As diferentes aplicações do blockchain - WHOW
Tecnologia

As diferentes aplicações do blockchain

Saiba mais sobre a tecnologia revolucionária capaz de fornecer segurança e valor para múltiplos segmentos do mercado

POR Carolina Cozer | 10/11/2020 16h00

Moeda digital, carteira digital, banco digital. Por trás dessa onda irrefreável de digitalização do uso do dinheiro, reside uma preocupação essencial: a segurança. 

É nesse ponto que o apelo do blockchain soa irresistível. Uma tecnologia brilhante, de múltiplas camadas, que assegura a legitimidade e a integridade de transações de ponta a ponta, com segurança absoluta. Um princípio que pode ser estendido para documentos, planos, músicas, obras autorais e muito mais. 

Vale a pena conhecer um pouco da versatilidade e das aplicações do blockchain em diferentes negócios, e pensar no quanto será possível trazer mais inovação para praticamente tudo o que circula no mundo digital.

O painel “Blockchain: quais são as aplicações para os diferentes mercados?”, do Whow! Festival de Inovação 2020, debateu essa tecnologia tão vasta na presença de Carl Amorim, CEO do BRI Brasil, Marcelo Sampaio, Cofundador e CEO do Hashdex, e Juliana Sato, Strategy Advisor da Blockchain Academy.

Blockchain: estigmas e definição

A palavra blockchain costumava ter um estigma na sociedade, causado por diversos crimes cibernéticos associados às criptomoedas. Contudo, segundo Juliana Sato, desde 2016 a tem ocorrido um aculturamento sobre esses temas. “Houve uma ampliação as áreas de atuação de blockchain, para criar mais sinergia com o mercado.” Desta forma, o mundo corporativo tem entendido a tecnologia do blockchain para além das criptomoedas. “As corporações têm olhado com outros olhos”, diz.

Uma boa definição do que é blockchain, segundo Marcelo Sampaio, é pensarmos nela como nova internet, só que é uma internet do valor. “Da mesma maneira como a internet da informação deu liquidez e possibilitou contatos muito mais fáceis e imediatos, o mesmo ocorre dentro da internet blockchain”, esclarece. “Ela é uma inovação que faz um papel como o do Uber, só que sem seres humanos. É um código que consegue transacionar e ‘linkar’ o lado A ao B. Na internet do valor há a democratização do valor, assim como houve a democratização da informação na internet da informação”, aponta.

Benefícios para o mercado financeiro

No mercado financeiro, Marcelo Sampaio explica que está ocorrendo uma grande expansão dos serviços graças à tecnologia blockchain. “O blockchain dá acesso ao mercado financeiro para investir de uma forma simples, segura e regulada, tirando muitos intermediários do meio. As coisas são feitas de modo mais eficiente, com menos custos e ideias escaláveis, sem a necessidade de ter um intermediário de confiança ― apenas a matemática”, explica.

Na opinião do especialista, essa inovação vai possibilitar o surgimento de novos tipos de ativos de valor. “Isso vai dar liquidez a mercados que antes não eram líquidos”, comenta. Ele também sugere que, em breve, as pessoas comecem a ter garantias variadas de propriedades, como de imóveis, por exemplo. “Assim como é possível ter apenas uma parcela de uma empresa, será possível investir em parcelas de casas também”.

Novos modelos de negócio

Por se tratar de uma tecnologia nova, o blockchain ainda está em processo de maturação dentro de alguns setores. 

No segmento de novos negócios, Sato acredita que ainda é um pouco cedo para se pensar na sua evolução. “Não podemos ignorar que é necessário um aculturamento da sociedade sobre o que é blockchain. Então é simplesmente cedo pensar na evolução de um modelo de negócio, sendo que os atuais não necessariamente estão produzindo reais resultados”, opina.

A Strategy Advisor explica que os projetos-piloto com blockchain estão começando agora a ter resultados práticos. “A partir dos resultados coletados desses MVPs, vamos poder começar a pensar em modelos de negócios inovadores. E é preciso que vários players do mercado confiem nesse sistema, já que o blockchain é um projeto coletivo”, diz.

Blockchain na educação

Já que a educação das pessoas é parte essencial para a evolução do blockchain em muitos setores, Carl Amorim questionou aos participantes quais as estratégias necessárias para esse aculturamento da sociedade.

“Estamos voltando às economias antigas, como o factor, do Império Romano, só que agora com o indivíduo que mexe com criptoativos, pega o conhecimento e financia o crescimento da produção local”, coloca Amorin. “Mas como vamos formar e dar apoio para essas pessoas em todos os locais?”

O Blockchain Academy, segundo Sato, vem criando espaços para parcerias estratégicas com o mercado. “Já passaram mais de 20 mil alunos pela escola, e muitas dessas pessoas estão, agora, posicionadas em corporações”, acrescenta. “Estamos criando uma sinergia para conseguir entender infraestruturas que estão vindo ao Brasil, questionando como criar esse ecossistema e levantar a barra de conhecimento do mercado”, diz.

Sampaio opina que as faculdades, hoje, já são mais um lugar para que as pessoas vivenciem a experiência acadêmica do que algo necessário para o mercado de trabalho. “Me parece que o Ensino Superior será um esquema de comunidade muito mais do que de educação formal. O conhecimento será tão fluido que você irá adquiri-lo de outras formas”, afirma. “O conhecimento formal será adquirido de acordo com o seu interesse e necessidade, de mil formas diferentes”.

Por fim, Sato concorda com esse modelo fluido de ensino para o futuro, mas levanta um questionamento: como avaliar a qualidade do ensino? “Hoje a dificuldade educacional está em conseguir encontrar conteúdo de qualidade porque, uma vez que educação se torna commodity, como iremos descobrir qual conteúdo é o melhor?”, questiona.


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