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Saiba como é o nível de diversidade no ecossistema das startups brasileiras

Representatividade feminina, negra e de pessoas com deficiência ainda é baixa, segundo estudo da associação do setor

POR Adriana Fonseca | 24/11/2020 15h45 Imagem Gerd Altmann: Pixabay Imagem Gerd Altmann: Pixabay

Como é a diversidade no ecossistema de startups brasileiro? Pela primeira vez, a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), entidade sem fins lucrativos que representa o setor, incluiu o tema em um de seus estudos.

Segundo o Mapeamento de Comunidades 2020, os homens são maioria entre os fundadores de startups no Brasil, representando 59,2% do total, enquanto as mulheres respondem por 12,6%. Completam a lista as empresas mistas, com fundadores homens e mulheres, sendo que aquelas em que a maioria é do sexo masculino representam 18,5%, e as com maioria feminina, 2,4%. 

Na divisão por raça, a maioria se autodeclara branca (64,8%), seguida pelos pardos (22,7%), negros (5,8%), amarelos (2,2%) e indígenas (0,5%). 

No que tange a orientação sexual, 92,3% se declaram heterossexuais, 3,9%, homossexuais e 1,5%, bissexuais.

A pesquisa foi realizada entre os meses de maio e setembro com dados do Startupbase, a base de mais de 5 mil startups associadas da Abstartups espalhadas pelo Brasil.

Diversidade nos times das startups

diversidade Dados da Abstartups apontam que no Brasil apenas 5,8% dos fundadores de startups se declaram negros. Imagem Christina Wocintechchat: Unsplash

Quando se olha para as equipes das startups, 26,9% não têm nenhuma mulher no time; 18,6% têm de 25% a 49%; 17,4% têm de 6% a 25%; e 15,1% têm metade do time composto por mulheres.

Os negros, por sua vez, estão ausentes em 52,8% das empresas do setor. Outras 19,3% das startups têm entre 6% e 25% de pessoas que se autointitulam negras; 11% têm menos de 5% e 9,6% têm entre 25% e 49%.

As pessoas com deficiência também não estão bem representadas no ecossistema: 94,5% das startups não têm nenhum deficiente no time e somente 3,2% têm menos de 5% de profissionais PCD na equipe. Os transexuais também estão ausentes em 96,7% das empresas participantes do levantamento.

A despeito da realidade atual, 88,4% dos respondentes acreditam que a sua startup apoia a diversidade, sendo que 75,1% consideram importante ou muito importante apoiar o tema, enquanto 19,5% consideram a pauta essencial.

Um longo caminho no Brasil

Poucas empresas são maduras em relação à diversidade no Brasil, como já mostramos no Whow!. 

Ao analisar 30 empresas, a CKZ Diversidade reconheceu que somente 10% das companhias nacionais da amostra podem receber o status de maduras em relação ao tema. Entre as multinacionais a porcentagem sobe um pouco, para 27%.

Já está mais do que provado que uma equipe diversa impulsiona a capacidade de inovação das empresas, mas entre a teoria e a prática existe uma desproporcionalidade. 

Um amplo estudo da McKinsey especificamente mostra que as empresas da América Latina que adotam a diversidade tendem a superar outras em práticas-chave de negócios como inovação e colaboração, e seus líderes são melhores em promover a confiança e o trabalho em equipe. Elas também costumam ter ambientes de trabalho mais felizes e uma melhor retenção de talentos.

Tudo isso se traduz tanto em uma saúde organizacional mais sólida quanto em resultados: empresas que adotam a diversidade têm uma probabilidade significativamente maior de alcançar uma performance financeira superior à de seus pares que não o fazem, de acordo com o estudo da consultoria global.

Para chegar a essas conclusões, a McKinsey usou um conjunto de dados de 700 empresas de capital aberto da região e promoveu uma extensa pesquisa com 3,9 mil funcionários de diferentes níveis hierárquicos, além de entrevistas aprofundadas com 30 executivos seniores.

Embora a correlação não represente prova de causalidade, o estudo encontra um vínculo claro entre a existência de diversidade na gerência sênior e a saúde e performance das empresas.

De qualquer forma, empresas estão mais atentas ao tema – mais do que alguns anos atrás – e já surgiu no mundo corporativo, inclusive, a figura do líder de diversidade e inclusão, ou Chief Diversity Officer (CDO), na nomenclatura em inglês.

O papel central desse profissional é alinhar o tema da diversidade à estratégia da empresa. Isso é de fundamental importância para que haja progressos, como a implementação de políticas claras de recrutamento que consideram o tema. 


CONFIRA ESTA ENTREVISTA DO WHOW! COM O “CEO DA DIVERSIDADE”


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