Recuperação econômica depende do empreendedorismo feminino - WHOW

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Recuperação econômica depende do empreendedorismo feminino

O movimento do empreendedorismo feminino reduz lacunas socioeconômicas, reinsere parte relevante da população na economia em meio à crise de desemprego e encontra novas soluções para velhos problemas da sociedade.

POR Marcelo Almeida | 06/12/2021 18h12

O Fórum Econômico Mundial divulgou dados e proposições que colocam as mulheres como protagonistas na retomada da economia após o pico da pandemia já ter passado (embora variantes continuem a surgir). O movimento do empreendedorismo feminino reduz lacunas socioeconômicas, reinsere parte relevante da população na economia em meio à crise de desemprego e encontra novas soluções para velhos problemas da sociedade.

A partir dos dados do órgão internacional, com insights e pesquisas do cenário brasileiro, apresentamos três pontos de destaque em relação ao processo de recuperação econômica e mulheres empreendedoras. Confira:

1 – A recuperação depende das mulheres

As mulheres representam metade da população mundial mas apenas 39% da força de trabalho (segundo dados de 2019). Isso tem a ver com diversos fatores, sobretudo culturais, visto que em muitas sociedades elas são inclusive proibidas de trabalhar e são forçadas a ter uma vida doméstica.

E foram as mulheres também que mais sofreram com a pandemia e a crise econômica gerada por ela, sobretudo em função do desemprego e da falência de negócios.

Na medida em que as economias se recuperam, os governos precisam incentivar as mulheres empreendedoras, assim como incentivar a inclusão delas no mercado de trabalho.

Trata-se de uma medida fundamental, sobretudo no Brasil. Pesquisa feita pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2020 aponta que 31,3% dos empreendedores estabelecidos no país são mulheres, número que pode ser aumentado porque um contingente muito maior tenta empreender, mas acaba falhando e não conseguindo permanecer muito tempo no mercado (menos de um ano, em grande parte dos casos).

Dentre os principais fatores para o fracasso de empreendimentos está a falta de conhecimento de conceitos básicos de administração e contabilidade, como controle de receitas e despesas, análise do mercado e da concorrência, da demanda potencial dos produtos, do nível de saturação de determinado mercado. Enfim, são uma série de conceitos que precisam ser ensinados por meio de cursos de formação específicos para quem pretende empreender.

2 – Redes de fornecedores resilientes exigem diversidade

A pandemia mostrou que determinadas redes de fornecimento são frágeis, ressaltando a necessidade de governos e companhias diversificarem seus fornecedores.

As compras dos governos são boas oportunidades para criar maior resiliência em redes de fornecedores, ao mesmo tempo em que podem incentivar as mulheres empreendedoras.

Para se ter uma ideia dos valores gastos por governos ao redor do mundo, em 2018 foram gastos US$ 11 trilhões (12% do PIB global) com mercadorias e serviços.

Dados do International Trade Center (ITC, Centro Internacional do Comércio) apontam que apenas 1% desses gastos são feitas por meio de contratos com empreendimentos geridos por mulheres. Ou seja, dos US$ 11 trilhões gastos, apenas US$ 110 bilhões acabam sendo destinados a negócios liderados por mulheres.

Os motivos variam, como barreiras no acesso à informação, problemas para a pré-qualificação, administração de contratos, dentre outros. Além disso, como as empreendedoras tendem a liderar pequenos e médios negócios, muitas vezes eles não têm a robustez necessária para suprir a quantidade de produtos ou serviços exigidos pelos contratos com governos.

Para mudar isso, é preciso capacitar mulheres empreendedoras para que elas tenham maior acesso a esse tipo de contrato, seja por meio de programas governamentais ou por ferramentas como as oferecidas pelo ITC, que incluem aplicativos on-line, guias passo-a-passo, materiais de e-learning e publicações em geral destinadas a mulheres que buscam fechar negócios com governos.

3 – O e-commerce representa novas oportunidades para as mulheres

A pandemia levou a uma maior necessidade de digitalização dos negócios, sendo que estimativas apontam que 60% do PIB global estará digitalizado até 2022.

As mulheres podem se beneficiar bastante disso, mas, em muitos países, elas ainda têm pouca capacitação para conseguir atuar em setores que envolvem e-commerce.

A inclusão digital dessas mulheres, portanto, é fundamental para melhorar a participação delas no comércio internacional, cada vez mais digitalizado e focado em marketplaces, lojas online, etc.

Um programa do ITC chamado SheTrades treinou mais de 40 mil mulheres empreendedoras gratuitamente para se conectarem, aprenderem e fazerem negócios. Eles oferecem 120 módulos de cursos voltados para a capacitação de empreendedoras. Além disso, empresas como UPS treinaram milhares de mulheres a como expandir suas exportações.

Para não existir o risco de um retrocesso em termos de percentual de mulheres empreendedoras, capacitar as mulheres para o comércio virtual seja por qual meio for, governamental, empresarial, por ONGs, etc, é um passo fundamental para torná-las mais capazes de concorrer de forma mais igualitária com os homens no comércio.