Quer empreender com delivery de comida? Veja como fez Guilherme Ryuichi - WHOW
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Quer empreender com delivery de comida? Veja como fez Guilherme Ryuichi

A proporção de restaurantes, lanchonetes, padarias e mercados brasileiros que fazem delivery passou de 49% antes da pandemia para 81%,sobretudo para continuar em funcionamento.

POR Marcelo Almeida | 05/11/2021 19h35 Quer empreender com delivery de comida? Veja como fez Guilherme Ryuichi

O segmento de delivery de refeições teve uma alta significativa praticamente no mundo inteiro desde o início da pandemia, por ser um empreendimento possível para quem está com pouco dinheiro disponível. Pesquisa feita pela startup espanhola Comprar Acciones aponta o delivery online de comida cresceu quase 27% em 2020, passando de US$ 107 bilhões (R$ 575 bilhões) em 2019 para US$ 136 bilhões (R$ 731 bilhões) no ano passado.

A tendência do delivery foi acompanhada pelos empresários brasileiros. De acordo com estudo do Instituto Locomotiva, a proporção de restaurantes, lanchonetes, padarias e mercados brasileiros que fazem delivery passou de 49% antes da pandemia para 81%, sobretudo para continuar em funcionamento.

Algumas empresas, inclusive, tiveram um crescimento excepcional durante o período. Uma das maiores foodtechs brasileiras do setor de delivery, a LivUp, dobrou de tamanho e passou a ter um faturamento de R$ 100 milhões em 2020.

Começando o seu negócio

Para começar, é preferível ter uma estrutura mínima para conseguir cozinhar em grandes quantidades, como panelas grandes (além de outros equipamentos como talheres, recipientes para colocar as comidas, espaço para armazenar ingredientes).

Se você não tem muito dinheiro para gastar com publicidade, pode pensar em criar alguns panfletos para distribuir perto da região onde mora. Outra boa forma de aumentar a sua clientela é por meio das redes sociais, algo que pode ser feito organicamente.

Foi o caminho usado por Guilherme Ryuichi, 34, que viu o seu número de clientes crescer bastante na medida em que mais usuários começavam a seguir a conta do seu negócio no Instagram.

Formado em Jornalismo e já tendo atuado com redes sociais anteriormente, ele conseguiu aplicar algumas de suas habilidades para fazer o seu empreendimento no setor de delivery de comida evoluir,

“Foi algo bastante orgânico, foi bem legal ver o crescimento e como as pessoas começaram se tornar consumidores frequentes”, afirma Ryuichi.

Amor pela cozinha

Um apaixonado por cozinhar há muito tempo e que quase chegou a participar de uma versão do Masterchef (uma lesão o deixou fora do programa), Ryuichi decidiu começar a empreender de casa mesmo justo no momento em que a crise alcançava os seus piores números.

O principal problema, de início, foi conciliar a vida doméstica com a produção em maior escala de comida para até 50 consumidores diários (com uma média de cerca de 20 pratos). Isso porque divide o espaço com outros três membros de sua família.

Com a expansão do negócio, foi necessário mudar a cozinha de local e levá-la para onde era a varanda da casa, onde foi criada uma espécie de cozinha adaptada.

“Eu não sou um restaurante, não tenho uma cozinha industrial, nada disso. Eu sou basicamente um diarista que não vai para a casa das pessoas, ou seja, eu cuido da alimentação de uma família, de um indivíduo, de pessoas que moram juntas, etc.”, afirma Ryuichi.

Um aspecto diferente de seu negócio está relacionado aos ingredientes. “Eu faço uma lista de ingredientes, a pessoa dá uma olhada e depois de fazer ou não mudanças ela me dá um aval e ela mesma ou meu entregador vai ao mercado para comprá-los. Não existem, portanto, fornecedores. Quando alguém me contrata, é pela confiança de que eu vou conseguir fazer uma comida boa com os ingredientes que me passarem” afirma. ”

Panelas, eletrodomésticos e utensílios

Felizmente, no caso dele, sua família já tinha duas grandes geladeiras, o que facilitou bastante o acondicionamento de alimentos. Caso tivesse que comprá-las novas, o valor ficaria em torno de R$ 2 mil cada uma, variando conforme a marca (é possível achar algumas por R$ 1,3 mil novas).

Além disso, ele também já tinha a maior parte do material, como panelas específicas para cozinhar em grande escala.

Segundo ele, quem quiser empreender no segmento precisa investir por volta de R$ 1 mil em panelas. “Elas são caríssimas, o valor pode chegar a R$ 2 mil em alguns casos”, afirma.

Ele também cita outros materiais necessários, como panela de pressão (por volta de R$ 150), e outros nem tanto, como fritadeiras (que vão de R$ 200 a mais de R$ 2,5 mil).

No fogão ele não poupou recursos. Com cinco bocas, gastou cerca de R$ 8 mil em um de primeira linha para garantir agilidade e segurança no processo.

Contabilidade?

Em relação a como ele mantem a contabilidade do negócio, ele confessa que não é tão organizado, mesmo tendo cursado Ciências Contábeis na USP por alguns meses.

“É meio arcaica [a contabilidade] na verdade, eu não fico registrando cada detalhe. Eu tenho uma expectativa por semana e eu fico guardando para pagar o Paulo [o entregador]. De resto são contas e nada tão grande que vai interferir na minha lucratividade” afirma.

Para precificar as refeições, ele resolveu classificar de acordo com o número de pedidos.

“De 5 a 10 refeições, são R$ 30 cada uma. De 11 a 15 são R$ 27,50 e de 16 pra cima, são R$ 25 cada uma”, diz ele.

Planos para o futuro

Embora ele tenha construído uma nova cozinha recentemente, alguns problemas na obra têm atrasado a sua produção, que ainda não está operando a toda capacidade.

Por conta do problema, ele tem cozinhado apenas duas vezes por semana, mas nesses dias afirma dedicar cerca de 18 horas ao trabalho para suprir a demanda.

Quando o problema for resolvido, no entanto, ele pretende vender por volta de 300 pratos por mês, gerando um faturamento de cerca de R$ 7.500.

Pode não parecer muito de início, mas para quem começou na cozinha de sua própria casa, cozinhando enquanto outros moradores precisavam usar a geladeira, o microondas e outras coisas enquanto ele trabalhava, e que agora tem a sua própria cozinha e uma clientela em constante expansão, a sua meta é de curto prazo.

Além disso, ele pretende fazer cursos de culinária para melhorar suas habilidades e se tornar, de fato, um chef.

Se já da cozinha de casa ele chama a atenção dos clientes, em um restaurante esse jovem cozinheiro deve servir pratos para paladares cada vez mais exigentes.