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Realidade virtual será “extensão do nosso corpo”, prevê CEO da MedRoom

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Apontada há anos como uma das tendências tecnológicas de maior potencial para transformar mercados, a realidade virtual (VR) entrou de vez para o mainstream neste final de 2021. Isso porque o grupo que controla o Facebook mudou seu nome para meta, em um movimento para chamar atenção ao metaverso, o próximo grande produto da companhia. E se o metaverso será o futuro da internet, uma de suas tecnologias habilitadoras – a realidade virtual – se tornará uma “extensão do nosso corpo”.

É o que prevê Vinicius Gusmão, CEO e cofundador da startup MedRoom. Em entrevista exclusiva, ele compara o desenvolvimento dos dispositivos de VR com o que aconteceu com o computador pessoal nas décadas de 1990 e 2000. “Tirando o óbvio – qualidade gráfica, capacidade computacional, usabilidade – a principal evolução é a individualização do headset. Está virando algo mais portátil e pessoal. Me parece claro este movimento, só que em ciclos bem mais enxutos [do que o dos computadores]”, analisa o empreendedor. 

Nesse sentido, Gusmão vê um percurso de comoditização da realidade virtual por meio da adoção do metaverso. E, sobre isto, enxerga pontos positivos e outros de atenção. “Acreditamos na MedRoom desde 2016 em alguns conceitos do metaverso, só não com esse nome. Por exemplo, a interoperabilidade de sistemas, todo mundo conectado em um mesmo mundo virtual por dispositivos diferentes. Acredito que todo mundo que desenvolve com VR tem essa visão”, diz. 

A MedRoom navega pelos setores de saúde e educação. Adquirida pela Ânima Educação no ano passado, a startup usa realidade virtual para melhorar o ensino de medicina, com simulações e um laboratório de anatomia que só podem ser acessados por meio de um dispositivo de VR. Com isso, os alunos podem ter uma experiência interativa e mais próxima da prática, sem riscos a nenhum paciente. 

Para o CEO da startup, um dos pontos positivos da atenção ao metaverso é a economia gerada pela educação do consumidor. “Quando Meta, Microsoft e TikTok começam a falar disso para bilhões de usuários, fica mais fácil eu explicar o que é. Não preciso mais investir do nosso bolso e com nossa capilaridade de comunicação para ensinar o que é a realidade virtual. Posso focar em discutir o meu produto dentro deste contexto”, analisa. 

 “Mas temos que levantar alguns alertas”, pondera. “A Meta começa a demonstrar que pode tentar ‘controlar o parquinho’. É um movimento semelhante ao que a Apple fez com o iOS. São milhões de dólares destinados a desenvolvedores, mas me parece um ecossistema bem mais fechado que o Android, por exemplo”. 

Quando se fala da possibilidade de negócios no metaverso, o potencial dos setores de educação e saúde estão claros ao empreendedor, por conta da extensa pesquisa e experiência ao longo dos cinco anos de jornada. Porém, segundo Gusmão, ainda que as possibilidades sejam infinitas, ainda será necessário realizar pesquisas de mercado e, principalmente, compreender quais dores de clientes podem ser melhor resolvidas no ambiente da imersão virtual. “Tudo no metaverso tem que surgir por causa da necessidade real de mercado. Problemas que de fato podem ser resolvidos com a virtualização, com essa imersão”, explica o CEO. 

No caso do setor de educação, ele analisa que o papel do professor irá mudar, mas não será substituído por um professor digital gerado por Inteligência Artificial ou algo do tipo. “O papel do professor muda, mas não para menos. Não é o caminho proposto pela própria tecnologia”, diz Vinicius Gusmão. “Em um contexto de tecnologias cada vez mais imersivas, o que estamos vendo é a maior proximidade do professor com o aluno. Talvez o papel de professor se distribua em mais pessoas, em um profissional diferente, híbrido, e mais professores passem pela jornada do aluno como mentores”, completa.

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