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Tecnologia

Saiba onde estão as próximas oportunidades dos bancos digitais

Público com mais de 60 anos e desbancarizados são foco das fintechs. Mas ainda existem 1,7 bilhão de pessoas sem conta no mundo

POR Adriana Fonseca | 19/01/2021 15h47 Imagem Robin Worrall Unsplash Imagem Robin Worrall Unsplash

As elevadas tarifas cobradas pelos bancos, experiências ruins do cliente e tecnologia defasada têm, historicamente, impedido que muitos cidadãos acessem os serviços financeiros. É algo que vem mudando nos últimos anos com o surgimento dos bancos digitais. Algumas dessas fintechs vêm oferecendo experiências bancárias mais baratas, rápidas e convenientes.

O foco de muitos dos bancos digitais está, agora, em dois públicos principalmente: a população mais velha e os desbancarizados.

Público 60+ nos bancos digitais

bancos digitais O CIBC, do Canadá, informou que o número de clientes com mais de 65 anos se inscrevendo em serviços bancários digitais mais do que triplicou em abril de 2020. Imagem: Georg Arthur Unsplash

Embora a adoção da tecnologia tenha aumentado consideravelmente nas populações mais velhas, ainda há uma grande exclusão digital. Nos Estados Unidos, por exemplo, boa parte dos idosos ainda está desconectada, com um terço dos maiores de 65 anos dizendo que nunca acessam a internet, de acordo com o Instituto Pew Research.

Isso acontece também em outras partes do mundo.

Na China, uma sociedade que usa amplamente os dispositivos móveis onde quase 1 bilhão de pessoas está on-line, os idosos com mais de 60 anos representam apenas cerca de 10% da base total de usuários de internet.

Os idosos que procuram um banco digital enfrentam uma série de obstáculos, que vão desde a visão deficiente até a compreensão mínima dos recursos digitais e o medo da exploração financeira.

Devido a esses desafios, as populações mais velhas ainda preferem agências bancárias físicas. Metade dos consumidores com mais de 35 anos escolhe bancos primários com base em sua presença local, mas para consumidores com menos de 35 anos, esse número cai para apenas 30%, de acordo com a Pesquisa de Banco Digital ao Consumidor de 2019 da PwC.

Durante a pandemia, mais idosos aderiram aos serviços dos bancos digitais, e aí está uma oportunidade.

Em Cingapura, o Oversea-Chinese Banking nomeou os clientes seniores como seu “segmento de crescimento mais rápido para a adoção digital”, com a aceitação de serviços digitais entre clientes de 60 a 80 anos aumentando em 20%. Já o CIBC, do Canadá, informou que o número de clientes com mais de 65 anos se inscrevendo em serviços bancários digitais mais do que triplicou em abril de 2020.

1,7 bilhão de desbancarizados no mundo

O número de desbancarizados no Brasil vem caindo, algo que foi acelerado durante a pandemia e a necessidade de ter uma conta para usar o auxílio emergencial do governo federal.

Um levantamento do Banco Mundial mostra que apenas 55% dos adultos latino-americanos – 207 milhões de pessoas – tinham conta em bancos em janeiro de 2020. Devido aos auxílios e maior acesso às fintechs e bancos digitais, 40 milhões criaram contas em somente cinco meses.

Ainda assim existe um número significativo de desbancarizados no país, uma situação que também se repete em outras nações. Globalmente, 1,7 bilhão de pessoas não têm conta bancária, de acordo com o Banco Mundial.

Uma das razões que afasta os cidadãos do sistema bancário é o custo dos serviços financeiros.

Em resposta a esse desafio, novos bancos digitais atraíram milhões de clientes em grande parte devido às suas ofertas bancárias gratuitas. Essas empresas tiveram um crescimento expressivo em meio à pandemia.

A Neon, por exemplo, viu sua base de usuários crescer para 9 milhões de usuários no terceiro trimestre de 2020, a partir de 2 milhões no quarto trimestre de 2019. Já o C6 ganhou mais de 2,5 milhões de usuários desde 2019. E o Nubank possui cerca de 30 milhões de contas.

E de acordo com a pesquisa Brazil Digital Banking Survey: Understanding the “neobank” customer da Credit Suisse, o Nubank aparece, atualmente, com 55% dos hoje 60 milhões de brasileiros com conta em bancos digitais, o Banco Inter tem 12% desta parcela o e o BMG Conta Digital aparece com 4%.

Pós-pandemia, os bancos digitais terão um papel crítico a desempenhar no atendimento a esses clientes com e sem banco, garantindo sua inclusão financeira.


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