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Síndrome da impostora ou ambientes de trabalho despreparados?

A síndrome de impostora pode ser fruto de um ambiente de trabalho tóxico. Entenda o fenômeno que influencia a vida de muitas mulheres

POR Redação Whow! | 12/05/2021 15h02

Apesar das melhorias nas relações de trabalho nos últimos anos, muitas pessoas ainda sofrem com a insegurança a respeito dos seus feitos. Algo que pode gerar problemas para a sociedade como um todo, porém acarreta mais as mulheres, causando a síndrome de impostora.

Quer saber um pouco mais sobre o tema e como ele interfere nas relações profissionais? Confira o texto até o final! Boa leitura.

Como é a síndrome da impostora que conhecemos?

Esse conceito se dá basicamente quando os profissionais se entendem como uma fraude ou incapazes de realizar algo muito bom. Mas além disso, na nossa sociedade as mulheres acabam sofrendo mais pois dificilmente são incentivadas a reconhecerem o seu mérito nas suas próprias conquistas.

Dessa forma, esses profissionais vivem sob um medo constante de que os outros critiquem o seu trabalho. Ou que determinada conquista não merece parabéns, por se considerar uma fraude no seu trabalho.

Um fato que representa bem esse fenômeno, é que a maioria das pessoas que se acham impostoras, são as que têm maior desempenho nas suas funções.

Ou seja, a síndrome de impostora não tem relação direta com os resultados conquistados, ou a falta deles. Mas sim, com a sociedade que molda homens, e principalmente, mulheres a não acreditarem no seu próprio potencial.

Assim, esse conceito não remete só a vida profissional das pessoas, mas também em vários outros âmbitos. Por exemplo, o sentimento de não pertencimento afeta, muitas vezes, a sua autoestima também. 

Nesse sentido, paralisa e prejudica essas pessoas a alcançarem seus objetivos, crescerem na carreira, enriquecerem e até a gerirem melhor suas vidas.

Síndrome de impostora ou ambiente de trabalho tóxico?

Sim, a síndrome de impostora existe e atinge diversas mulheres. Mas o que podemos fazer a respeito?

Em primeiro lugar, devemos entender o contexto das relações de trabalho. Passamos muito tempo pensando em como remediar esse problema. Enquanto nossos esforços deveriam estar voltados aos ambientes de trabalho tóxicos.

Além da síndrome já ser um grande fardo na vida dessas mulheres, a palavra e o conceito em si aumentam esse peso. O termo síndrome de impostora já acarreta algo negativo e ainda faz relembrar de conceitos retrógrados de histeria feminina.

De acordo com estudo realizado Working Mother Research Institute, metade das mulheres considera largar o seu trabalho em dois anos. Isso se dá pelo fato de se sentirem excluídas e desiludidas com a ideia de crescimento na empresa.

Diariamente mulheres sofrem micro agressões psicológicas, muitas vezes relacionadas a estereótipos e preconceitos impostos pela sociedade.

A síndrome da impostora atribui às próprias mulheres a responsabilidade de resolver os motivos causadores. Quando na verdade toda a estrutura trabalhista deveria se modificar. Ou seja, o próprio conceito acaba falhando em resolver esse problema.

As empresas buscam soluções individuais para problemas relacionados a discriminação. Muitas vezes, porém,  porém, muitas vezes esquecem de aplicar políticas eficientes para que tenha igualdade de gênero no ambiente corporativo. 

Fatores que levam mulheres a sentirem-se incapazes dentro das empresas

Outro fator de extrema relevância, que interfere na saúde mental das mulheres, é conciliar o trabalho com a maternidade. Historicamente, esse aspecto interfere muito na vida profissional das mulheres.

Além de culturalmente serem designadas como responsáveis pelos filhos, geralmente ainda enfrentam outra jornada de trabalho em seus lares.

Para que exista uma melhora, as empresas precisarão se modificar. Nesse contexto, permitir uma maior flexibilidade de horários para as profissionais seria uma grande melhora nesse cenário.

Assim, a mulher com mais liberdade de horário e prazos, consegue alinhar sua vida pessoal ao seu trabalho, de uma forma mais saudável e proveitosa.

Outro ponto a se refletir, é a licença paternidade mais longa. Já que dessa forma, ambos os pais poderão cuidar da criança e a mulher não precisa abdicar da sua carreira e objetivos.

As organizações também devem investir financeiramente se desejam modificar um ambiente de trabalho tóxico. Ou seja, contratar palestrantes, cursos, mentorias para toda a equipe – incluindo cargos de comando.

As empresas também devem incorporar as mudanças que se propuseram. De nada adianta uma palestra sobre empoderamento feminino e as mulheres continuarem ganhando menos.

Ou pior ainda, serem assediadas no ambiente de trabalho. Algo que é muito mais comum do que imaginamos. Uma pesquisa da Marketplace-Edison Research Poll, apresenta que 46% das mulheres já largaram seus empregos por conta de assédio sexual.

Há ainda outros tipos de assédio, como: moral, verbal, psicológico e de perseguição. Todos esses resultam em menos opções de desenvolvimento de carreira, emprego ou fuga do mercado de trabalho.

A confiança não é igual a competência

Dessa forma, mesmo com mulheres apresentando notáveis realizações acadêmicas e profissionais, a síndrome de impostora faz com que não acreditem em seu brilhantismo.

Até mesmo mulheres famosas e reconhecidas pelas suas funções, já confessaram terem se sentido uma fraude nas suas funções. Alguns exemplos são de atrizes como Charlize Theron e Viola Davis, e a ex-primeira-dama Michelle Obama. 

A pressão para se destacar, a dúvida constante das suas capacidades e a falta de valorização dos seus feitos, muitas vezes se torna insuportável. Podendo resultar em problemas psicológicos graves.

Acima de tudo, devemos procurar consertar preconceitos e não pessoas. As mulheres sofrem a síndrome da impostora de forma injusta e isso precisa mudar.

Cada líder precisa se responsabilizar em tomar atitudes que acabem com um ambiente tóxico para mulheres, e ao mesmo tempo investir na saúde mental dessas trabalhadoras.

Para que dessa forma, possamos parar de diagnosticar de forma errada essas mulheres e realmente fazer a diferença para uma mudança nesse paradigma.

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