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Tecnologia

O segredo da inovação é “hackear” o próprio negócio

Não existe um passo-a-passo para ser uma organização inovadora, mas algumas empresas trilham caminhos que podem ser inspiradores

POR Melissa Lulio | 23/07/2019 15h53 O segredo da inovação é “hackear” o próprio negócio

*Fotos Douglas Luccena

“Inovação é a capacidade de gerar dinheiro novo a partir de ideias; ou seja, gerar valor”. É assim que Jacques Meir, Diretor Executivo de Conhecimento do Grupo Padrão, descreveu a importância de novas ideias para um negócio durante o painel “A criatividade de todos nós: por que todos podemos ter mais e melhores ideias do que acreditamos?”.

Head de Business Development do Echos Laboratório de Inovação, Mario Rosa afirma que a dificuldade para gerar ideias tem relação com nosso processo educacional.

“Quando crianças, nós brincamos – e isso é muito saudável – mas, quando entramos no processo educacional, começamos a estudar matérias separadas uma da outra e, com isso, não estudamos o que está à volta. Só ficamos diante de padrões”, afirma.

Na Liq, esse foi um paradigma a ser quebrado. Marco Hermo, diretor de Vendas, Marketing e Produtos da empresa, comenta que para inovar e sair do modelo padrão, foi preciso mudar a marca e, entre outras iniciativas, criar um programa que incentiva a todos – de executivos a atendentes – a pensar diferente.

“Como ele pode agir de forma criativa em cada interação para que aquele processo se transforme?”, questiona. E essas apostas fazem todo o sentido, pois o mercado de voz mudou, perdeu espaço, e hoje a empresa tem a necessidade de concorrer com modelos diferentes de negócio.

“Como ele pode agir de forma criativa em cada interação para que aquele processo se transforme?”

Marco Hermo, diretor de Vendas, Marketing e Produtos da Liq

“Há alguns anos, os canais digitais eram uma ameaça, mas criamos grupos que trabalham com inovação incremental e disruptiva”, diz Hermo. Segundo ele, uma das prioridades da empresa agora é investir em IoT e se aproximar de startups. “Se não fizermos isso, alguém vai fazer”, acredita.

Para Guilherme Brammer, CEO da Boomera – empresa baseada na criação de ideias capazes de desconstruir o modelo de negócio da empresa que a contrata – a mudança de mindset é fundamental.

“A ideia de sustentabilidade vai contra o conceito de obsolescência programada, que têm sido um pilar do sucesso das empresas”, explica. No Brasil, há um caso de sucesso citado pelo empreendedor: o filtro da Brastemp que é feito para não quebrar, mas funciona sob aluguel. “A boa ideia nasce pela metade, acreditamos”.

A Boomera conta com cooperativas de catadores, ator considerado essencial para a sustentabilidade “É dinheiro novo”, diz. “E concordo que a criatividade se torna inovação quando gera novos negócios”.

Da startup ao tradicional

Será que é possível fazer uma grande transformação em uma empresa tradicional? O executivo do Echos Laboratório de Inovação explica que a consciência de um indivíduo sobre o próprio potencial é essencial para que ele seja, de fato, criativo.

“Precisamos construir esse passo a passo para ganhar confiança criativa e, depois, unir pessoas com essa visão. Não basta juntar pessoas e pedir para que sejam inovadoras”, afirma Rosa.

Isso tem relação com o fato de que as empresas são formadas de forma hierárquica, a partir de modelos em que a competitividade é mais incentivada do que a colaboração. “Se o cara não for realmente empenhado em construir algo, vai se deprimir e não vai conseguir criar”, defende.

Na equipe da Boomer, a chave é a diversidade. A equipe conta com pessoas que vão desde uma executiva que saiu de uma grande empresa, a jovens que não quiseram estar em companhias tradicionais. “Temos uma rede de pessoas que procuram formas de quebrar a nossa empresa, porque, se não pensarmos nisso, alguém vai pensar – é dessa forma que pretendemos hackear o sistema”, aponta.

Diversidade

Meir questiona se essa ideia tem relação com a busca por diversidade. “A falta de diversidade faz com que haja sempre as mesmas conversas, fatos e ideias”, diz.

“Só posso criar ideias se tenho pessoas que tenham histórias diferentes. A inovação não vem apenas por ter pessoas diferentes na equipe, mas do choque entre as diferenças”. Nesse sentido, Rosa fala sobre a vulnerabilidade e como isso é importante. “Quando você cria uma relação de confiança com um parceiro, para dividir ideias, pode dar certo”, diz Brammer. “Hoje, reciclamos fraldas sujas e isso só é possível com confiança entre a pessoa que vende fraldas, quem limpa os bebês, quem pensa em sustentabilidade”.

Hermo fala que a variedade é uma realidade na Liq. “Vamos criar um programa em que os colaboradores podem dar ideias”, diz. “O bacana de ter variedade é que podemos testar tudo internamente, ou seja, temos uma amostra para saber o que funciona ou não”. Meir questiona se a Liq compartilha essa cultura com os clientes. “Recentemente matamos o dress code e um dos nossos clientes, que têm um espaço de carpete, começou a ideia de trabalhar de meias”, exemplifica.

Como hackear a própria empresa?

“Todos os sistemas que imperam hoje foram criados pelo homem e, de certa forma, para administrar ou dominar alguns conceitos”, afirma Rosa. “Hoje, olhamos modelos políticos, sociais e educacionais e tudo está baseado na estrutura de comando e controle e todos sabem que isso precisa mudar – a grande questão é como fazer”.

Nesse sentido, ele afirma que os sistemas sempre foram feitos para manter tudo “como sempre foi”. Logo, a estratégia é hackeá-lo, transformá-lo. E as pessoas precisam se envolver para poder criar resultados. “Se eu só questiono, sou chato; se questiono e trago resultado, posso inovar”, argumenta.

“Acreditamos que a tecnologia faz parte do futuro, nossos colaboradores terão que lidar com ela e são eles quem vão ajustar, por exemplo, um robô”

Hermo conta que a Liq quebrou barreiras e enfrentou mitos ao se dispor a ouvir os colaboradores. Sobre IA, diz que tecnologia é meio: precisa haver alguém por trás para fazer ajustes; caso contrário, não funcionará.

“Acreditamos que a tecnologia faz parte do futuro, nossos colaboradores terão que lidar com ela e são eles quem vão ajustar, por exemplo, um robô”, diz. “Muitas vezes, fazemos isso dentro de casa, testando internamente para depois transferir para a experiência do consumidor”.


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