toda a separação, identificação e dispensação é feita por um robô, que emite envelopes pequenos com medicamento. Um outro exemplo, é o robô cirúrgico que aumenta a imagem e o médico enxerga muito melhor. Ele permite que o médico trabalhe em escala. 

Por exemplo, se o médico mexer um centímetro, o robô pode ser programado para mexer um quinto de centímetro. Então, isso aumenta a precisão do movimento.


Quer saber o que o diretor-geral do hospital Sírio-Libanês falou sobre o uso de  uso das novas tecnologias no relacionamento com o cliente, como voz e big data, os desafios no quesito de privacidade e transparência, e a auto-otimização? Leia no portal Consumidor Moderno.


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