Sensores e realidade virtual impactam a construção civil - WHOW

Eficiência

Sensores e realidade virtual impactam a construção civil

Novas empresas na construção civil têm utilizado inteligência artificial, robôs e realidade virtual para solucionar problemas e se consolidar no mercado

POR Luiza Bravo | 07/11/2019 11h00 Foto (PXHere) Foto (PXHere)

O setor da construção civil foi um dos mais abalados no Brasil desde que o escândalo da Lava-Jato veio à tona, em 2014. Empreiteiras grandes e renomadas no mercado afundaram após denúncias de corrupção, e o mercado viveu uma onda de demissões em massa. 

Foi justamente nesse cenário que as construtechs ganharam força no país. Com a proposta de desenvolver soluções para problemas nos canteiros de obras e no mercado imobiliário, essas empresas colaboraram pra a recuperação do setor, e têm se consolidado cada vez mais.

O Brasil possui mais de 560 construtechs, e no que depender de investimentos, esse número tem tudo para crescer. Um levantamento feito pelo Construtech Ventures aponta que, nos últimos anos, as startups brasileiras voltadas para o mercado da construção civil receberam mais de R$ 450 milhões em aportes provenientes de fundos de venture capital, aceleradoras e investidores-anjo. 

Em todo o mundo, foram cerca de US$ 16 bilhões investidos nessas empresas entre 2017 e 2018. As rodadas de investimento diminuíram em quantidade nos últimos anos, mas o valor médio dos aportes realizados cresceu, o que explica essa cifra.

construção civil Foto Node (divulgação)

Soluções para construção civil: o céu é o limite

As construtechs atuam em áreas que vão desde o orçamento de materiais de construção até a venda e aluguel de imóveis, passando pelo canteiro de obras, gestão de estoque e de documentos. Para solucionar as “dores” mais comuns no mercado, essas empresas utilizam uma gama extensa de tecnologias, como realidade virtual, inteligência artificial, robôs e moldes pré-fabricados.

Outro processo utilizado é o BIM (Building Information Modeling), que consiste em uma construção virtual e serve de base para as tecnologias mencionadas acima nos canteiros de obra.

Foi justamente a ideia de montar e combinar esses moldes que deu origem à Molegolar, uma startup do Recife que ficou entre as primeiras colocadas do prêmio 100 Open Startups deste ano. A empresa desenvolveu uma tecnologia que permite que as plantas sejam adaptadas de acordo com a necessidade do cliente.

Se a família está crescendo, por exemplo, é possível, adquirir novos módulos e aumentar o imóvel. A empresa afirma que, com essa tecnologia, “o construtor consegue atender às diferentes demandas do mercado, com menos riscos e mais velocidade de vendas”.

construção civil Foto Node (divulgação)

Contribuições para o meio ambiente e a sociedade

Nos Estados Unidos, uma startup de Seattle inovou ao unir o conceito dos módulos pré-fabricados com materiais e técnicas de produção sustentáveis.

A Node desenvolveu um modelo de casa que pode ser construída em poucos dias, e que não emite gás carbônico. As paredes se encaixam em estruturas metálicas, e não são necessários pregos ou parafusos para a montagem. 

A tecnologia utilizada pela Node ainda está em desenvolvimento, e usa materiais tradicionais, como madeira e metal. O diretor de operações da empresa diz que o segredo está no uso de softwares e sensores que monitoram todo o processo e mantém o ambiente doméstico neutro em carbono.

As casas são completamente alimentadas por energia solar. E apesar de serem pré-fabricadas, as moradias não têm, nem de longe, aquela cara de contêiner. O design foi inspirado nos imóveis da Escandinávia, com janelas amplas e estética modernista.

Agora, a empresa trabalha para integrar os sistemas hidráulico e elétrico das casas, o que vai reduzir ainda mais o tempo de montagem e, principalmente, os custos. A proposta da empresa é ser uma alternativa para famílias de classe média e baixa.

Nos últimos anos, milhares de americanos precisaram se mudar para cidades mais afastadas das metrópoles, justamente por causa do preço elevado de moradia. Nos grandes centros urbanos dos EUA, um imóvel residencial custa, em média, US$ 428 mil, cerca de R$ 1,7 milhão.


+ NOTÍCIAS

Construtechs querem transformar a sua maneira de negociar imóveis
Museu na Alemanha apresenta tendências para vida no futuro
6 Dicas de Eric Ries para transformar grandes empresas em startups
Entenda como foi possível a criação do primeiro coração impresso com células humanas
Ajudar pequenos lojistas a vender mais rende aporte de R$ 190 milhões à Olist