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Eficiência

Saiba como esta startup triplicou o seu faturamento na pandemia

Com operação de atendimento em home office desde 2011, o CEO e fundador Fabio Boucinhas compartilhou sua experiência no mercado

POR Adriana Fonseca | 14/08/2020 21h10

Todos os operadores da empresa de atendimento Home Agent trabalham de casa. Não somente agora na pandemia, sempre foi assim, desde a fundação da companhia, em 2011. Ela é, aliás, a primeira operação de atendimento no Brasil baseada totalmente em home office.

Fabio Boucinhas, CEO e fundador da startup, explica o porquê de ter tomado essa decisão quase uma década atrás. “A ideia de fazer o trabalho remoto surgiu em 2011, durante uma consultoria realizada para um call center tradicional. Fizemos um estudo e percebemos que o atendimento em home office já era um modelo consolidado nos Estados Unidos, chegando a 300 mil pessoas operando nessa modalidade. Então, a partir de uma situação real, uma dor identificada, vimos que o atendimento remoto é perfeitamente gerenciável e além de dar continuidade no negócio, entrega maior qualificação, mão de obra e possibilita a inclusão de pessoas”, explica.

Na época, há nove anos, foi uma verdadeira disrupção no setor de teleatendimento brasileiro: “Era quase impensável para os paradigmas da época trabalhar em modelo home office e tem sido visto assim até recentemente”, diz o CEO e fundador da Home Agent. “Abordar o assunto de home office no Brasil sempre teve muitas barreiras, principalmente cultural. Era um tema sobre o qual gestores não queriam ouvir: sempre pairou uma desconfiança sobre produtividade, comprometimento, tempo de trabalho e qualidade de entregas.”

Startup triplicou o seu faturamento na pandemia

Desde o começo, o empreendedor acredita que essas desconfianças não têm sentido e que manter as pessoas em casa, sem deslocamentos diários, perto da família, faz a diferença.

Além disso, o trabalho remoto foi se mostrando produtivo e com esse modelo a startup de teleatendimento consegue mão de obra mais qualificada que a média do mercado. “Temos um turnover perto de zero, com acesso a profissionais mais qualificados e eficientes, 60% com curso superior e uma média de idade de 35 anos – 10 a mais que o mercado”, explica Fabio. “Além disso, o trabalho remoto possui eficiência econômica e pessoas que produzem mais.”

Até o inicio da pandemia, o padrão da Home Agent para novos clientes era de iniciar operações menores em forma de piloto para ir crescendo gradativamente. Agora que o modelo se consolidou, a empresa começou a ver clientes com demandas maiores, mais maduras em termos de volume.

Aliás, durante a pandemia, a startup triplicou o seu faturamento e a receita projetada para 2020 está 70% acima do previsto.

“Já planejávamos dobrar o faturamento neste ano conforme nosso plano original, mas com a pandemia do novo coronavírus a procura por nossos serviços aumentou mais de 50%.”

Fabio Boucinhas, CEO e fundador da Home Agent

Hoje, a startup tem mais de 550 funcionários e preencheu 400 vagas até julho. Ainda estão abertos 80 postos de trabalho atualmente.

As vantagens de uma operação de atendimento remota

Fabio diz que uma das coisas que ele mais se orgulha sobre o trabalho remoto é a possibilidade de causar impacto positivo na vida de pessoas que não poderiam exercer um trabalho fora de casa, como donas de casa, por exemplo. “Conseguimos, nesses nove anos de mercado, acesso a equipe qualificada, com experiência e maturidade no relacionamento com o cliente que normalmente não estão disponíveis para empresas de atendimento tradicionais, que são altamente engajadas e geram um turnover perto de zero”, explica. “O home office, quando bem adotado, permite que as pessoas equilibrem melhor todos os aspectos da vida e suas atividades, invertendo a lógica do trabalho presencial.” 

O empreendedor faz as contas para dar uma dimensão do impacto. 

“Um exemplo disso é o tempo que perdemos no trajeto ao trabalho. Em 2020, os funcionários da Home Agent economizarão quatro horas por dia em deslocamento, em média. Em um ano, são quase 60 dias de tempo recuperado. Ao final do ano, teremos devolvido ao nosso time cerca de 18 mil dias de vida, evitando 350 mil viagens de transporte público. Além disso, é um modelo com impacto social e sustentável, deixando de gerar mais de 180 toneladas de carbono e gerando economia local para as regiões que os nossos funcionários residem”, aponta.

Com a adoção do home office por mais empresas durante a pandemia, o empreendedor acredita que o trabalho remoto veio para ficar, mesmo na área de teleatendimento. “As empresas conseguiram enxergar os benefícios desse modelo de trabalho e naturalmente vão surgir outras empresas prestando esse tipo de serviço”, diz. 

O empreendedor parece não temer a concorrência. Segundo ele, trata-se de um mercado muito grande, com mais de 1 milhão de colaboradores, e que nitidamente valoriza quem faz um bom trabalho. “A nossa vantagem é que nascemos com o trabalho remoto e há nove anos. Aperfeiçoamos o nosso modelo implementando metodologia e processos, entregando ainda mais qualidade nas entregas. Estamos prontos para atender a essa demanda de mercado, enquanto que a maioria das empresas levará tempo para adaptar seus modelos de negócio, operações e perfil de equipe”, diz o CEO e fundador da startup. . 

Nos últimos meses, a Home Agent percebeu a demanda do mercado e passou a não só terceirizar o atendimento como também a ajudar empresas a fazerem a transformação de suas operações próprias de atendimento presencial para o formato home office.

Atividade: empresa de atendimento ao cliente

Fundação: 2011

Funcionários: 550

Crescimento em 2019: 107% na receita mensal em relação ao ano anterior


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